quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Carnaval/blocos - Cordão da Bola Preta na otica do carioca




Para não dizer que nao postei nada de carnaval.
Em 1999 passei boa parte do carnaval no Rio, fiquei de sexta a segunda, voltando para o Bloco da Dona Palmira na terça que saía de frente ao Cimples SambaEChoro, no Balneario Guarapari, litoral aqui do Paraná. Durou 6 anos. Em 2005 montei o bloco da Preguiça - Concentra, espreguiça, mas nunca sai, em Curitiba . Estão em ferias (os blocos) por enquanto, tanto pela escassez do dinheiro, quanto pela namorada meio reticente com muita festa (ja foi! - casou com outro). Mas eram basicamente de marchinhas etilicas.
Bom, surtei - vamos ao assunto. Carnaval e blocos!
Cheguei no finalzinho do Bola Preta, atrasado pois tinha pego pesado nos giros por diversos blocos na noite anterior. Adoro marchinhas e também concordo com o texto que voces vão ter abaixo, que fala do Bola Preta, entre no blog e lerá sobre outros blocos do Rio e opina sobre marchas e sambas.

"Não é preciso muito esforço para juntar multidão. Basta reunir os primos do Nei Lopes, os filhos do jornalista Fernando Paulino Neto (o Nando, também conhecido como Coelho) e os afilhados da Beth Carvalho. Acrescente os fundadores do PT (engraçado, até gente que em 1980 torcia para os militares não largarem a rapadura hoje diz que fundou aquele ex-partido) e os desafetos do Galvão Bueno. Junte os puxa-sacos do presidente em exercício, seja ele quem for. Pronto! Mais de 200 mil pessoas pulando e se divertindo no Cordão da Bola Preta. Pulando e se divertindo? Quem dera. Já foi tempo. O Bola saía da Cinelândia, seguia um quarteirão da Araújo Porto Alegre, dobrava na Rua México, festejava na Nilo Peçanha, atravessava a Rio Branco, tomava um banho de mangueira na Rua da Carioca e circundava a Praça Tiradentes, de lá voltando ao ponto de origem, triunfal, ocupando a Rio Branco tomada de gente animada de todas as idades.O bloco cresceu demais e ficou grande para certos trechos do Centro do Rio. Durante uns dois ou três anos, o trajeto foi mudado. O cordão passou pela espaçosa Presidente Antônio Carlos, em lugar da acanhada México. Foi bom, mas continuou crescendo e a Araújo Porto Alegre ficou inviável. Há vários anos, o Bola festeja apenas na Rio Branco, indo da Cinelândia até a Candelária, e voltando.Já dava para brincar melhor, pois não? Mas sempre tem uns filhos da puta que atrapalham a diversão do povo. No caso, um monte de babacas – e nenhum tem parentesco com o Nei ou com o Nando – de todas as idades que ficam parados, feitos dois de paus, na frente do caminhão com a orquestra. Virou programa ir ao desfile do Bola só para atrapalhar. Já ouvi garotão musculoso e menininha saradona berrando no celular, latinha de cerveja na mão:“Manhêêê! Tô aqui pulando no Bola. O carnaval do Rio é o máááximo! Como? Não estou entenDEEENdo! Tá tudo bem, vou desligar!!!”.Que vontade de ver o caminhão passando por cima desses chatos, os seguranças do Bola enfiando a raquete neles!Não sei ainda o que fazer na manhã de sábado de carnaval, há tantos anos, mesmo sob aguaceiros, preenchida pelo querido Cordão da Bola Preta. No domingo, ainda dá para ir ao Boitatá. Segunda de carnaval, que era talvez a parte mais sem graça do tríduo momesco, parece que deu uma levantada. Terça, bem, terça é um mistério. Soube que um dos melhores blocos – o Se Melhorar, Afunda, aqui de Niterói – fechou as portas e um grupo montou um bloco que sai na Zona Sul cantando músicas de Roberto Carlos (!!!) em ritmo de marchinhas.Tem “nêgo bêbo” aí, tem "nêgo bêbo" aí!
Postado por José Sergio Rocha
(PS. nao deixe de ler a postagem anterior a esta no blog dele)

Quero ver as cadeiras bulir - samba da Bahia

























Vejam a materia do Diario do Nordeste sobre o projeto da Beth Carvalho. O show tem a participaçao do nosso queridissimo e baita instrumentista Humberto Araujo. O problema como sempre é o preço R$ 42,00 - salgado, apesar de das 31 faixas. Para motiva-los vai o inicio da materia e depois entrem no endereço abaixo.

