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quarta-feira, 2 de março de 2011

Tradição, carnaval e o Cimples Ócio retornando

Pois é, não aguento sem dançar umas marchinhas no carnaval. Como estas coisas andam escassas no Brasil todo, com raras excessões, resolvi tentar reunir um povo que ainda gosta (será que alguém deixou de gostar? para brincar um pouco. Segue o texto que enviei por email para o pessoal. Se puder ou estiver em Curitiba apareça e divulgue por favor:

Carnaval na Feitoria Cimples Ócio

- carnaval é tradição prazeirosa
Que coisa boa que é dançar ao som de “e as pastorinhas para consolo da lua, vão cantando nas ruas, lindos versos de amor” (Noel Rosa e João de Barro). Pois é, a gula comercial e a pressão mercadológica em cima das mídias e outros fatores deixaram-nos distantes dos prazeres das marchinhas.
E bem tocada então! Maior dificuldade ainda!
Reunimos um bom time de músicos, sopros, cordas e percussão, que nos proporcionarão um reencontro com os prazeres das marchas-ranchos, marchinhas, sambas, choros e maxixes. Sem espaço para o axé e bonde do tigrão apelativos.
A programação do Cimples Ócio prevê dois dias de muita dança, trenzinhos e folia da boa - domingo e terça com muitas máscaras, fantasias, confetes e serpentina. Portanto, prepare seu traje – evite os nada tradicionais nesse período e pouquíssimos inventivos, bermuda/saia e camiseta. E venha cedo para aproveitar! Encerramento às 9 da noite.
Resumo:
Carnaval na Feitoria
Data: 06 mar – domingo – 14h00 – (música inicio 16h00).
08 mar – terça-feira gorda – 16h00
Local: Cimples Ócio / Curitiba
Rua Miguel Jorge Nasser, 206 – bairro Tingui – Curitiba
Custos:
Entrada: R$ 25,00 e R$ 10,00
crianças (06-12 anos) e músicos.
Domingo especial – culinária: moqueca de siri por Nega Fuá (Aline) – R$ 21,00 p/pessoa
- capacidade: 80 pessoas
Outras informações e contatos:
cimples.ocio@gmail.com
41 3209-8802 / 41 9931-7820
Gratos! E bom carnaval!

Anildo Guedes

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Samba na rua. Coisa da antiga ou ainda existe? "Nosso Samba ainda é na rua"

Esta em extinção não. Transcrevo materia postada pela Eugenia Rodrigues da Agenda Samba-Choro que é texto da Roberta Martins que vale ficar registrada. Aproveite e veja os comentarios,comprovação que o Samba vai muito bem obrigado.  

Por Eugênia Rodrigues - Publicada em 20 de Dezembro de 2010
Assunto: Outros
"Nosso samba ainda é na rua" é o nome do artigo escrito pela cientista social Roberta Martins no Boletim do Coletivo de Produção Cultural Aracy de Almeida. Em tempos de Choque de Ordem, é uma reflexão deveras pertinente.
"Nosso samba ainda é na rua"
Roberta Martins

´Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua/Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua´.
Chico Buarque
Peguei emprestado esse pequeno trecho de ‘Quem te viu, quem te vê’ , para começar a falar de samba que rola na rua. Por todo o Rio são muitas os locais onde se pode curtir um bom samba. Em casas de show, bares, clubes, teatros, lonas culturais, armazéns a até mesmo sedes de sindicato, são muitas as opções e possibilidades pra quem quer cantar e sambar por aí. Isso sem falar das Escolas de Samba, em cujas quadras, o baticum corre solto.
Mas, a cidade ferve também com as Rodas de Samba que acontecem por ruas e praças, e que expressam de certa maneira uma das mais genuínas formas de fazer samba carioca. Samba feito na rua, onde quem quiser pode chegar.
Observando por um aspecto muito particular, esse modo de realização cultural que acontece na via pública, pode ser visto como um modo de resistência cultural. Apesar de o samba estar muito bem no mercado cultural – Obrigado! – o encontro possibilitado por esse tipo específico de evento cria uma espécie de sistema próprio de afirmação da identidade popular e democrática da cultura do samba. E implicitamente rejeita os discursos que dão explicações de que o samba é um fenômeno, com a sobrevivência consentida e realizada apenas para o consumo.
Quando falo de esquinas e praças, estou na realidade falando de locais onde se dão relações sociais que não são mediadas pela lógica do consumo, a rua, a praça, a via pública são lugares de encontro entre pessoas, espaços relacionais.
Mas, essa prática vem de muito tempo. Lá pelo início do século passado a praça era o lugar do samba na cidade, o melhor exemplo, no caso do samba é da Praça Onze. Da casa de Tia Ciata, e para além do interior do espaço ‘privado’ de suas dependências, se tornou ponto de encontro dos moradores de vários morros, da população pobre e majoritariamente negra e acabou por confundir-se a existência da praça ao samba. Favorecendo a expansão da territorialidade cultural do samba, e disseminando as rodas de samba, blocos, cordões e posteriormente as Escolas de samba.
Lembrando o samba de Herivelto Martins e Grande Otelo, vê-se a comoção com o fim desse espaço do povo e do samba.

