Dona Ivone Lara ou Yvonne Lara da Costa.
Dona Ivone comemora 89 anos em 2010 - dia 13 de abril de 1921.
E fui na WEB buscar algumas imagens diferentes para homenagea-la neste humilde espaço. Tirando um tecladinho que fazia parte de seu do grupo que a acompanhava num show em Antonina aqui no Parana, sempre fui de babar pela compositora. Vi varios shows nestes ultimos anos, viajei e deixei de viajar para assisti-la. Acabei encontrando um blog de um jornalista belga e repasso a história dele falando da historia dela (credo!!). Os negritos são meus:
A exemplo da maioria dos artistas populares de origem humilde, Dona Ivone Lara construiu o essencial de sua obra depois de uma vida de trabalho duro ; no seu caso, dedicado- como enfermeira diplomada- a tratar de pessoas portadoras de distúrbios mentais. A música, por sinal, era uma de suas armas terapêuticas. Muito jovem, ela aprende a tocar cavaquinho, e aos 12 anos já compõe seu primeiro samba, Tiê, com o qual ela abre o show desse dvd « Canto da Rainha », gravado no Canecão, no Rio de Janeiro, em 2009.
Adolescente, ela se flagra também no círculo de certos anfitriões da música brasileira, como Heitor Villa Lobos (1887-1959), Pinxinguinha (1897-1973) e Donga (1890-1974).
Em 1947, ela compõe Nasci para sofrer, um samba sob o qual desfila a Escola Prazer da Serrinha, que virá a se tornar a célebre Escola de Samba Império Serrano.
Bem mais tarde, em 1965, com Silas de Oliveira e Bacalhau, ela vem a compor Os Cinco Bailes da História do Rio, um samba-enredo que coloca a Império Serrano em quarto lugar naquele ano.
Ele se torna, por esse fato, a primeira mulher a integrar o círculo essencialmente masculino de compositores de samba de Carnaval (« ala dos compositores »).
É a partir dos anos 70, quando Dona Ivone Lara então festeja quase seu meio século, que sua carreira decola definitivamente. Ela se dedica inteiramente à sua arte e a seu primeiro álbum, « Sambão 70 », ao alvorecer daquela década.
O nome de Dona Ivone Lara me foi revelado (assim como para muitos outros) pelo título Sonho meu, que foi incluído no álbum histórico de Maria Bethânia, « Álibi », primeiro disco de uma intérprete feminina a atingir o milhão de exemplares vendidos. Sonho Meu (duo de Bethânia com Gal Costa), composto em parceria com um de seus mais fiéis colaboradores, Délcio Carvalho, ganha inclusive o prêmio Sharp de melhor canção naquele mesmo ano.
Mais tarde, foi num outro disco de Bethânia, « Talismã », que eu descobri outro grande clássico : Alguém me avisou, numa versão antológica cantada com Gilberto Gil e Caetano Veloso. Um título que figura no repertório de qualquer roda de samba que se dê ao respeito.
A partir daquela época, e até esse primeiro dvd, tardio para essa grande dama do samba de 89 anos, não lhe faltaram sucesso, prêmios, e incontáveis demonstrações de reconhecimento por seus pares. Um reconhecimento que veio a se estender para além das fronteiras do Brasil.
O fato é que, como diz com precisão Paulão 7 cordas (nos depoimentos dos extras aqui), Dona Ivone Lara possui um senso sofisticado da melodia que ela desenvolve em seus sambas, os quais são bastante enraizados nos ritmos afrobaianos. Há outros grandes clássicos muito propriamente colocados nesse dvd, como atestam Mas quem te disse que eu te esqueço (com Hermínio Bello de Carvalho), Alvorecer, Acreditar, e Sorriso de criança- sendo esses três últimos ainda compostos com Délcio Carvalho.
Esse dvd ficará para sempre como um documento definitivo, que imortaliza um repertório pertencente ao patrimônio musical do Brasil !
- veja outras biografias + sobre DVD e CDs
http://musica.uol.com.br/ultnot/2009/02/06/ult89u10251.jhtm
Foto: Mário Luiz Thompson
- video com Nilze Carvalho:
http://www.youtube.com/watch?v=cJtgHXeKdQU
- video com Delcio Carvalho:
http://www.youtube.com/watch?v=M2kz9P9OqDA
- video TV Cultura - com Quinteto em Branco e Preto (muito bom - não deixe de clicar)
http://www.youtube.com/watch?v=yJywnMf1uQg
Divulgar textos, histórias e personagens do Samba e Choro. Absorver e repassar experiencias, produções e causos vivenciados/relacionados com os dois generos. Divulgar o espaço Feitoria Cimples Ócio em Curitiba e outras plagas.
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
domingo, 21 de junho de 2009
O Samba nosso de cada dia
Samba, midia e outros trens - devaneios Anildo Guedes
Senhores:
Comecei tentando fazer um texto para a roda de samba de sabado, dia 27. Acabei surtando e quando vi o texto já estava grande para uma simples divulgação no blog do Cimples Ocio - produções (http://cimplesocio-producoes.blogspot.com/) e escrevendo um pouco mais do que devia, terminou creio, como mais um dos inumeros textos meio ufanicos em defesa do samba e um desabafo pessoal. Mudei um pouco o começo do texto para não ficar sem pé nem cabeça e marcar o inicio do Cimples Ócio.
