Procurando informações sobre o Rogerio Souza (violão e violão 7, compositor e arranjador) do Grupo Nó em Pingo d'Agua) que estara sexta no Cimples Ócio, acabei encontrado no sitio da Kuarup este texto. Espero que não seja processado. Chama-se Jacob por Jacob. Percam um tempinho.
Apresentação
Jacob por Jacob
Tentou cantar uma segunda voz no Hino Nacional e ficou de castigo no primário.
Menino sozinho e "sem licença pra ir na rua", ficava em casa pinicando as cordas de um violino com um grampo, até descobrir seu verdadeiro instrumento, o bandolin, que lhe deu glória e nome.
Sem método e sem professor, tornou-se o maior solista de seu instrumento na história da música brasileira.
Jacob foi, com Pixinguinha, Nazareth e Waldir Azevedo, um dos grandes nomes do choro. Gravou boa parte de sua obra, interpretou outros compositores e teve peças escritas exclusivamente para ele, como o 1º Concerto Para Bandolim e Orquestra de Radamés Gnattali.Pesquisador da música brasileira, tinha um enorme arquivo de partituras (hoje no MIS).
Foi líder de um dos melhores grupos de choro e de seu tempo, o Época de Ouro, e deixou uma obra repleta de choros, valsas, sambas, baiões, frevos, maxixes, polcas, schottish e mazurcas.
Em 1967, dois anos antes de sua morte, com seu português de escrivão da 11º Vara Criminal do então Estado da Guanabara, redigiu literalmente, a seguinte "Nota autobiográfica":
- Jacob Pick Bittencourt, n.14.2.1918, à Rua das Laranjeiras nº 180 (Maternidade), GB, único filho do farmacêutico Francisco Gomes Bittencourt (Cachoeiro de Itapemerim - ES) e de Raquel Pick (Lodz - Polônia), ambos, e todos os ascendentes conhecidos, alheios à música. Reside à Rua Comandante Rubens Silva 62 (JPA- GB). Casado com Adylia Freitas Bittencourt. Filhos: Sérgio Freitas Bittencourt (n. 3.2.41. RJ, jornalista e compositor) e Helena Freitas Bittencourt (n. 8.4.42. RJ, cirurgiã-dentista).
Cursou o primário na Escola Deodoro (Glória-GB), o admissão na Deutsche Schule (atual Cruzeiro do Sul-Senado-GB), o 1º ginasial e o comércial completo, na British American School (atual colégio Anglo Americano-Botafogo-GB), o de perito-contador no Instituto Freycinet e no Instituto Brasileiro de Contabilidade, formado por este em 1957. Nunca exerceu esta profissão. Foi prático de farmácia, vendedor pracista, agente de seguros e de títulos diversos, vendedor de material elétrico, parafusos, sabão e granel, material de papelaria, dono de um laboratório e duas farmácias sucessivamente. Sem vocação para o comércio, prestou concurso para escrevente-juramentado da Justiça da GB, sendo nomeado em 1944. Todas as suas promoções foram por merecimento, inclusive para o atual cargo de Escrivão Titular de Juízo de Direito da 11ª Vara Criminal.
1ª intuição musical: quando, na Escola Deodoro (1º primário), tentou cantar a segunda voz do Hino Nacional. Prêmio: retido até a noite.
1ª manifestação musical: gaita de boca para divertir os colegas na British American School.Bandolin: em 1930/31, na Rua Joaquim Silva 97 (Lapa-GB), onde foi criado, ouviu um vizinho, francês e cego, tocar violino.
Obteve um de sua mãe, estudando sozinho e reproduzindo valsas e modinhas que ela, em casa, e os vendedores de modinhas, na rua, cantavam. O arco era cansativo. Passou a pinicar cordas com granpo de cabelo, sem saber que havia um instrumento adequado para esse modo de tocar, pois não tinha amiguinhos no seu bairro e nem liberdade para ir à rua.
Cordas estouradas, despesas, reclamações, até que uma amiga de sua mãe esclareceu tudo. Comprou, em sua companhia, na Guitarra de Prata, um bandolin de "cuia" (mod. napolitano) que custou 80 mil réis.
Sem métodos nem professores, nele estudou apesar de precário o instrumento. É, até hoje, auto didata.
Em 20.12.933, impelido por amigos, mas sem qualquer interesse, tocou na Rádio Guanabara, à Rua General Câmara nº 60 - 3º andar, na Hora do Amador Untisal, o choro - "Aguenta, seu Fulgêncio" de Atílio Graní, acompanhado do Conjunto do Sereno, organizado, às pressas, no bairro do Lins: Carlos Gil (cavaquinho, falecido), Natalino Gil (irmão do 1º, pandeirista) e Ernesto (um eletricista cujo o destino ignora). O contra-regra era Evaldo Rui. As paredes do studio forradas de saco de aniagem, pois não existia celotex. Não insistiu. Preferiu estudar mais, interessado nas serestas e saraus.
Em 5.5.934, tocou violão na Rádio Educadora (Horas Luso-Brasileiras) e, na mesma noite, no Club Ginástico Português, acompanhando o guitarrista Antônio Rodrigues e os cantores Ramiro d'Oliveira e Esmeraldo Ferreira. Explica: frequentando a Casa Silva, de instrumentos, à Rua do Senado nº17, entusiasmara os guitarristas que ali iam, com certo jeito com que marcava os fados ao violão (produto, certamente, do pouco que sabia nesse instrumento).
As honras eram tantas que quase abandona o bandolin e se transforma num segundo Xavier Pinheiro.
Finalmente:Em 27.5.934, com o Conjunto "Jacob e sua Gente" (Carlos Gil, cavaquinho, Osmar Menezes, violão, falecido, Valério Farias "Roxinho", violão, Manoel Gil, pandeiro e Natalino Gil, ritmista), assim batizado por Eratóstenes Frazão, obteve o 1º lugar entre 28 conjuntos, no Programa Guanabara, em Concurso promovido pelo "O Radical" e dirigido por Frazão. O 6º lugar foi do cantor de foxes Haroldo Barbosa (ex-cavaquinista). Banca examinadora que lhe conferiu, unanimente, 10 pontos: Orestes Barbosa, Francisco Alves, Benedito Lacerda, Cristovão de Alencar, Eratóstenes Frazão, Alberto Manes, (diretor da Rádio Guanabara), Oscar Pamplona (de "O Dragão"), e sua filha Maria Pamplona (professora do Instituto Nacional de Música).
Com esse conjunto passou a colaborar, alternadamente, com o de "Benedito Lacerda e Gente do Morro", nos acompanhamentos dos principiantes e, depois, a Manesinho Araujo, Silvio Vieira, Henricão e Sarita, Cléo Silva, Dupla Preto e Branco (Herivelto e Francisco Sena), Noel Rosa (que orgulho!), J. Cascata, Renato Muros, Zaira de Oliveira, Afonsinho (cantor e futebolista), Murilo Caldas, Jaime Brito, Ciro de Souza, Mário Moraes, Fausto Paranhos, Leonel de Azevedo, Dunga, Joel e Gaúcho, Sílvio Pinto, Luiz Barbosa, Djalma Ferreira, Augusto Calheiros etc. (referências para fixar épocas e ambientes).
Tocou nas rádios, Educadora (nas 3 sedes: Rua 1º de Março, Senador Dantas e Marquês de Valença), Mayrink, Club, Cajuti, Ipanema, Mauá e Nacional (1955/58). Toca de ouvido e, desde 1949, também por música, que aprendeu sozinho.
Toca todos os instrumentos afiados em quintas justas e vibrados por palheta. Precariamente, cavaquinho e violão. Criou (ou adaptou) a violinha, o vibraplex, tuba de cordas, barítono de cordas e bandolim-brilhante (em estudo).
Produtor do programa "Noite dos Choristas", na TV Record, em 1955 e 1956, quando, num só conjunto, reuniu cêrca de 130 instrumentistas principiantes, que mal sabiam afinar seus instrumentos, conseguindo um resultado digno dos aplausos dos maestros Pixinguinha e Gerra-Peixe.
Musicófilo e colecionador de músicas populares brasileiras, principalmente instrumentais.
Troféus e Títulos:
1954 - "O melhor solista" (Guarani) - 1º Festival Brasileiro do Disco (Diário Associados - SP)1961 - "Melhor Solista Popular" (Euterpe) - Prêmio Cidade São Sebastião do Rio de Janeiro
1964 - "Melhor LP de Música Brasileira" (Guarani) - 3º Festival do Disco - SP
1964 - "Melhor LP de Música Brasileira" - Associação Brasileira de Críticos de Discos
1966 - Membro do Júri do Concurso "Um Cantor por 10 milhões e 10 milhões por uma canção"
1967 - Membro do Júri do 1º Festival Estudantil de Música Popular
1967 - Membro da Comissão de Seleção de Música para o Carnaval de 1968.