" Vão acabar com a Praça Onze
Não vai haver mais Escola de Samba, não vai
Chora o tamborim
Chora o morro inteiro
Favela, Salgueiro
Mangueira, Estação Primeira..."

Hoje o samba ainda rola na rua, não rivaliza, agrega, não esvazia casas onde se faz samba de maneira profissional, ao contrário, atrai cada vez mais admiradores ao samba. Em locais diversos espalhados pela cidade, e só para citar alguns: o Escravos da Mauá, as Rodas de Samba da Pedra do Sal, o Samba de domingo na Feira da Glória, o Samba da Rua do Ouvidor, Praça São Salvador... os ensaios de rua das Escolas de Samba..."
comentarios: http://www.samba-choro.com.br/noticias/25070
fonte: http://www.samba-choro.com.br/

terça-feira, 16 de junho de 2009

Candeia - Luz da Inspirição - livro reedição com CD

Joao Baptista Vargens em Curitiba, Itajai e Floripa.
O Marcão mora em Camboriu - SC, sujeito que gosta de cantar alguns sambas do Manacea, do Wilson Moreira, de quem é velho conhecido quando morou no Rio de Janeiro e conheceu um monte de bambas.
Pois é, o homem ligou-me semana passada informando sobre a vinda do Joao Baptista Vargens - leia-se autor, entre varias outras publicações, do livro "A Velha Guarda da Portela" de 2001 - ao qual ate hoje me reporto para as postagens e informações - e o livro do titulo desta postagem, vindo para cá para o lançamento da reedição com CD (23 musicas). Mesmo em cima da hora, faremos uma pequena recepção para o Joao aqui em Curitiba na proxima quinta, 25, com palestra e roda de samba e venda a preços promocionais - R$ 20,00.
Combinada a parada do Joao Baptista aqui neste frio danado, dei uma consultada e rastreada na vida deste amante do samba e acabei achando algo interessante escrito pelo Aramis Millarch, e descobrindo que o livro já teve um lançamento anterior aqui no Paraná. Vejam lá:
- Os dois novos álbuns-antologia e livros que estão sendo lançados pela Funarte a preço de ocasião, em Curitiba poderão ser encontrados na loja da Rua Cruz Machado, com a sempre simpática Patrícia) são em homenagem a duas figuras exponenciais de nossa música popular: Ismael Silva (1905-1978) e (Antonio) Candeia (Filho, 1935-1978).
Povo. Samba. Luta. Resistência. Quatro palavras do cotidiano de Candeia. "Uma vida tão rica quanto a de Antônio Candeia Filho é difícil de traçar", diz a jornalista Lena Frias no prefácio do livro de João Baptista Vargens, vencedor do Concurso Lúcio Rangel.
- "Partia para a luta derrubando tudo - dificuldades, preconceitos, o que encontrasse atrapalhando o caminho. Qualidade de líder naquele homem preso a uma cadeira de rodas (tornou-se deficiente físico quando levou uma facada nas costas quando era policial) que, ainda assim, era puro movimento, ação, dinamismo" - diz Lena Frias.
O livro de Vargens é uma crônica sobre Candeia (seu filho, Jorginho do Império, fez carreira como compositor e cantor), relato do que ele viu, viveu e observou.
No elepê "Candeia" foram gravadas seis músicas inéditas, entre as quais aquelas que podem ser citadas como "Seis datas magnas", em parceria com Altair Prego, interpretada por Francisco Santana, compositor ("Saco de Feijão", sucesso de Beth Carvalho, por exemplo) que morreu (sem o menor registro na imprensa) há poucos meses, quando o disco entrava em fase industrial. Este samba-enredo, composto quando Candeia tinha 17 anos, trouxe a vitória para a Portela em 1953. Segundo Sérgio Cabral, ex-vereador, atual secretário de Esportes do Rio de Janeiro e candidato a prefeito do Rio de Janeiro - mas sobretudo um grande pesquisador do samba, o momento especial do disco está em "Testamento de Partideiro", onde Candeia se coloca diante da possibilidade da morte e dedica seus versos, com muito amor a seus filhos e sua mulher, dona Leonilda. Os arranjos e a direção do disco são de Tuninho Galante.

sobre Aramis Millarch (não deixe de ler) e visitar o tabloide digital
http://www.millarch.org/quem-foi-aramis-millarch