"Beth Carvalho realizou um antigo desejo ao lançar o DVD “Beth Carvalho canta o samba da Bahia”, com direito a documentário sobre o samba de roda, patrimônio imaterial da humanidade, tombado pela Unesco"
outro trecho da materia:
"Um caminho que acabou contando com as interferências de outros sambistas baianos, nomes como Assis Valente, Gordurinha, Dorival Caymmi (a quem o projeto é dedicado), além dos persistentes atuais mantenedores do ritmo, hoje pouco cuidado na própria Bahia. “Se a Bahia é a mãe do samba, ela é uma péssima mãe”, lamenta o sambista Roque Ferreira, nos extras, no importante documentário “Quero ver as cadeira bulir”, dirigido por Marta Jourdan (com entrevistas e manifestações no Recôncavo Baiano, entre velhos mantenedores do ritmo. Confira o box abaixo). Portanto, mais do que justificável toda a expectativa de Beth em torno do seu projeto."
- um outro comentario e critica + polemicas com relaçao a Mangueira na materia do jornal "o Dia" do Rio:
fonte: Diario do Nordeste - caderno 3 - 14/11/2007
imagens: Filhos da Pitangueira, Roerto Mendes, Nelson Rufino, Walter Queiroz, Edil Pacheco, Assis Valente, Gordurinha, Dorival Caymmi, Riachão, Mariene de Castro, Roque Ferreira, Beth Carvalho (via busca google).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Improviso - Tantinho, Marquinho China, Clementina







Lançado no Rio em dezembro 2008 o livro/cd "Na Ponta do Verso - Poesia de improviso no Brasil".
No lançamento estiveram presentes o Tantinho e o Marquinho China.
Trata-se de uma coletânea de gravações e artigos sobre alguns gêneros ou formas de poesia oral improvisada presentes no Brasil.
O partido alto, é claro, não poderia ficar de fora quando o assunto é poesia oral. O artigo do livro que trata do assunto foi escrito por Nei Lopes, mestre no assunto.
A organização do projeto foi de Alexandre Pimentel e Joana Corrêa, da Associação Cultural Caburé. o livro apresenta nove artigos inéditos e um prefácio escrito por Elizabeth Travassos, professora de Antropologia e Etnomusicologia da UNIRIO e pesquisadora do CNPq. O material conta ainda com um CD com 16 gravações de períodos variados (incluindo registros feitos pela Missão de 38, coordenada por Mário de Andrade, uma faixa do primeiro CD de Clementina de Jesus - o partido-alto Barracão é seu, com João da Gente - até gravações recentes, feitas pela própria Associação Cultural Caburé, além de fonogramas cedidos por autores, intérpretes e produtores fonográficos).
As faixas:
01) PAJADA - Chimarrão e Poesia
02) CANTORIA DE VIOLA/Sextilha
03) COCO DE EMBOLADA - Boi Tungão!
04) PARTIDO ALTO - Barracão é seu - Intérpretes: Clementina de Jesus e João da Gente
05) MARACATU DE BAQUE SOLTO/Samba em dez - Tecnologia -
06) FOLIA DE REIS - Chula do Palhaço Chiquinho Feijó
07) CALANGO/Calango na Linha do Simitão
08) CURURU/Carreira de São João - 1º cantador
09) CURURU/Carreira de São João - 2º cantador
10) CANTORIA DE VIOLA/Martelo Agalopado
11) COCO DE EMBOLADA - Cachorro do Patrão
12) PARTIDO ALTO/Partido Cortado - Tute de Madame - Intérpretes: Tantinho da Mangueira e Marquinho China
13) FOLIA DE REIS - Chula do Palhaço Gigante
14) PAJADA - Motivos do Pajador
15) MARACATU DE BAQUE SOLTO/Galope
16) ABOIO - Aboio Improvisado
fonte e texto: Texto: sitio agenda samba-choro.