- Membro nato do Conselho de Música Popular Brasileira do Museu de Imagem e do Som.
fonte: http://www.kuarup.com.br
Apresentação do CD Sempre Jacob
Divulgar textos, histórias e personagens do Samba e Choro. Absorver e repassar experiencias, produções e causos vivenciados/relacionados com os dois generos. Divulgar o espaço Feitoria Cimples Ócio em Curitiba e outras plagas.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Arte no samba - Yara Teixeira - Curitiba
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Dicionario
Arrumando minhas tradicionais bagunças de papel, livros, etc. Acabei não resistindo e dando uma olhadela num "dicionario escolar ingles-português português-ingles" do ministerio de Educação e cultura, 1957 - direitos autorais exclusivos da Fename - Ministerio da Educação e Cultura - Rio de Janeiro - GB - Brasil - 6.a edição - Oswaldo Serpa - 700.000 exemplares - agosto, 1969 - Presidente da Republica Costa e Silva (mare chal) e Minstro da Educação e Cultura, Deputado Tarso Dutra.
- jongo, masc - a negro dance
- maxixe, masc - a gherkin; a Brasilian dance.
- candongueiro, masc - contrabandist; flatterer; intriguer.
- samba, masc - a lively dance of African origin.
- jongo, masc - a negro dance
- maxixe, masc - a gherkin; a Brasilian dance.
- candongueiro, masc - contrabandist; flatterer; intriguer.
- samba, masc - a lively dance of African origin.
Paulinho em Floripa e oficinas de choro dia 07 e 08 nov
Este convite me chegou por email. é da Gabi, pandeirista de Floripa e batalhadora da boa musica brasileira. Segue:
OFICINAS DE CHORO NO BAIACU DE ALGUÉM
Olá, amigos e amigas!
Gostaria de divulgar a vocês e pedir que espalhem aos interessados as oficinas de choro que acontecerão lá na Associação Cultural Baiacu de Alguém, em Santo Antônio de Lisboa, um espaço muito legal onde já estão acontecendo inclusive várias oficinas artísticas oferecidas à comunidade (http://www.baiacudealguem.com.br/).
Aproveitando a vinda de Paulinho da Viola com toda sua banda para Florianópolis (show dia 7 de novembro), consegui marcar uma oficina de choro com dois músicos muito especiais: o Mário Sève (sopros) e o Celsinho Silva (pandeiro). Eles ficarão na ilha um dia a mais para fazermos as oficinas, então é uma boa oportunidade para estar com eles e aprender um pouquinho mais... além de músicos excelentes são pessoas maravilhosas e com muita história pra contar.
O valor das oficinas é bem acesível, R$ 30,00 para fazer uma e R$ 50,00 para as duas, que serão em horários diferentes. Acontecerão no sábado – dia 8 – à tarde, e à noite vai ter festa com os grupos Molho Madêra e Gafieira Light.
OFICINA DE PRÁTICA DE CONJUNTO DE CHORO COM MÁRIO SÈVE
Saxofonista, flautista, compositor e arranjador. Integrante dos quintetos NÓ EM PINGO D'ÁGUA e AQUARELA CARIOCA e da banda de PAULINHO DA VIOLA. Lançou em 2007 seu primeiro cd exclusivamente autoral - CASA DE TODO MUNDO (Núcleo Contemporâneo. Gravou com Marcelo Fagerlande, Daniela Spielmann, David Ganc, Paulinho da Viola, entre muitos outros. É autor do livro VOCABULÁRIO DO CHORO (Ed. Lumiar), realizando workshops e oficinas pelo Brasil. Está lançando CHOROS 100 (Biscoito Fino) – cd e livro - com clássicos do choro e os 3 volumes do SONGBOOK DO CHORO (Ed. Lumiar).
Para esta oficina é preciso ter domínio de um instrumento (melódico, harmônico ou de percussão). Mário Sève irá propor arranjos de clássicos do choro como também de composições menos conhecidas e composições próprias,
já que é um compositor de mão cheia.
OFICINA DE PANDEIRO COM CELSINHO SILVA
Pandeirista, compositor e produtor, integra os quintetos Nó em Pingo Dágua, Cinco no Choro e a banda de Paulinho da Viola desde 1980, com o qual já gravou 9 cds, sempre participando dos shows e gravações. Filho de Jorginho do Pandeiro e sobrinho de Dino 7 Cordas (Época de Ouro), Celsinho Silva vem de uma família de grande importância para a música brasileira. Atua como professor de pandeiro na Escola Portátil de Música (RJ) desde a sua fundação em 2000 e realiza oficinas de pandeiro e choro pelo Brasil e exterior.
* OFICINAS DE CHORO
* ASSOCIAÇÃO CULTURAL BAIACU DE ALGUÉM
Rua Padre Lourenço R. de Andrade, 650
Santo Antônio de Lisboa – Florianópolis
* DIA 8 DE NOVEMBRO (SÁBADO)
* PANDEIRO (CELSINHO SILVA) – 13:30h às 16:30h
* PRÁTICA DE CONJUNTO (MÁRIO SÈVE) – 16:30h – 19:30h
* R$ 30,00 (UMA) R$ 50,00 (AS DUAS)
Quem quiser participar pode me procurar por email ou telefone.
Gabriela Flor – gabrielapandeiro@gmail.com (48) 8405 4128
OFICINAS DE CHORO NO BAIACU DE ALGUÉM
Olá, amigos e amigas!
Gostaria de divulgar a vocês e pedir que espalhem aos interessados as oficinas de choro que acontecerão lá na Associação Cultural Baiacu de Alguém, em Santo Antônio de Lisboa, um espaço muito legal onde já estão acontecendo inclusive várias oficinas artísticas oferecidas à comunidade (http://www.baiacudealguem.com.br/).
Aproveitando a vinda de Paulinho da Viola com toda sua banda para Florianópolis (show dia 7 de novembro), consegui marcar uma oficina de choro com dois músicos muito especiais: o Mário Sève (sopros) e o Celsinho Silva (pandeiro). Eles ficarão na ilha um dia a mais para fazermos as oficinas, então é uma boa oportunidade para estar com eles e aprender um pouquinho mais... além de músicos excelentes são pessoas maravilhosas e com muita história pra contar.
O valor das oficinas é bem acesível, R$ 30,00 para fazer uma e R$ 50,00 para as duas, que serão em horários diferentes. Acontecerão no sábado – dia 8 – à tarde, e à noite vai ter festa com os grupos Molho Madêra e Gafieira Light.
OFICINA DE PRÁTICA DE CONJUNTO DE CHORO COM MÁRIO SÈVE
Saxofonista, flautista, compositor e arranjador. Integrante dos quintetos NÓ EM PINGO D'ÁGUA e AQUARELA CARIOCA e da banda de PAULINHO DA VIOLA. Lançou em 2007 seu primeiro cd exclusivamente autoral - CASA DE TODO MUNDO (Núcleo Contemporâneo. Gravou com Marcelo Fagerlande, Daniela Spielmann, David Ganc, Paulinho da Viola, entre muitos outros. É autor do livro VOCABULÁRIO DO CHORO (Ed. Lumiar), realizando workshops e oficinas pelo Brasil. Está lançando CHOROS 100 (Biscoito Fino) – cd e livro - com clássicos do choro e os 3 volumes do SONGBOOK DO CHORO (Ed. Lumiar).
Para esta oficina é preciso ter domínio de um instrumento (melódico, harmônico ou de percussão). Mário Sève irá propor arranjos de clássicos do choro como também de composições menos conhecidas e composições próprias,
já que é um compositor de mão cheia.
OFICINA DE PANDEIRO COM CELSINHO SILVA
Pandeirista, compositor e produtor, integra os quintetos Nó em Pingo Dágua, Cinco no Choro e a banda de Paulinho da Viola desde 1980, com o qual já gravou 9 cds, sempre participando dos shows e gravações. Filho de Jorginho do Pandeiro e sobrinho de Dino 7 Cordas (Época de Ouro), Celsinho Silva vem de uma família de grande importância para a música brasileira. Atua como professor de pandeiro na Escola Portátil de Música (RJ) desde a sua fundação em 2000 e realiza oficinas de pandeiro e choro pelo Brasil e exterior.
* OFICINAS DE CHORO
* ASSOCIAÇÃO CULTURAL BAIACU DE ALGUÉM
Rua Padre Lourenço R. de Andrade, 650
Santo Antônio de Lisboa – Florianópolis
* DIA 8 DE NOVEMBRO (SÁBADO)
* PANDEIRO (CELSINHO SILVA) – 13:30h às 16:30h
* PRÁTICA DE CONJUNTO (MÁRIO SÈVE) – 16:30h – 19:30h
* R$ 30,00 (UMA) R$ 50,00 (AS DUAS)
Quem quiser participar pode me procurar por email ou telefone.
Gabriela Flor – gabrielapandeiro@gmail.com (48) 8405 4128
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Ze da Velha e Silverio no Cimples Ócio
Silverio Pontes, Marcus e Ze da Velha
no final da noite apareceram Hamilton de Holanda e Rogerio Caetano - emprestaram 02 cavacos e juntaram-se a Alessandro Cardoso e deu samba com 03 cavaquinhos. Rogerio soltou a voz. E o samba rolou ate 3:30 na cozinha do Cimples Ócio.