Mas, segue o ocorrido/escrito ai embaixo:
Desde dezembro 1998 ... O Cimples realiza ... uma roda de samba ... ambos com os mesmos objetivos ... Aliás, dificies de serem atingidos em Curitiba.
... o combinado é divulgar o SAMBA. músicas pouca conhecidas, porém de melodia e harmonia apurada; trazer ao conhecimento público as principais vertentes do samba, suas matrizes e personagens marcantes e ao mesmo tempo distantes ou simplesmente largados pelas midias diversas desde os anos 20 e 30.
Desde aqueles anos e ainda hoje somos pressionados e obrigados a ouvir o que alguns poucos determinam como produto de consumo. Como qualquer outro entretenimento do segmento musica, o samba padece igualmente - uma grande parte dos produtos são manipulados com apostas na deglutição rápida, melodicamente paupepérrimos e harmonicamente sem nenhum tempero. Sambistas, ou melhor, poetas ou cronistas do cotidiano às vezes sofrido, outros de alegria incontida, muito bem contados, são relegados e esquecidos. Historias com conteudo e exemplares são esquecidas, perdidas.
E mesmo com a internet e a difusão e facilidade para baixar bons discos, novos e antigos, estamos longe de conhecer o que foi feito pelos sambistas de verdade. Até porque um percentual enorme ainda não tem computador e não consegue baixar um Chico Santana, Alvaiade, Padeirinho ou Xango da Mangueira.
Pelo contato que tive com alguns sambistas de estirpe a minha opinião é de que o que foi para o radio e disco, alguns roubados, outros comprados, outros, nos dias de hoje barrados ou meramente guardados a mostra midiatica é irrisória e insonsa se pensarmos no samba como manifestação popular, como mostra da realidade social autentica e cultura marcante e prodigiosa. Ganharam os articulados mercadores de ontem e de hoje. Perdemos nós - povo de pouca pratica, negligentes e desaglutinados. Ate porque o samba como simbolo nacional foi imposto por alguns poucos no começo do século - a tal da elite intelectualizada - por necessidade do momento politico e cultural do Brasil. Estamos no jardim de infancia ainda, mas chegamos lá.
Anildo Guedes
Curitiba - Pr, 21/06/2009 - domingo 9 da noite
Senhores:
Comecei tentando fazer um texto para a roda de samba de sabado, dia 27. Acabei surtando e quando vi o texto já estava grande para uma simples divulgação no blog do Cimples Ocio - produções (http://cimplesocio-producoes.blogspot.com/) e escrevendo um pouco mais do que devia, terminou creio, como mais um dos inumeros textos meio ufanicos em defesa do samba e um desabafo pessoal. Mudei um pouco o começo do texto para não ficar sem pé nem cabeça e marcar o inicio do Cimples Ócio.
Mas, segue o ocorrido/escrito ai embaixo:
Desde dezembro 1998 ... O Cimples realiza ... uma roda de samba ... ambos com os mesmos objetivos ... Aliás, dificies de serem atingidos em Curitiba.
... o combinado é divulgar o SAMBA. músicas pouca conhecidas, porém de melodia e harmonia apurada; trazer ao conhecimento público as principais vertentes do samba, suas matrizes e personagens marcantes e ao mesmo tempo distantes ou simplesmente largados pelas midias diversas desde os anos 20 e 30.
Desde aqueles anos e ainda hoje somos pressionados e obrigados a ouvir o que alguns poucos determinam como produto de consumo. Como qualquer outro entretenimento do segmento musica, o samba padece igualmente - uma grande parte dos produtos são manipulados com apostas na deglutição rápida, melodicamente paupepérrimos e harmonicamente sem nenhum tempero. Sambistas, ou melhor, poetas ou cronistas do cotidiano às vezes sofrido, outros de alegria incontida, muito bem contados, são relegados e esquecidos. Historias com conteudo e exemplares são esquecidas, perdidas.
E mesmo com a internet e a difusão e facilidade para baixar bons discos, novos e antigos, estamos longe de conhecer o que foi feito pelos sambistas de verdade. Até porque um percentual enorme ainda não tem computador e não consegue baixar um Chico Santana, Alvaiade, Padeirinho ou Xango da Mangueira.
Pelo contato que tive com alguns sambistas de estirpe a minha opinião é de que o que foi para o radio e disco, alguns roubados, outros comprados, outros, nos dias de hoje barrados ou meramente guardados a mostra midiatica é irrisória e insonsa se pensarmos no samba como manifestação popular, como mostra da realidade social autentica e cultura marcante e prodigiosa. Ganharam os articulados mercadores de ontem e de hoje. Perdemos nós - povo de pouca pratica, negligentes e desaglutinados. Ate porque o samba como simbolo nacional foi imposto por alguns poucos no começo do século - a tal da elite intelectualizada - por necessidade do momento politico e cultural do Brasil. Estamos no jardim de infancia ainda, mas chegamos lá.
Anildo Guedes
Curitiba - Pr, 21/06/2009 - domingo 9 da noite
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