Shows de samba e choro


Achei um blog que traz sempre informações sobre shows no Rio e agenda de sambistas (de repente trazemos algum para cá), copiei uma delas de um show do Nei Lopes para termos uma ideia do formato, ja aproveitando os resumos de carreira no Nei, Quinteto em Branco e Preto e Rui Quaresma:


A VEZ DO MORRO, COM NEI LOPES E GRANDES NOMES
A Vez do Morro chega à Caixa Cultural Rio.
Foto: Divulgação

A CAIXA Cultural apresenta, nos dias 13 e 14 de novembro, “A Vez do Morro”, show que homenageia a cultura de antigos e atuais morros através do samba. O espetáculo mostra, nos arranjos de vários estilos e na forma de interpretar, como dialogar com as outras “vozes” que ecoam das comunidades. O anfitrião do show será seu idealizador, o compositor e intérprete Nei Lopes, acompanhado do Quinteto em Branco e Preto, do violonista e arranjador Ruy Quaresma e do saxofonista Zé Carlos Bigorna. A cantora Sanny Alves também fará participação especial.

Nascido no subúrbio do Rio de Janeiro, Nei Lopes abandonou a carreira de advogado, nos anos 70 para dedicar-se à música e, mais tarde, à literatura. Compositor profissional desde 72, destacou-se pela sua parceria com Wilson Moreira, cujas obras foram gravadas por quase todos os grandes intérpretes do samba.

O Quinteto em Branco e Preto é considerado pela crítica um dos mais importantes conjuntos da nova geração do samba. Criado em 1997 por jovens músicos da periferia de São Paulo, já dividiu o palco com grandes artistas como Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Maria Bethania, Gilberto Gil, Daniela Mercuri, Ivete Sangalo, Margarete Meneses, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho, Hermínio Bello de Carvalho, Dudu Nobre e muitos outros.

Ruy Quaresma é violonista, compositor, arranjador, regente e produtor musical. Estreou como arranjador na Orquestra da TV Globo e na Orquestra da Rádio MEC em 1969. Como compositor teve suas obras gravadas por intérpretes como Ciro Monteiro, MPB 4, Beth Carvalho, Martinho da Vila e Quarteto em Cy. Participou, como músico, de festivais por toda a Europa e África.

O Show A vez no morro – foi selecionado pelo edital 2007 de ocupação dos espaços da CAIXA Cultural. A vez do morro: Dias: 13 e 14 de novembro às 19h30 Local: CAIXA Cultural RJ – Teatro Nelson Rodrigues: Av. República do Chile 230, centro Tel.: 21 2262-5483 / 2262-0942 - Ingressos: R$ 6,00 (inteira); R$ 3,00 (meia-entrada) Bilheteria: quarta a sexta-feira – 15h às 19h

Esquina Carioca - samba e boteco

















Pelos meados de 2000/1999 participei de um encontro da tribuna do sitio agenda samba-choro, no bar Iraja em SP. Por conta disto acabei cliente e numa das visitas acabei um tempão ouvindo, bebendo um chopp do bom (é bem tirado) e batendo papo com Nelson Sargento e sua esposa (ele com violão). Era lançamento de um CD, que acabei enfiando não sei onde. Comprei também o CD Esquina Carioca, realização do Bar. Este roubaram mas deixaram a embalagem que agora repasso algumas paginas para marcar e lembrar do acervo que tinha. Tem algumas letras de sambas conhecidos.
Os creditos ja estao nas fotos (clique para melhor visualizar - 200dpi). Acervo Anildo Guedes