A dupla e o regional completoMarcus era um frequentador. Hoje virou parceiro e amigo do Cimples Ocio. Fez um texto que humildemente pediu para ser analisado. Nem precisaria -só pelo carinho gostando ou não seria postado da mesma forma. Não é especifico para samba e choro, pois dicorre sobre o espaço e não tive coragem de esquarteja-lo para postar nos blogs de culinaria e/ou espaço. Obrigado pelo carinho Marcus Cabeleira. Segue o texto dele:
Cimples Ócio – Silvério Pontes e Zé da Velha - 15 de outubro de 2008
A culinária
A cozinha no Cimples é tão fundamental quanto a boa música. Um elemento importante para o trabalho de resgate das “culturas populares” que Anildo faz já há tempos. E como sempre, a comida estava fantástica, com o toque divinal do triunvirato Elza, Juliana e Neuza (ainda dodoizinha), esta última se superando para colaborar com a festa.
A culinária
A cozinha no Cimples é tão fundamental quanto a boa música. Um elemento importante para o trabalho de resgate das “culturas populares” que Anildo faz já há tempos. E como sempre, a comida estava fantástica, com o toque divinal do triunvirato Elza, Juliana e Neuza (ainda dodoizinha), esta última se superando para colaborar com a festa.
Sem falar nos ajudantes e ajudantas, mas essa parte fica para o dono.
Vaca atolada, calabresa, bolinho de arroz, pratos brasileiros de todos os dias, que exatamente por serem “cimples” acabam por serem sofisticadíssimos na atual era dos fast food’s.
O público
Não tinha “consumidores” de música, o público habitual dos bares hoje em dia, que não conseguem cantar o “Trem das Onze” inteiro, não porque não sabem a letra, mas porque soa em seus ouvidos com o mesmo efeito produzido por uma buzina de carro. Pessoas novas apareceram, apreenderam o espírito do ambiente, do espaço, que também reflete as concepções que o dono tem da vida, da cultura e da boa música. Sabem que não é mais um “barzinho” pra tomar um “choppinho” e ouvir uma “MPB” — seja lá o que isso signifique. O espaço, a música e tudo mais que se vê e se sente no Cimples, não são coisas passíveis de consumo, é pra sentir e refletir, e esse era o público que estava lá ontem. Fundamental também ver os rostos já conhecidos, dedicados e assíduos na arte da Feitoria.
A música
Primeiro, um quarteto de arrepiar, já conhecido entre os apreciadores do bom “samba e choro” curitibano. Julião, Vinícius, Zezinho e Gabriel tocavam como se esculpissem em marfim; tudo precisão e delicadeza com seus instrumentos – nossos ouvidos e nossa alma são inteiramente gratos.
Depois, dois ícones para a história musical brasileira, dois bambas no sentido clássico, de “sábios”, “magos”, “mestres do samba”, já inscritos no panteão dos grandes de nossa música.
O público
Não tinha “consumidores” de música, o público habitual dos bares hoje em dia, que não conseguem cantar o “Trem das Onze” inteiro, não porque não sabem a letra, mas porque soa em seus ouvidos com o mesmo efeito produzido por uma buzina de carro. Pessoas novas apareceram, apreenderam o espírito do ambiente, do espaço, que também reflete as concepções que o dono tem da vida, da cultura e da boa música. Sabem que não é mais um “barzinho” pra tomar um “choppinho” e ouvir uma “MPB” — seja lá o que isso signifique. O espaço, a música e tudo mais que se vê e se sente no Cimples, não são coisas passíveis de consumo, é pra sentir e refletir, e esse era o público que estava lá ontem. Fundamental também ver os rostos já conhecidos, dedicados e assíduos na arte da Feitoria.
A música
Primeiro, um quarteto de arrepiar, já conhecido entre os apreciadores do bom “samba e choro” curitibano. Julião, Vinícius, Zezinho e Gabriel tocavam como se esculpissem em marfim; tudo precisão e delicadeza com seus instrumentos – nossos ouvidos e nossa alma são inteiramente gratos.
Depois, dois ícones para a história musical brasileira, dois bambas no sentido clássico, de “sábios”, “magos”, “mestres do samba”, já inscritos no panteão dos grandes de nossa música.
Emoção contínua do começo ao fim de cada música, o que se viu pelo brilho beirando as lágrimas nos olhos de vários que desfrutaram de tudo que eles tão bondosamente nos ofereceram.
Silvério e Zé da Velha nos mostram (no meu caso, que não tinha visto o show deles ao vivo ainda) que as manifestações culturais que são efetivamente relevantes para a resistência e reprodução da cultura brasileira ocorrem na “cimplicidade” de espaços e tempos distantes dos megaespetáculos, das grandes produções, do mainstream da indústria cultural negativamente midiatizada, tudo isso enfiado goela abaixo, ao contrário dos que acham que consomem o que querem. Esse é um lado.
O outro lado foi pura emoção mesmo, pela intensidade da música, pela cumplicidade e pelo diálogo o que os dois estabelecem através de seus instrumentos e que seus instrumentos estabelecem através deles. São momentos daqueles que choramos depois porque acabou. É como se um ápice de êxtase se tornasse constante em nossos ouvidos, levando a uma alegria plena. Contagiaram todos e todas mesmo, eles e vosso magnífico conjunto.
O outro lado foi pura emoção mesmo, pela intensidade da música, pela cumplicidade e pelo diálogo o que os dois estabelecem através de seus instrumentos e que seus instrumentos estabelecem através deles. São momentos daqueles que choramos depois porque acabou. É como se um ápice de êxtase se tornasse constante em nossos ouvidos, levando a uma alegria plena. Contagiaram todos e todas mesmo, eles e vosso magnífico conjunto.
Papai e mamãe que há 10 anos não botavam o nariz pra fora de casa para um programa lúdico-musical, estão loucos para retornar.
Parabéns Anildo.
Marcus Pedroso de Souza (Cabeleira), sociólogo, fã do Anildo, apreciador e entusiasta do samba como síntese orgânica e histórica da cultura brasileira
Parabéns Anildo.
Marcus Pedroso de Souza (Cabeleira), sociólogo, fã do Anildo, apreciador e entusiasta do samba como síntese orgânica e histórica da cultura brasileira
maxixes e carnaval anos 10
1914
Grande escandalo nacional: a esposa do presidente da republica, Nair de Teffé, num baile do Catete, toca ao violão o maxixe Corta jaca, de Chiquinha Gonzaga:
“ Ai!Ai! que bom cortar a jaca
Ai! Sim! Meu bem, ataca
Sem descansar.”
- João Foca e Bastos Tigre assim descrevem o maxixe :
”dança proibida pela policia e pelo cardeal”.
“O cavalheiro segura /
A cavalheira com jeito /
Pouco abaixo da cintura /
E vai chamando ela ao peito /
Ela, a cara, toda terna /
Gruda na cara do meço /
E depois, perna com perna /
Caem os dois no perereco.”
- o grande triunfo do caranaval é – pela primeira vez – o modinheiro Catulo da Paixão Cearense. Junto com João Pernambuco, Catulo alcança tal êxito, durante todo o ano de 1913,
que no carnaval não dá outra: de norte a sul, o povo exclama:
“Caboca de caxanga,
Minha caboca, vem cá.”
Fonte:
Darcy Ribeiro
livro "Aos Trancos e Barrancos - Como o Brasil deu no que deu"
– 2.a edição 1985
Grande escandalo nacional: a esposa do presidente da republica, Nair de Teffé, num baile do Catete, toca ao violão o maxixe Corta jaca, de Chiquinha Gonzaga:
“ Ai!Ai! que bom cortar a jaca
Ai! Sim! Meu bem, ataca
Sem descansar.”
- João Foca e Bastos Tigre assim descrevem o maxixe :
”dança proibida pela policia e pelo cardeal”.
“O cavalheiro segura /
A cavalheira com jeito /
Pouco abaixo da cintura /
E vai chamando ela ao peito /
Ela, a cara, toda terna /
Gruda na cara do meço /
E depois, perna com perna /
Caem os dois no perereco.”
- o grande triunfo do caranaval é – pela primeira vez – o modinheiro Catulo da Paixão Cearense. Junto com João Pernambuco, Catulo alcança tal êxito, durante todo o ano de 1913,
que no carnaval não dá outra: de norte a sul, o povo exclama:
“Caboca de caxanga,
Minha caboca, vem cá.”
Fonte:
Darcy Ribeiro
livro "Aos Trancos e Barrancos - Como o Brasil deu no que deu"
– 2.a edição 1985
domingo, 5 de outubro de 2008
Cimples Ócio - Acervo samba - Curitiba - Paulinho da Viola 10 anos - vinil
A partir de hoje bem lentamente (me bati muito, perdendo tempo demais para postar este) inicio o escaneamento do meus vinis. Espero que mais tarde sirva como fonte de pesquisa para alguns. Como há muitos blogs para baixar os sambas, vou focar nas informações que estes discos traziam, hoje fonte de bons textos para embasamento historico do samba.
A escolha recaiu sobre este disco pelo texto do Sergio Cabral na contracapa que cita um encontro do Paulinho em 1962 com um pessoal da bossa nova - então fica minha homenagem aos 50 anos, comemorados por estes dias (sic). No fundo, de verdade, minha homenagem ao talento do homem e musico Paulinho, que está anos luz na frente de um monte de dois tons da bossa nova que fizeram sucesso. E também pela proximidade do Sergio Cabral com Paulinho.
contracapa
capa
A escolha recaiu sobre este disco pelo texto do Sergio Cabral na contracapa que cita um encontro do Paulinho em 1962 com um pessoal da bossa nova - então fica minha homenagem aos 50 anos, comemorados por estes dias (sic). No fundo, de verdade, minha homenagem ao talento do homem e musico Paulinho, que está anos luz na frente de um monte de dois tons da bossa nova que fizeram sucesso. E também pela proximidade do Sergio Cabral com Paulinho.
contracapa
capana contracapa embaixo da foto tem um texto do Sergio Cabral e reproduzo abaixo, em função das letras serem pequenas e voces teriam dificuldades para visualizar, vamos lá:
Na primeira vez que vi Paulinho da Viola, fiquei sabendo de uma das suas marcas registradas: a timidez. Foi mais ou menos em 1962, na casa do poeta Herminio Belo de Carvalho, durante uma reunião de músicos e compositores. Herminio pediu a Paulinho para tocar qualquer coisa, mas ele se recusou afirmando que seu violão era "quadrado" ( a maioria dos presentes era francamente da bossa-nova).
Nosso contato seguinte aconteceu em 1963 quando preparamos o lançamento do imortal Zicartola - a casa de samba e restaurante do maravilhoso casal mangueirense Cartola e Zica. Cartola mandava brasa no samba e Zica na cozinha.
Com Hermninio e Zé Kéti, a gente ia ao banco onde onde Paulinho trabalhava para leva-lo ao Zicartola, onde viria acompanhar no violão os grandes sanbistas que se apresentavam na casa.
Paulinho da Viola ainda não era Paulinho da Viola. Era Paulo Cesar. Zé Kéti é que sugeriu a mudança de nome. "Paulo Cesar não é nome de sambista". disse ele. Concordei e sugeri um pseudônimo que tivesse a palavra viola, pois um dos apelidos mais encantadores que conheço na música popular é o do Mano Décio da Viola. "Paulo da Viola", disse Zé Kéti. "Pauliho da Viola", completei.
O batizado foi feito no próprio Zicartola e, se não me engano, foi Zé Kéti que comunicou a Paulo Cesar, que ele seria dali em diante, Paulinho da Viola, que aliás, continuava tímido. Já tinha uns sambas mas era uma dificuldade incrivel fazer o compositor cantá-los. Dez vez em quando, aventurava-se a bancar o cantor (um dos seus sambas falava de de "sapato" e "retrato". Era muito interessante mas nem o proprio Paulinho se lembra mais).
Ficamos amigos. Estivemos juntos no Festival de Arte Negra, realizado em 1966 no Senegal, trabalhamos na antiga casa Grande e em muitos shows, entre os quais um chamado "Sarau", que relançou o choro no consumo e que me traz as mais alegres lembranças.
Posso dizer que se há uma carreira que conheço de perto, esta é a de Paulinho da Viola. Carreira que fca ainda mais próxima quando vejo o repertório desse disco, que começa com "Sem ela eu não vou", do seu primeiro LP (Paulinho escreveu na contracapa e datou: 7 de outubro de 1968) e vai até o choro "Beliscando", sambista e chorão que ele é. Infelizmente, o espaço de uma contracapa não dá para contar a história de cada música, mas não custa chamar a atenção para alguma delas. "Sinal fechado", por exemplo, ganhou o Festival de Musica Popular da Record. "Foi um rio que passou em minha vida" venceu a Feira de Musica da TV Tupi de São Paulo e foi uma espécie de hino da Portela em 1970. "Um certo dia para 21" foi o samba de terreiro que Paulinho lançou na Portela em 1971. "Coisas do mundo, minha nega", finalista da I Bienal do Samba e incluido tanto no primeiro quanto no último LP de Paulinho. Para este disco, o compositor preferiu aproveitar a gravação mais recente, talvez pelo acompanhamento mais leve e, portanto, mais adequado para a música.
Não é preciso escrever mais. Basta ouvir este LP que narra musicalmente os dez anos da carreira de Paulinho da Viola na Odeon. Só isso é o suficiente para qualquer um constatar que se trata de um dos mais veementes exemplos de talento, dignidade e carater da nossa música popular.
Sérgio Cabral
Sinal Fechado
Argumento
Dança da solidão
Nada de novo
Perdoa (participação especial Elton Medeiros)
Coisas do mundo, minha nega
Sem ela eu não vou
Foi um rio que passou em minha vida
Para ver as meninas
Comprimido
No pagode do Vavá
Dona Santina e s eu Antenor
Um certo dia 21
Beliscando
Todas as músicas são de autoria de Paulinho da Viola
Capa Elifas Andreato Fotos: Lena Trindade
sábado, 4 de outubro de 2008
Indicação / informações e audio "Berço do Samba"
Sitio que dá para espremer algumas coisas. Tem audio e boas informações. Esteve fora do ar um bom tempo.
:: Berço do Samba ::O melhor do samba no Brasil!
http://www.bercodosamba.com.br/
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Semeadura e companhias "diga-me com quem andas ..."
Esta postagem é uma homenagem ao Elifas Andreatto, que fomentou umas das minhas paixões - as criações das capas dos vinis do Paulinho da Viola. Fez parte da criação de um dos melhores trabalhos sobre samba, a serie na Abril Cultural Historia da Musica Popular Brasileira. O texto não é de samba, mas vale a homenagem e é bem bonito.
Elifas, escrevendo sobre seu trabalho e vida, na contracapa de sua revista BRASIL - Almanaque de Cultura Popular
Novos velhos amigos
e uma árvore mãe
Ter nascido paranaense em 1946 talvez tenha a ver com minha preferência por anos pares. Nem todos os ímpares foram ruins. Só posso reclamar de um: 1975, ano em que assassinaram o jornalista e amigo Vladimir Herzog.
Mas os pares, sem dúvida, foram mais felizes.
Bento nasceu em 1976; Laura, em 1978. Foram o que de melhor aconteceu em minha vida. Em outro longínquo ano par reencontrei Cleide, minha companheira. Por falta de espaço, lembro apenas de mais um: 1970, quando fiz o projeto gráfico da revista Placar e fundei com ilustres companheiros, na Abril Cultural, a série de fascículos História da Música Popular Brasileira.
Este ano começou muito bem, com homenagens em calendários e agendas da Posigraf, seção especial com meus retratos de músicos na revista Gráfica - uma das mais conceituadas publicações do gênero -, um novo livro que sairá no fim do ano, e a abertura da minissérie Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral, companheira de geração e de batalha contra as aflições impostas pelo regime militar.
Agora, vejo consagrado o prestígio deste ALMANAQuE, que junta-se aos parceiros paranaenses que estiveram conosco no passado e a outros igualmente solidários que voltam a apoiar o projeto, numa demonstração clara do apreço e respeito que têm pela publicação. Eles são cúmplices em nossa missão: o resgate e a difusão da memória brasileira e a propagação das boas histórias do País.
Na juventude, quando me via em más companhias, minha sábia mãe lembrava o dito repetido por meu avôl: "Diga-me com quem andas e eu te direi quem és” . Há pouco tempo, contei a dona Alzira que estava andando com ótimas companhias. Ela então suspirou aliviada, perguntou pelos nomes e me benzeu, como sempre fez nas ocasiões em que me viu contente.
Quando nos despedimos, ao abraçar-me, ela falou baixinho em meu ouvido: "Semente bem plantada, meu filho. Sempre dá bons frutos. Colha orgulhoso os frutos de sua semeadura". Já distante, quando me virei para um ultimo aceno, revi minha mãe, e ela pareceu uma pequena árvore com galhos balançando ao soprar do vento.
Elifas Andreatto
“Não há melhor espelho que um velho amigo”
Santo Agostinho
fonte: revista Brasil - Almanaque de Cultura Popular - ano 10 -nr: 111 - julho 2008
http://www.almanaquebrasil.com.br/
Elifas, escrevendo sobre seu trabalho e vida, na contracapa de sua revista BRASIL - Almanaque de Cultura Popular
Novos velhos amigos
e uma árvore mãe
Ter nascido paranaense em 1946 talvez tenha a ver com minha preferência por anos pares. Nem todos os ímpares foram ruins. Só posso reclamar de um: 1975, ano em que assassinaram o jornalista e amigo Vladimir Herzog.
Mas os pares, sem dúvida, foram mais felizes.
Bento nasceu em 1976; Laura, em 1978. Foram o que de melhor aconteceu em minha vida. Em outro longínquo ano par reencontrei Cleide, minha companheira. Por falta de espaço, lembro apenas de mais um: 1970, quando fiz o projeto gráfico da revista Placar e fundei com ilustres companheiros, na Abril Cultural, a série de fascículos História da Música Popular Brasileira.
Este ano começou muito bem, com homenagens em calendários e agendas da Posigraf, seção especial com meus retratos de músicos na revista Gráfica - uma das mais conceituadas publicações do gênero -, um novo livro que sairá no fim do ano, e a abertura da minissérie Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral, companheira de geração e de batalha contra as aflições impostas pelo regime militar.