Historia do Samba


Conheci o Fernando no Rio, num dos aniversarios da agenda samba-choro. Figuraço, boa praça. É do blog dele o roubo da presente postagem. Os textos dele sempre são de otimos conteudos e bem fundamentados, não deixem de passear no So doi quando eu Rio - http://www.sodoiquandoeurio.blogspot.com/
Também é um folião de fina linhagem, instrumentista e compositor.
Pequena cartilha para uma história do samba
Introdução
A palavra “samba” é de origem controvertida. Nei Lopes - um dos mais importantes estudiosos da herança cultural africana no Brasil e autor de muitos sambas que a gente vive cantando por aí - assinala que a raiz remota seria a palavra “semba”, que em vários idiomas da grande família lingüística banto (presente nas regiões da atual Angola, Congo e Moçambique) da a idéia de “separação”. Desta palavra teria surgido o termo “disemba”, que no idioma quimbundo (outro da família banto) significa “umbigada”. Essa umbigada é uma espécie de passo de dança em que dois dançarinos se “cumprimentam” tocando-se nos umbigos, ou apenas insinuando esse gesto; passo que é extremamente característico de em um sem número de manifestações dançantes de origem africana que até hoje se praticam no Brasil, como o jongo (RJ e SP), o coco (região Nordeste), o lundu (regiões Norte e Nordeste), o congo (ES e MG), o tambor de crioula (MA) entre outros.
Na segunda metade do século XIX, era corrente para designar diversas expressões de dança derivadas dos batuques africanos trazidos para o Brasil pelos negros escravizados, bem como as reuniões ou ajuntamentos festivos onde essas danças e batuques se praticavam. Esses “sambas” eram freqüentados por negros, escravos, livres e libertos, mulatos e brancos pertencentes às camadas socialmente mais desfavorecidas, o que proporcionou uma progressiva mistura dos ritmos africanos originários com outras espécies de música correntes entre os brancos e mulatos pobres, de origem ou influência européia, como as modinhas.
Até hoje são múltiplas as acepções do vocábulo “samba”, sendo que a mais corrente designa o ritmo nacional por excelência, de compasso binário (2/4), não desaparecendo, entretanto, as que se reportam à dança, à festa e à celebração.
Ainda sobrevivem entre nós expressões como: “vamos a um samba em tal lugar”, ou “vai ter um pagode lá em casa”.
Parte I – Das origens à escola
O samba como gênero musical próprio começa a ser gestado na passagem do século XIX para o século XX, nos bairros de marcada predominância negra na cidade do Rio de Janeiro, a chamada “Pequena África”, que inicialmente compreendia basicamente a zona Portuária e algumas ruas da Zona Central. Isso porque o trabalho da estiva é o que em maior grau pôde abrigar a população negra chegada à Capital da República vinda da zona rural, após a abolição da escravatura. Nestas regiões rapidamente começou a se destacar o núcleo dos negros chegados da cidade de Salvador e de seus entornos, visto que os negros baianos possuíam um grau mais perceptível de organização e consciência cultural. Na Bahia a religião afro-brasileira já se encontrava na época bem mais estruturada e são muitos os episódios relatados de revoltas escravas na capital baiana durante o século XIX. Assim, chegando no Rio de Janeiro, as casas das chamadas tias baianas – dentre as quais a mais famosa foi Tia Ciata, nascida Hilária Batista de Almeida, em Santo Amaro da Purificação - foram se tornando uma espécie de referência cultural, religiosa e de organização social, onde se praticava o culto afro, onde se faziam as festas, organizavam-se as irmandades religiosas e as manifestações carnavalescas etc. Mais do que nunca, esses eventos eram freqüentados não só pelos negros, mas por uma ampla variedade de setores das classes populares, como baixos funcionários públicos ou militares e gente de ofícios autônomos como barbeiros e artesãos. Entre estes era grande o número de músicos, pois que suas ocupações permitiam que se dedicassem ao estudo musical, ainda que muitas vezes superficial, o que não acontecia, por exemplo, com quem estivesse submetido às duríssimas jornadas de trabalho da estiva.
Esta mistura de músicos instrumentais de formação e influência da música profana de origem européia com o elemento africano de acentuada predominância rítmica e percussiva, já tinha originado expressões como o lundu e o choro.
No começo do século XX, ao lado desses, começa a firmar-se também o samba. Então, nas festas das casas das tias baianas, enquanto na sala se praticava o choro, no quintal ou terreiro, na parte traseira, cantava-se e dançava-se os ritmos africanos como o jongo e o caxambu, jogava-se o jogo da pernada (ou batucada, ou samba-duro) e cantava-se o samba. Inicialmente, tratava-se basicamente do samba de partido-alto, modalidade mais tradicional do samba, cantado em forma de desafio por dois ou mais cantores, com uma parte coral em forma de refrão e outra solada, normalmente cantada de improviso.
Os sambas foram, a partir das casas das tias baianas, ganhando o gosto da população e espalhando-se pelos demais redutos de população pobre que iam-se desenvolvendo conforme as zonas centrais da cidade passassem a não mais comportar as grandes massas populares desprovidas de trabalho fixo, nas quais os negros e mestiços formavam a ampla maioria. Assim é que o samba como gênero musical propriamente urbano e original ganha os morros próximos à Zona Central, entre os quais, primeiramente os morros da Favela e de São Carlos e, depois, Mangueira e Salgueiro, para daí espalhar-se pelos subúrbios. Mas se esses sambas de partido-alto, ainda ritmicamente muito próximos aos batuques africanos dos terreiros e macumbas ganhavam a cidade, o samba que pela primeira vez em 1917 chegou ao disco ostentando esse nome, seria um samba menos percussivo e mais próximo do que os ouvidos de então conheciam como “maxixe”, gênero musical especificamente destinado à dança de salões de baile, caracterizado pela coreografia sensual de volteios e rebolados.
Tal como o choro e o lundu, o maxixe também era um dos filhos dessa grande família surgida da mistura da música européia com os ritmos africanos. Como explicar essa diferença?
Os nomes mais importantes dessa época na história que estamos contando são os de Pixinguinha, Donga e João da Baiana. Enquanto o último era um ritmista de mão cheia, os outros dois eram mestres nos instrumentos que executavam, respectivamente a flauta e o violão.
Nesse tempo, não havia a intenção de se compor melodias e letras específicas que fossem entituladas sambas, pois o rádio ainda não existia e o disco engatinhava. Os sambas, como dissemos, surgiam nas festas, com refrões criados na hora ou herdados das tradições musicais há muito cultivadas pelos negros e estrofes improvisadas. Assim o maxixe “Pelo Telefone”, oficialmente o primeiro samba gravado em disco, de autoria de Donga e Mauro de Almeida, nada mais é do que um ajuntamento de vários refrões populares e temas recorrentes nas rodas de partido-alto.
A mudança rítmica do batuque para o maxixe justificava-se porque as classes da elite que tinham acesso aos discos e aparelhos reprodutores estavam mais familiarizadas com esse gênero, enquanto a percussão típica do samba, então presente nas rodas de partido-alto, ainda poderiam soar um tanto “bárbaras” para uma casta social ainda fortemente marcada pelo preconceito e pela cultura branca de matriz européia.
Trata-se da primeira apropriação e alteração dos elementos tradicionais e históricos da cultura do samba em nome de objetivos estranhos ao meio sócio-cultural em que ela se desenvolveu. O chamado samba amaxixado imperou, nas casas de dança, cabarés e nos salões das famílias abastadas até o final da década de 20 e teve como grande mestre o pianista J.B. Silva, o popularíssimo Sinhô.
Entre os inúmeros sambas de sucesso gravados por grandes nomes do disco como Mário Reis e Francisco Alves, o clássico “Jura” está entre os mais conhecidos, tendo há pouco merecido uma regravação de Zeca Pagodinho para servir de tema a uma novela de televisão. Nessa gravação pode-se ter uma boa idéia do tipo de samba que predominou até 1930, pois buscou-se ser fiel ao espírito original da composição.Mas a despeito do reinado do maxixe, o samba ritmado seguiu vivo em todas as comunidades populares de grande presença negra, tendo se fixado ao longo da segunda metade da década de 20 em redutos como a região do Estácio de Sá (entre os morros de São Carlos e Favela), os morros de Mangueira e Salgueiro e o subúrbio de Oswaldo Cruz.
Nesta época, a principal manifestação organizada durante o carnaval ainda eram os ranchos, que tiveram origem humilde, negra também, derivados dos desfiles de pastoris que se celebravam na época do Natal. Mas já nos anos 20, os desfiles de rancho, influenciados por formas carnavalescas européias que primavam pelas fantasias elaboradas e a utilização de carros alegóricos, tinham-se transformado em grandes e elaboradas organizações, com movimentação de consideráveis somas de dinheiro para a organização dos desfiles, não acessíveis, portanto, às classes sociais excluídas. Assim, as camadas populares absorveram dos ranchos a maneira de desfilar em forma de procissão, a utilização de fantasias e as figuras do baliza e da porta-estandarte; das grandes sociedades carnavalescas, absorveram os carros alegóricos; e utilizando a música então mais corrente e popular – o samba – criaram a mais original e importante das manifestações populares do carnaval brasileiro: as escolas de samba.
fonte: http://www.sodoiquandoeurio.blogspot.com/
(continua)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Jacob do Bandolim - 91 anos - 14 fev