Agora, vejo consagrado o prestígio deste ALMANAQuE, que junta-se aos parceiros paranaenses que estiveram conosco no passado e a outros igualmente solidários que voltam a apoiar o projeto, numa demonstração clara do apreço e respeito que têm pela publicação. Eles são cúmplices em nossa missão: o resgate e a difusão da memória brasileira e a propagação das boas histórias do País.
Na juventude, quando me via em más companhias, minha sábia mãe lembrava o dito repetido por meu avôl: "Diga-me com quem andas e eu te direi quem és” . Há pouco tempo, contei a dona Alzira que estava andando com ótimas companhias. Ela então suspirou aliviada, perguntou pelos nomes e me benzeu, como sempre fez nas ocasiões em que me viu contente.
Quando nos despedimos, ao abraçar-me, ela falou baixinho em meu ouvido: "Semente bem plantada, meu filho. Sempre dá bons frutos. Colha orgulhoso os frutos de sua semeadura". Já distante, quando me virei para um ultimo aceno, revi minha mãe, e ela pareceu uma pequena árvore com galhos balançando ao soprar do vento.
Elifas Andreatto
“Não há melhor espelho que um velho amigo”
Santo Agostinho
fonte: revista Brasil - Almanaque de Cultura Popular - ano 10 -nr: 111 - julho 2008
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
Rio, midia, carnaval e discos / 1902
Segue algumas informações de um dos livros do Darcy Ribeiro. Escolhi dois topicos de 1902, para voces pensarem sobre o termo pagode, mercantilização/popularização da música e racismo/preconceito no Brasil:
- Tragedia no carnaval: dois blocos carnavalescos rivais se defrontaram na Praia de Botafogo. Pancadaria grossa e dois mortos. Nos velórios - a imprensa horrorizada registra - muita bebedeira e muita pagodeira. Os foliões são enterrados ao som de uma marcha de Candinho, singela na letra mas alegrissima no ritmo:
"Que bela rosa
Que lindo jasmim
Eu vi o triunfo
Lá no meu jardim"
- Fred Figner começa a gravar discos com um repertorio de modinhas e lundus. Nos anos seguintes, gravaria e venderia milhões de discos de canções, hinos, poemas e discursos eloquëntissimos. O primeiro disco foi o lundu Isto É Bom, escrito pelo mulato Xisto Bahia e cantado pelo célebre Bahiano, mulato igualmente:
"O inverno é rigoroso
já dizia minha avó
Quem dorme junto tem frio
Quanto mais quem dorme só
Isto é bom, isto é bom
Isto é bom que dói ... "
fonte:
Livro - Aos trancos e barrancos - como o Brasil deu no que deu
Darcy Ribeiro - 2.a edição, 1985 - Editorra Guanabara
Materia sobre Blogs de samba por Andre Carvalho
Roubei mais uma materia do excelente Andre, no seu blog Couro do cabrito, aproveitem:
Blogs de Samba
Para escrever sobre blogs de samba eu preciso, antes, contar como nasceram os meus blogs de samba. Desde a época em que fiz um trabalho de conclusão de curso sobre samba de terreiro na faculdade, eu passei a pesquisar com afinco este ritmo quente. Passei, então, a publicar algumas coisas no Idéias de Improviso, que como o próprio nome diz, reúne textos diversos. Depois de algum tempo pensei que precisava fazer um blog exclusivo de samba.Surgiu este Couro do Cabrito. Aqui, coloco textos, sambas para ouvir, informações sobre discos, documentos históricos, vídeos e muito mais. Com o tempo, foi ganhando vida e, hoje, fico muito feliz quando comentam e elogiam seu conteúdo.
Pois bem, eu já tinha o Couro, mas queria postar discos de samba completos para o povo baixar. Eis que surgiu, então, o Prato e Faca. Passei a assinar Alvarenga do Morro do Chapelão neste novo blog e comecei a postar as brasas. Hoje o blog já conta com 120 álbuns. E sou bem chato no que diz respeito ao repertório: nada de Cacique de Ramos e derivados, nada de samba comercial e nada que, particularmente, eu não goste.Algum tempo depois, criei mais um blog, o Coisa da Antiga. Este aí é a menina dos meus olhos, apesar da freqüência de postagens não ser tão ágil. Explico por que gosto tanto dele: lá, eu disponibilizo fonogramas antigos, da época dos 78 rpm. Faço compilações de compositores desconhecidos e consagrados. Vibro quando vejo que uma porrada de gente já baixou os sambas do Caxiné, do Príncipe Pretinho, do Djalma Mafra...
Antes de criar estes blogs, entretanto, já fuçava na internet atrás de blogs de samba onde eu pudesse baixar bons discos. Primeiro conheci o Cápsula da Cultura, depois veio o Um Que Tenha e, mais tarde, o Loronix. São blogs com ótimos acervos: o Cápsula da Cultura disponibiliza discos de música popular brasileira difíceis de encontrar, assim como o Loronix, que só tem velharia. O Um Que Tenha põe até lançamento e por conta disso, tiveram um problema recentemente com a gravadora Biscoito Fino, que pediu para que eles tirassem do blog seus álbuns. O Fulano Sicrano, que assina o blog, atendeu prontamente.Além desses citados blogs que disponibilizam brasas, ainda temos o Toque Musical, o Abracadabra e outros baús de tesouros perdidos pela rede.Blogs com muita informação sobre sambaÉ importante ressaltar que, além desses blogs que disponibilizam discos, também existem blogs de samba com muita informação e histórias do samba. Desses todos, o que eu mais gosto é o Terreiro Grande, tocado pelo Renato Martins e pelo Ricardo Brigante. Lá podemos escutar várias raridades, ler muita coisa interessante e aprender cada vez mais sobre os antigos compositores do nosso samba.
No mesmo estilo deste blog, recentemente surgiu o Samba de Terreiro de Mauá, com informações sobre antigos bambas e algumas músicas para baixar. Preciso ainda citar os ótimos Em Nome do Samba, o Só Candeia, além do Vermute com Amendoim, que possui uma boa equipe de estudantes de jornalismo/ amantes do samba que atualizam o blog constantemente.A dica é explorar todos estes blogs e, a partir deles, conhecer novos sítios.
Com certeza tem muito mais coisa que não citei aqui. Segue a lista dos links:
Prato e Faca
Coisa da Antiga
Terreiro Grande
Cápsula da Cultura
Um Que Tenha
Loronix
Toque Musical
Abracadabra
Samba de Terreiro de Mauá
Vemute com Amendoim
Em Nome do Samba
Só Candeia
Postado por André Carvalho
fonte: Blog Couro do Cabrito
Blogs de Samba
Para escrever sobre blogs de samba eu preciso, antes, contar como nasceram os meus blogs de samba. Desde a época em que fiz um trabalho de conclusão de curso sobre samba de terreiro na faculdade, eu passei a pesquisar com afinco este ritmo quente. Passei, então, a publicar algumas coisas no Idéias de Improviso, que como o próprio nome diz, reúne textos diversos. Depois de algum tempo pensei que precisava fazer um blog exclusivo de samba.Surgiu este Couro do Cabrito. Aqui, coloco textos, sambas para ouvir, informações sobre discos, documentos históricos, vídeos e muito mais. Com o tempo, foi ganhando vida e, hoje, fico muito feliz quando comentam e elogiam seu conteúdo.
Pois bem, eu já tinha o Couro, mas queria postar discos de samba completos para o povo baixar. Eis que surgiu, então, o Prato e Faca. Passei a assinar Alvarenga do Morro do Chapelão neste novo blog e comecei a postar as brasas. Hoje o blog já conta com 120 álbuns. E sou bem chato no que diz respeito ao repertório: nada de Cacique de Ramos e derivados, nada de samba comercial e nada que, particularmente, eu não goste.Algum tempo depois, criei mais um blog, o Coisa da Antiga. Este aí é a menina dos meus olhos, apesar da freqüência de postagens não ser tão ágil. Explico por que gosto tanto dele: lá, eu disponibilizo fonogramas antigos, da época dos 78 rpm. Faço compilações de compositores desconhecidos e consagrados. Vibro quando vejo que uma porrada de gente já baixou os sambas do Caxiné, do Príncipe Pretinho, do Djalma Mafra...
Antes de criar estes blogs, entretanto, já fuçava na internet atrás de blogs de samba onde eu pudesse baixar bons discos. Primeiro conheci o Cápsula da Cultura, depois veio o Um Que Tenha e, mais tarde, o Loronix. São blogs com ótimos acervos: o Cápsula da Cultura disponibiliza discos de música popular brasileira difíceis de encontrar, assim como o Loronix, que só tem velharia. O Um Que Tenha põe até lançamento e por conta disso, tiveram um problema recentemente com a gravadora Biscoito Fino, que pediu para que eles tirassem do blog seus álbuns. O Fulano Sicrano, que assina o blog, atendeu prontamente.Além desses citados blogs que disponibilizam brasas, ainda temos o Toque Musical, o Abracadabra e outros baús de tesouros perdidos pela rede.Blogs com muita informação sobre sambaÉ importante ressaltar que, além desses blogs que disponibilizam discos, também existem blogs de samba com muita informação e histórias do samba. Desses todos, o que eu mais gosto é o Terreiro Grande, tocado pelo Renato Martins e pelo Ricardo Brigante. Lá podemos escutar várias raridades, ler muita coisa interessante e aprender cada vez mais sobre os antigos compositores do nosso samba.