14/02/1918 - Jacó do Bandolim - Rio (RJ) - Jacob Pick Bittencourt - faleceu em 13/08/1960.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Clementina de Jesus - 108 anos - e a midia? Cimples Ocio indignação




(clique nas imagens e veja os textos com bom conteúdo)
Clementina de Jesus - 07.02.1901*19.07.1987
Não vi praticamente nada sobre o aniversario da Clementina - são 108 anos de umas maiores vozes do samba - nem uma citação nas TVs ou jornais - podiam ao menos cita-la ja que o centenario da Carmen teve inumeras matérias.
Fica a homenagem e a promessa do Cimples Ocio produzir um evento no ano que vem.
fotos: Fasciculos diversos da Historia do Samba - 1998 - ed. Globo (coordenação Elifas Andreatto)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Carmen Miranda - Cimples Ocio homenagem 100 anos

09/02/1909 * 05/08/1955
Nunca fui muito de ouvir discos da Carmen Miranda, sempre achei os arranjos rebuscados demais. Não sei se penso assim ainda. Coisa da época, de mercado. Mas foi uma artista que divulgou muito o samba. Acima voces observam uma capa e contra-capa para darem uma olhadinha nos compositores e musicas. (clique na imagem para visualizar).
- disco: acervo Anildo Guedes

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Velha Guarda da Portela - Cimples Ocio - saudades


2009, janeiro brabo! Tia Doca morreu neste dia 25. Segundo Monarco a cadeira ficará vaga. Reproduzo um trecho do prefacio da Lilian Newlands para o livro A Velha Guarda da Portela, que conste como minha homenagem e lamento aos grandes bambas da Velha Guarda. Trouxe seis (06) deles para cá e parei pela falta de grana e projetos. Também esta ficando dificil realizar um grande sonho que ainda é um show deles no Guairão em Curitiba. Segue o texto:

"Um bairro pródigo em personagens únicos e, digam o que disserem, insubstituiveis.
Onde e como encontrar um clone de Chico Santana? Onde mais se pode ouvir o som de uma gargalhada irrestivel como a do inspirado Argemiro? Ou de cada um deles? Depois deles, nunca mais, e isso os torna as pessoas que são e que foram. Porque ainda tem a Doca, a Eunice, a Aurea, o Olimpo, o Mauro e tantos outros cujo negocio é cantarolar . . .

"Se for falar da Portela / hoje eu não vou terminar".