No mesmo estilo deste blog, recentemente surgiu o Samba de Terreiro de Mauá, com informações sobre antigos bambas e algumas músicas para baixar. Preciso ainda citar os ótimos Em Nome do Samba, o Só Candeia, além do Vermute com Amendoim, que possui uma boa equipe de estudantes de jornalismo/ amantes do samba que atualizam o blog constantemente.A dica é explorar todos estes blogs e, a partir deles, conhecer novos sítios.
Com certeza tem muito mais coisa que não citei aqui. Segue a lista dos links:
Prato e Faca
Coisa da Antiga
Terreiro Grande
Cápsula da Cultura
Um Que Tenha
Loronix
Toque Musical
Abracadabra
Samba de Terreiro de Mauá
Vemute com Amendoim
Em Nome do Samba
Só Candeia
Postado por André Carvalho
fonte: Blog Couro do Cabrito
Blog Couro do Cabrito - indicação
- mais uma indicação para melhorarmos nossso uso da internet.
O Couro do Cabrito
Do couro do cabrito, do boi, do bode, do gato é que o bom mulato faz samba. Jacarandá, massaranduba, embaúba, pinho e aço, mas sem embaraço, vai logo pra debaixo do braço de algum tocador. Com algum tira-gosto, cerveja e cachaça, a graça no rosto de todos se espalha... Com a palha na cabeça, mas por favor, não se esqueça: o samba é de todos!
fonte: Andre Carvalho - Blog Couro do Cabrito
Andre Carvalho:
Quem é?
"Eu sou um apaixonado pelo samba. A relação que tenho com o samba é amor incondiconal, sou um batalhador pela valorização e resgate do samba autêntico. Ele faz tanto por mim, que me sinto na obrigação de retribuir toda essa gratidão a ele.Esse espaço é um espaço de resistência cultural. Resiste à massificação da cultura, resiste à pasteurização da cultura, resiste ao que é mediocremente imposto ao nosso povo. O samba, expressão mais pura e autêntica de nossa música popular ainda padece pela indiferença. Mas aqui não!!Sou autor (em parceria com o jornalista Iuri Ribeiro) do livro “Pagodeando – um mergulho no samba de terreiro”, ainda sem edição, além de ser o idealizador e articulador dos blogues de resistência cultural e difusão de samba bom Prato e Faca e Coisa da Antiga.Sou jornalista, sambista, compositor, e, além do Couro do Cabrito, também escrevo nos blogues Idéias de Improviso, Gorducha no Barbante e Conteúdo Coletivo."
E-mail para contato
carvalhoandre@gmail.com
O Couro do Cabrito
Do couro do cabrito, do boi, do bode, do gato é que o bom mulato faz samba. Jacarandá, massaranduba, embaúba, pinho e aço, mas sem embaraço, vai logo pra debaixo do braço de algum tocador. Com algum tira-gosto, cerveja e cachaça, a graça no rosto de todos se espalha... Com a palha na cabeça, mas por favor, não se esqueça: o samba é de todos!
fonte: Andre Carvalho - Blog Couro do Cabrito
Andre Carvalho:
Quem é?
"Eu sou um apaixonado pelo samba. A relação que tenho com o samba é amor incondiconal, sou um batalhador pela valorização e resgate do samba autêntico. Ele faz tanto por mim, que me sinto na obrigação de retribuir toda essa gratidão a ele.Esse espaço é um espaço de resistência cultural. Resiste à massificação da cultura, resiste à pasteurização da cultura, resiste ao que é mediocremente imposto ao nosso povo. O samba, expressão mais pura e autêntica de nossa música popular ainda padece pela indiferença. Mas aqui não!!Sou autor (em parceria com o jornalista Iuri Ribeiro) do livro “Pagodeando – um mergulho no samba de terreiro”, ainda sem edição, além de ser o idealizador e articulador dos blogues de resistência cultural e difusão de samba bom Prato e Faca e Coisa da Antiga.Sou jornalista, sambista, compositor, e, além do Couro do Cabrito, também escrevo nos blogues Idéias de Improviso, Gorducha no Barbante e Conteúdo Coletivo."
E-mail para contato
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Altamiro Carrilho - choro (parte 3)
Terceira parte do texto do Tarik e detalhes do show no Guairão aqui em Curitiba, dia 16 outubro 2008. Haroldo Costa, Ze da Velha, Silverio em Curitiba - bom, muito bom!!!
Sim, além de flautista, compositor, band leader, Altamiro foi produtor, responsável pela explosão fonográfica do palhaço Carequinha (que o encontra aos 90 anos, pouco antes de falecer, no comovente “Dois meninos”, do DVD), para quem compôs entre outros os mega sucessos “O bom menino” e “Parabéns, parabéns” (ambos com Irany de Oliveira), trilha dos aniversários infantis nacionais. Inquieto, sempre procurando novos desafios virtuosísticos, o autor do irônico “O disco enguiçou”, do miscigenado “Eterno jovem Bach”, do intrincado “Enigmático”, AC é o flautista do encorpado solo de “Meu caro amigo”, clássico de Chico Buarque (e Francis Hime), cuja gravação original, de 1976, recapitula em estúdio, num dos DVDs, ao lado do compositor. Mas também é o que dueta com Roberto Carlos no programa do Rei, na TV, numa versão turbinada de “O calhambeque”.
E ainda o que se multiplica num curioso quarteto de flautas, tocando “Primeiro amor”, de Patápio. E o que se reúne a outros ases em “Choro das estrelas” (Carolina Cardoso de Menezes, Abel Ferreira, Raul de Barros, Zé Menezes, Waldir Azevedo), em mais um tape pesquisado no arquivo da TV Globo. São imagens que adensam este projeto de recolocação de Altamiro Carrilho no pedestal que sempre mereceu.
A coroação da iniciativa começa no show do Guaíra, dia 16 de outubro, reunindo Hamilton de Holanda, Carlos Malta, Cristóvão Bastos, João Lyra, Orquestra Sinfônica do Paraná, Soraya Ravenle, Alfredo del Penho, Maurício Einhorn, Silvério Pontes e Zé da Velha, Trio Catuaba (PR), João Egashira (PR) e Juliao Boêmio (PR). Todos tocarão um choro clássico e um tema de Altamiro, com arranjos de Alessandro Cardozo e Charles da Costa, músicos do grupo Zé da Verlha e Silverio Pontes.
A apresentação será de Haroldo Costa, sob roteiro de João Carlos Carino. A direção é de Carino, o mesmo do concerto seminal de Niterói. É hora de saudar o mago de 112 discos (alguns na Rússia, Japão, Itália, México), do popular ao clássico (um deles até “em compasso de choro”), que gravou. Do espiral “Modulando”, de Rubens Leal Brito (“a modulação vai da primeira à ultima nota”) ao intenso “Galope” (“o maestro Alceu Bochino me disse que equivale à dificuldade do ‘Moto perpétuo’, de Paganini, no violino”) além do “Oriental”, de Patápio Silva (“fiz 12 ‘play-backs’ usando seis flautas diferentes”). Músico instintivo que aprendeu na prática, à medida em que procurava superar-se, Altamiro Carrilho conhece o caminho das pedras. “Alguns músicos sentem inveja porque eu não cursei a Escola Nacional de Música”, confidenciou-me numa conversa na Confeitaria Colombo, inserida num dos DVDs.
E arrematou, bem humorado, numa definição de seu trajeto luminoso de sumidade auto lapidada: “Diploma não toca”. (Tárik de Souza)
Sim, além de flautista, compositor, band leader, Altamiro foi produtor, responsável pela explosão fonográfica do palhaço Carequinha (que o encontra aos 90 anos, pouco antes de falecer, no comovente “Dois meninos”, do DVD), para quem compôs entre outros os mega sucessos “O bom menino” e “Parabéns, parabéns” (ambos com Irany de Oliveira), trilha dos aniversários infantis nacionais. Inquieto, sempre procurando novos desafios virtuosísticos, o autor do irônico “O disco enguiçou”, do miscigenado “Eterno jovem Bach”, do intrincado “Enigmático”, AC é o flautista do encorpado solo de “Meu caro amigo”, clássico de Chico Buarque (e Francis Hime), cuja gravação original, de 1976, recapitula em estúdio, num dos DVDs, ao lado do compositor. Mas também é o que dueta com Roberto Carlos no programa do Rei, na TV, numa versão turbinada de “O calhambeque”.
E ainda o que se multiplica num curioso quarteto de flautas, tocando “Primeiro amor”, de Patápio. E o que se reúne a outros ases em “Choro das estrelas” (Carolina Cardoso de Menezes, Abel Ferreira, Raul de Barros, Zé Menezes, Waldir Azevedo), em mais um tape pesquisado no arquivo da TV Globo. São imagens que adensam este projeto de recolocação de Altamiro Carrilho no pedestal que sempre mereceu.
A coroação da iniciativa começa no show do Guaíra, dia 16 de outubro, reunindo Hamilton de Holanda, Carlos Malta, Cristóvão Bastos, João Lyra, Orquestra Sinfônica do Paraná, Soraya Ravenle, Alfredo del Penho, Maurício Einhorn, Silvério Pontes e Zé da Velha, Trio Catuaba (PR), João Egashira (PR) e Juliao Boêmio (PR). Todos tocarão um choro clássico e um tema de Altamiro, com arranjos de Alessandro Cardozo e Charles da Costa, músicos do grupo Zé da Verlha e Silverio Pontes.
A apresentação será de Haroldo Costa, sob roteiro de João Carlos Carino. A direção é de Carino, o mesmo do concerto seminal de Niterói. É hora de saudar o mago de 112 discos (alguns na Rússia, Japão, Itália, México), do popular ao clássico (um deles até “em compasso de choro”), que gravou. Do espiral “Modulando”, de Rubens Leal Brito (“a modulação vai da primeira à ultima nota”) ao intenso “Galope” (“o maestro Alceu Bochino me disse que equivale à dificuldade do ‘Moto perpétuo’, de Paganini, no violino”) além do “Oriental”, de Patápio Silva (“fiz 12 ‘play-backs’ usando seis flautas diferentes”). Músico instintivo que aprendeu na prática, à medida em que procurava superar-se, Altamiro Carrilho conhece o caminho das pedras. “Alguns músicos sentem inveja porque eu não cursei a Escola Nacional de Música”, confidenciou-me numa conversa na Confeitaria Colombo, inserida num dos DVDs.
E arrematou, bem humorado, numa definição de seu trajeto luminoso de sumidade auto lapidada: “Diploma não toca”. (Tárik de Souza)
Altamiro Carrilho - choro (parte 2)
segue o texto do Tarik:
Tinha cinco anos quando um menino vizinho ganhou uma flauta de brinquedo e ele pediu “à Papai Noel” uma igual. Enquanto o outro não conseguia ir além de garranchos sonoros, Altamiro logo no primeiro dia descobriu as utilidades dos furinhos, trancou-se no quarto e saiu de lá tocando a primeira marchinha. Um carteiro o levou a um professor para as primeiras aulas, impressionado com seu desempenho numa limitada flautinha de bambu.
E Moreira da Silva, o rei do samba de breque deu-lhe a primeira oportunidade de gravar, em 1943, nos meneios do samba “Juraci”, então sucesso de Vassourinha.
Altamiro passou por vários regionais, fundou o próprio e, inspirado na Lira de Aryon, assídua do coreto da pracinha de Santo Antonio de Pádua, fundou a bandinha do Altamiro. Durante “dois anos e nove meses” (como ele contabilizou), em meados dos 50, ela antecedia o “Repórter Esso”, na TV-Tupi, aos sábados, com audiência máxima, a ponto de emplacar um milhão de cópias do maxixe “Rio antigo”, em 1954.
O próprio Altamiro era o autor, como o foi de vários temas que desfilam pelos CDs. Tanto no roteiro das “Interpretações históricas” (“Esquerdinho na gafieira”, “Deixe o breque pra mim”, “Samba de morro”, “Direitinho”, “Pinguinho de gente”) quanto nos registros do concerto de Niterói, onde recebe convidados como o pianista e arranjador Gilson Peranzzetta (“Despedida”), o violinista francês Nicolas Krassik e a cantora e instrumentista Nilze Carvalho (no samba canção pré-bossa “Meu sonho é você”, com Átila Nunes), além do mano Álvaro Carrilho, seu comparsa na flauta em “Urubu-rei”.
Outros convidados de várias latitudes com quem dialoga mesclam o piano de Maria Teresa Madeira (“Corta jaca”, de Chiquinha Gonzaga), o clarinete de Paulo Sérgio Santos (“Sonoroso”, de K-Ximbinho”, “Chorando baixinho”, de Abel Ferreira), o sax de Nailor Proveta e o piano de Cristóvão Bastos (“Ingênuo” e “Ainda me recordo”, ambos de Pixinguinha), o trombone de Zé da Velha e o trompete de Silvério Pontes (“Na glória”, de Raul de Barros, “Amor não se compra”, de Bonfiglio de Oliveira) e a gaita de Maurício Einhorn (“Pedacinhos de céu”, Waldir Azevedo). Detalhe: Einhorn teve seu clássico “Tristeza de nós dois”, com Durval Ferreira e Bebeto, e “Sambop”, só com Durval, lançados em 1960, num precioso disco produzido por Altamiro, “Nova geração em ritmo de samba”. O vinil também abria espaço para os talentos iniciantes de Eumir Deodato (“ele era muito garoto e eu o ensinei a fazer arranjo”, conta num dos depoimentos dos DVDs), Claudette Soares, Orlan Divo e do humorista Paulo Silvino, na época arriscando-se na bossa nova, que também teria Altamiro em suas fileiras.
Tinha cinco anos quando um menino vizinho ganhou uma flauta de brinquedo e ele pediu “à Papai Noel” uma igual. Enquanto o outro não conseguia ir além de garranchos sonoros, Altamiro logo no primeiro dia descobriu as utilidades dos furinhos, trancou-se no quarto e saiu de lá tocando a primeira marchinha. Um carteiro o levou a um professor para as primeiras aulas, impressionado com seu desempenho numa limitada flautinha de bambu.
E Moreira da Silva, o rei do samba de breque deu-lhe a primeira oportunidade de gravar, em 1943, nos meneios do samba “Juraci”, então sucesso de Vassourinha.
Altamiro passou por vários regionais, fundou o próprio e, inspirado na Lira de Aryon, assídua do coreto da pracinha de Santo Antonio de Pádua, fundou a bandinha do Altamiro. Durante “dois anos e nove meses” (como ele contabilizou), em meados dos 50, ela antecedia o “Repórter Esso”, na TV-Tupi, aos sábados, com audiência máxima, a ponto de emplacar um milhão de cópias do maxixe “Rio antigo”, em 1954.
O próprio Altamiro era o autor, como o foi de vários temas que desfilam pelos CDs. Tanto no roteiro das “Interpretações históricas” (“Esquerdinho na gafieira”, “Deixe o breque pra mim”, “Samba de morro”, “Direitinho”, “Pinguinho de gente”) quanto nos registros do concerto de Niterói, onde recebe convidados como o pianista e arranjador Gilson Peranzzetta (“Despedida”), o violinista francês Nicolas Krassik e a cantora e instrumentista Nilze Carvalho (no samba canção pré-bossa “Meu sonho é você”, com Átila Nunes), além do mano Álvaro Carrilho, seu comparsa na flauta em “Urubu-rei”.
Outros convidados de várias latitudes com quem dialoga mesclam o piano de Maria Teresa Madeira (“Corta jaca”, de Chiquinha Gonzaga), o clarinete de Paulo Sérgio Santos (“Sonoroso”, de K-Ximbinho”, “Chorando baixinho”, de Abel Ferreira), o sax de Nailor Proveta e o piano de Cristóvão Bastos (“Ingênuo” e “Ainda me recordo”, ambos de Pixinguinha), o trombone de Zé da Velha e o trompete de Silvério Pontes (“Na glória”, de Raul de Barros, “Amor não se compra”, de Bonfiglio de Oliveira) e a gaita de Maurício Einhorn (“Pedacinhos de céu”, Waldir Azevedo). Detalhe: Einhorn teve seu clássico “Tristeza de nós dois”, com Durval Ferreira e Bebeto, e “Sambop”, só com Durval, lançados em 1960, num precioso disco produzido por Altamiro, “Nova geração em ritmo de samba”. O vinil também abria espaço para os talentos iniciantes de Eumir Deodato (“ele era muito garoto e eu o ensinei a fazer arranjo”, conta num dos depoimentos dos DVDs), Claudette Soares, Orlan Divo e do humorista Paulo Silvino, na época arriscando-se na bossa nova, que também teria Altamiro em suas fileiras.
Altamiro, Choro e o show dia 16 out - Guairao
o texto é do otimo Tarik de Souza
- tem praticamente toda a trajetoria do Altamiro e umas pinceladas na historia do choro.
“Existem flautistas. E existe Altamiro Carrilho”.
A frase do marselhês Jean-Pierre Rampal (1922-2000), reconhecido mundialmente por ter estabelecido a flauta como instrumento solista na música erudita, ganhou inesperado desdobramento quando cinco flautistas da não menos renomada Orquestra Filarmônica de Berlim foram à casa do maestro erudito Julio Medaglia, em São Paulo, em maio de 2000, para uma sessão de caipirinhas e um sarau de Altamiro. Pela TV, veio a notícia da morte de Rampal, e um dos flautistas convidados emendou de bate pronto: “Agora Altamiro pode brilhar sozinho”.
A história é narrada pelo próprio Medaglia, autor do célebre arranjo de “Tropicália” para Caetano Veloso, num dos 4 DVDs deste projeto que (re)apresenta (para não utilizar o surrado “resgata”) aos brasileiros um conterrâneo tão genial quanto esquecido.
Do projeto, além dos DVDs com seis horas de gravação – incluindo o concerto do músico com convidados no Teatro Municipal de Niterói, realizado em agosto de 2006, “making of”, “docuclipe”, tapes históricos e entrevistas – consta uma caixa de três CDs Poesia do Sopro, com o registro do evento e uma antologia de gravações históricas do flautista realizadas entre 1952 e 1965.
A caixa será lançada num show em Curitiba no Teatro Guaíra, dia 16 de outubro. Os DVDs A Fala da Flauta sairão em dezembro. E esta é apenas a parte inicial do projeto, que terá até um longa metragem documental, Canarinho Teimoso, assinado por Anna Sutor.
Altamiro Carrilho procede de uma nobre linhagem, que construiu a espinha dorsal da nossa linha evolutiva. Começa em Joaquim da Silva Calado (1848-1880), considerado o fundador do gênero com seu grupo O choro de Calado, à base de flauta, dois violões e cavaquinho. Segue por Viriato (Figueira da Silva, 1851-1883), fluminense de Macaé, autor da polca “Só para moer”, passa por Patápio Silva (1880-1907), o de “Primeiro amor”, fluminense de Itaocara e desemboca no notório carioca Alfredo da Rocha Viana, o Pixinguinha (1897-1973), de quem nem é preciso falar. Num episódio controvertido, Pixinguinha passa para o sax e lega a flauta a outro fluminense de Macaé, o virtuose Benedito Lacerda (1903-1958), fundador de um célebre regional com seu nome, em 1935, integrado pelos mestres Dino, Meira (professor de Baden Powell, Raphael Rabello e do sobrinho de Altamiro, Maurício Carrilho) e Canhoto. Este último, assume o grupo com a saída de Lacerda, e convoca para seu lugar um brilhante discípulo do substituído, que vira atuar nos regionais de Cesar Moreno e Rogério Guimarães. É Altamiro Aquino Carrilho, fluminense de Santo Antonio de Pádua, nascido em 1924, que se tornaria um luminar do instrumento que aprendeu a domar muito pequeno.
- tem praticamente toda a trajetoria do Altamiro e umas pinceladas na historia do choro.
“Existem flautistas. E existe Altamiro Carrilho”.
A frase do marselhês Jean-Pierre Rampal (1922-2000), reconhecido mundialmente por ter estabelecido a flauta como instrumento solista na música erudita, ganhou inesperado desdobramento quando cinco flautistas da não menos renomada Orquestra Filarmônica de Berlim foram à casa do maestro erudito Julio Medaglia, em São Paulo, em maio de 2000, para uma sessão de caipirinhas e um sarau de Altamiro. Pela TV, veio a notícia da morte de Rampal, e um dos flautistas convidados emendou de bate pronto: “Agora Altamiro pode brilhar sozinho”.
A história é narrada pelo próprio Medaglia, autor do célebre arranjo de “Tropicália” para Caetano Veloso, num dos 4 DVDs deste projeto que (re)apresenta (para não utilizar o surrado “resgata”) aos brasileiros um conterrâneo tão genial quanto esquecido.
Do projeto, além dos DVDs com seis horas de gravação – incluindo o concerto do músico com convidados no Teatro Municipal de Niterói, realizado em agosto de 2006, “making of”, “docuclipe”, tapes históricos e entrevistas – consta uma caixa de três CDs Poesia do Sopro, com o registro do evento e uma antologia de gravações históricas do flautista realizadas entre 1952 e 1965.
A caixa será lançada num show em Curitiba no Teatro Guaíra, dia 16 de outubro. Os DVDs A Fala da Flauta sairão em dezembro. E esta é apenas a parte inicial do projeto, que terá até um longa metragem documental, Canarinho Teimoso, assinado por Anna Sutor.
Altamiro Carrilho procede de uma nobre linhagem, que construiu a espinha dorsal da nossa linha evolutiva. Começa em Joaquim da Silva Calado (1848-1880), considerado o fundador do gênero com seu grupo O choro de Calado, à base de flauta, dois violões e cavaquinho. Segue por Viriato (Figueira da Silva, 1851-1883), fluminense de Macaé, autor da polca “Só para moer”, passa por Patápio Silva (1880-1907), o de “Primeiro amor”, fluminense de Itaocara e desemboca no notório carioca Alfredo da Rocha Viana, o Pixinguinha (1897-1973), de quem nem é preciso falar. Num episódio controvertido, Pixinguinha passa para o sax e lega a flauta a outro fluminense de Macaé, o virtuose Benedito Lacerda (1903-1958), fundador de um célebre regional com seu nome, em 1935, integrado pelos mestres Dino, Meira (professor de Baden Powell, Raphael Rabello e do sobrinho de Altamiro, Maurício Carrilho) e Canhoto. Este último, assume o grupo com a saída de Lacerda, e convoca para seu lugar um brilhante discípulo do substituído, que vira atuar nos regionais de Cesar Moreno e Rogério Guimarães. É Altamiro Aquino Carrilho, fluminense de Santo Antonio de Pádua, nascido em 1924, que se tornaria um luminar do instrumento que aprendeu a domar muito pequeno.
Altamiro Carrilho
E arrematou, bem humorado, numa definição de seu trajeto luminoso de sumidade auto lapidada: “Diploma não toca”.
(texto de Tárik de Souza - citando um comentario de Altamiro num dos trechos onde relata a trajetoria do flautista)
(texto de Tárik de Souza - citando um comentario de Altamiro num dos trechos onde relata a trajetoria do flautista)
sábado, 27 de setembro de 2008
Projeto Partido Alto Samba de fato- RJ 2003
Este projeto do CCBB teve a direção do Luis Felipe de Lima, musico, arranjador, produtor, violão 7 cordas de primeira, gente boa lá do Rio. Foi realizado de 04 a 25 de fevereiro de 2003. Nesse projeto (não esta na foto) a Jandira do Grupo Bom Partido (Floripa-SC) participou e lembro que em 2002 dei uma mãozinha na sua ida num concurso de partideiros no Rio (que alias, venceu). O Bom Partido participou ativamente da programação do Cimples SambaEChoro entre 2001 e 2004, em balneario Guarapari - Pontal do Parana - Pr. Entre 2001 e 2004 trouxe alguns grandes sambistas (na minha concepção) para apresentações no Cimples entre eles Camunguelo, Tantinho, Marquinho China, Casquinha que tive o privilegio de partilhar historias e convivio por alguns dias e que estão na foto abaixo. Xango da Mangueira participou especialmente do meu aniversario em 2001 aqui em Curitiba. Na foto de divulgação CCBB, da esquerda p/direita estão: em pé> Luis F. de Lima, Camunguelo, Pedro Amorim, Marquinho China, Ivan Milanez, Tantinho, Pedro Miranda, Pretinho, Marcia Tavares, Cristina Buarque. sentados> Paulino Dias, Marquinhos Basilio, Casquinha, D. Ivone Lara, Xango da Mangueira, Nei Lopes, Arlindo Cruz e Tia Surica.


quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Aniceto do imperio - RJ
""
Não se enganem com os idolos forjados
Mestre Aniceto do Imperio - Partido Alto
Samba, jongo
- Destaque do Partido Alto,
- um dos grandes partideiros da historia.
Grande conhecedor de jongo e das tradições negras. É considerado por sambistas e grandes partideiros como Xango da Mangueira, Tantinho e Marquinho China como um dos ultimos mestres do Partido Alto legitimo. Com mais de 600 composições (!!!!! uau!!!) catalogadas e poucos gravadas tinha um estilo proprio ("construções rebuscadas" - termo do clique music)) e vocabulario diferenciado. Pois é ... tem somente um disco individual e aos 70 anos - "Partido Alto nota 10" em 1984 pela CID. Tem um outro com mestre Campolino, produção do Elton Medeiros em 1977, com nove musicas suas.
Foi fundador e orador do Imperio Serrano (1947). Estivador. Adivinhem se tocou nas radios na epoca de ouro ou esteve na TV decadas após ...
- foi reconhecido bem mais tarde e somente pelo povo do samba. Com certeza é um dos maiores.
sites consultados: Clique music, Agenda Samba-Choro
Não se enganem com os idolos forjados
Mestre Aniceto do Imperio - Partido Alto
Samba, jongo
- Destaque do Partido Alto,
- um dos grandes partideiros da historia.
Grande conhecedor de jongo e das tradições negras. É considerado por sambistas e grandes partideiros como Xango da Mangueira, Tantinho e Marquinho China como um dos ultimos mestres do Partido Alto legitimo. Com mais de 600 composições (!!!!! uau!!!) catalogadas e poucos gravadas tinha um estilo proprio ("construções rebuscadas" - termo do clique music)) e vocabulario diferenciado. Pois é ... tem somente um disco individual e aos 70 anos - "Partido Alto nota 10" em 1984 pela CID. Tem um outro com mestre Campolino, produção do Elton Medeiros em 1977, com nove musicas suas.
Foi fundador e orador do Imperio Serrano (1947). Estivador. Adivinhem se tocou nas radios na epoca de ouro ou esteve na TV decadas após ...
- foi reconhecido bem mais tarde e somente pelo povo do samba. Com certeza é um dos maiores.
sites consultados: Clique music, Agenda Samba-Choro
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