Hoje sei que, em algum lugar do passado, em algum momento que jamais será identificado, o grupo se tornou´parte de nossas vidas. Nâo tem importancia que muitos já tenham morrido, porque já foi dito que "o homem é imortal quando sua obra permanece", e basta ouvir uma fita gravada que a emoção os traz de volta, morrer passa a ser só um detalhe.Eles compunham sem essa preocupação, ja sabendo de antemão que suas músicas permaneceriam.
Daqui para a frente é festejar os que estão vivos, e que Deus os mantenha assim. Emocionados, meio bebados, cada qual com seu caminho e seu estilo. Com a alegria que, tantas vezes, os ajudou a prosseguir. Porque são sofredores também, alguns com sofrimentos e dores pouco comuns. Mas, olhando para trás e chegando aos dias de hoje, a gente compreende que é bela e rica a história deles porque essa também é a história de todos os homens.

fonte: livro A Velha Guarda da Portela, de Joao Baptista M. Vargens e Carlos Monte - ilisutrações Lan, - Rio de Janeiro - RJ, 2001
acervo Anildo Guedes, adquirido em 2001.
fonte foto: Globo online

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Samba/Choro aniversarios importantes - Outubro - Cimples Ócio datas

Em outubro temos aniversariantes de peso como Cartola, Nelson Cavaquinho e Silas de Oliveira, tres dos mais importantes composiores de samba:









fotos: letras de Zé Kéti,Dorina, Cartola
1 - Claudio Jorge - 03/10/1949 - Rio/RJ - Violonista, arranjador.
2 - Silas de Oliveira - 04/10/1916- Silas de Oliveira Assunção, considerado o maior compositor de sambas-enredos de todos os tempos. falecido em 20/05/1972.
3 - Zé Kéti - 06/10/1921 no Rio, Jose Flores de Jesus, autor de Mascara Negra e Diz que fui por ai entre outros sucessos.
4 - Erasmo Silva - 07/10/1911 - Salvador/BA, cantor e compositor formando com Wilson Batista a dupla Verde e Amarelo.
5 - Marquinhos de Oswado Cruz - 10/10/1961, Rio/RJ. Marcos Sampaio de Alcântara. Um dos grandes responsaveis pelo sucesso do Pagode do Trem, dia 02 de Dezembro Dia Nacional do Samba.
6- Cartola - 11/10/1908 - Angenor de Oliveira - falecido em 30/11/1980
7- Marçal - 14/10/1903 - Armando Vieira Marçal - Rio/RJ., percussionista e compositor, principal parceiro de Alcebiades Barcelos. O Bide, faleceu em 20/06/1947.
8 - Dorina - 16/10/1964 - Rio/RJ - Adorina Guimarães Barros, 05 CDs gravados, interprete e batalhadora do samba e de sua carreira (blog dorina samba)
09- Chiquinha Gonzaga - 17/10/1847 - Rio/RJ, Francisca Edwiges Neves, compositora, pianista, e regente. Primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, em 1885. Morreu em 28/02/1935
10 - Vinicius de Moraes - 19/10/1913, Rio/RJ. Faleceu em 09/07/1980.
11 - Nelson Cavaquinho - 29/10/1911 - Nelson Antônio da Silva - ganhou o apelido aos dezoito anos, quando começou a compor choros. Foi companheiro de música e boemia de Carlos Cachaça, Cartola e Guilherme de Brito. Morreu em 18/02/1986.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Samba da vela historia (2007) Cimples Ocio Rituais


Fotos: Chapinha (de azul) animando a roda de samba e a vela sendo acesa.
Estou postando uma outra descrição do Samba da Vela com informações e uma visão historica diferente:

" Há sete anos, em uma segunda-feira num bar em Santo Amaro, quatro amigos reunidos acendiam a primeira vela para iluminar a noite que caía no ritmo do samba.
Não sabiam que, naquele momento, davam início a uma verdadeira revolução cultural no bairro e na cidade de São Paulo. Foi assim que surgiu a Comunidade do Samba da Vela.
Eles se reúnem ainda às segundas-feiras, só que agora na Casa de Cultura de Santo Amaro, com cerca de 250 pessoas assistindo.
Sempre tem música e compositor novo na área. Além dos músicos, o espaço reúne também poetas, que declamam seus poemas, contos e crônicas entre uma canção e outra.
Ao invés de cerveja, bebem sopa no final da noite.
E a disposição das pessoas no local é em roda, como nos primórdios do surgimento do samba.
Para a Comunidade Samba da Vela “funcionar”, cerca de 25 pessoas, entre músicos, cozinheira, recepcionistas e amigos, trabalham na segunda-feira e quando mais precisar. Todos voluntários.
A vela que fica no meio da roda serve como um breque para o samba acabar. Enquanto a chama estiver acessa, vai ter música rolando. “Nos primeiros encontros ficávamos até de manhã e precisávamos de alguma coisa que nos fizesse parar. Pensamos em ampulheta, despertador, mas foi a vela que ficou”, explica José Marilton da Cruz, o Chapinha, um dos fundadores.
As cores que representam a Comunidade (Azul, Rosa e Branco) são também as cores das velas que, variando de mês em mês, se tornou uma forma de organizar as apresentações de compositores e canções inéditas.
No primeiro mês eles usam a vela rosa, que é o período de apresentação das músicas novas. No mês seguinte, é a vez da vela azul, para firmar as músicas entre os músicos e o público e por fim, a vela branca, que vem no terceiro mês para consagrar os sambas que irão entrar para o famoso “caderninho”, que contém as letras das músicas selecionadas, com o nome dos compositores, para o público acompanhar melhor os shows.
A vela virou o símbolo dessa rapaziada, que começou a se reunir primeiro com o intuito de fazer um samba de linhagem tradicional, passou a revelar bons compositores e com o tempo foi ganhando a aceitação da comunidade. Começou pelo bairro, Santo Amaro, e foi conquistando a região, a cidade e o respeito e admiração da classe artística.
Os fundadores Magno Sousá e Maurílio de Oliveira integram também o Quinteto em Branco e Preto e foi através do trabalho deste grupo que a sambista Beth Carvalho conheceu o Samba da Vela. Desde então, a cantora se auto-intitulou madrinha da Comunidade e ajudou a levar o projeto mais longe. “Tínhamos apenas três meses de existência e uma freqüência de, no máximo, 80 pessoas por noite. Depois que a Beth virou madrinha, a casa não fica com menos de 200 pessoas”, comemora Chapinha.
Hoje, depois do reconhecimento da comunidade, de artistas, de alguns veículos de comunicação, e, a partir deste aniversário, contando com a parceria com a IZZO Instrumentos Musicais, que passou a bancar os instrumentos do grupo, Chapinha lembra das muitas dificuldades que já passaram. “O grande problema é a falta de incentivo dos governantes. A cultura nesse país é largada às traças. A gente tem que fazer cultura na raça, matando dez leões por dia”, brinca.
Quanto à principal conquista, José Alfredo Gonçalves de Miranda, o Paqüera, também fundador da Comunidade Samba da Vela, é enfático: o respeito das pessoas da comunidade. “Faltava isso para a região e para o samba. Teve uma massificação [do ritmo], aquele ‘pagodinho’ e as pessoas se cansaram já daquela coisa melosa, pré-fabricada”, analisa.Samba de Comunidade
Fotos: Chapinha (de azul) animando a roda de samba e a vela sendo acesa.

Na última segunda-feira (17/07/07), o Samba da Vela comemorou sete anos de existência. Entre os compositores participantes, estavam muitos sambistas de outras comunidades que fazem um trabalho parecido com o grupo de Santo Amaro.
O Pagode da 27 (Grajaú), Samba da Laje, do Cafofo, da Penha e representantes da escola de samba Vai-Vai mostraram que a causa pelo samba e pela cultura é maior que a vaidade de cada grupo.“A nossa relação com as outras comunidades é a melhor possível. Eu, por exemplo, sou padrinho do Samba da Laje, do Cafofo e do projeto da Vai-Vai. Estou sempre nas comunidades incentivando, é disso que eu gosto, não tem jeito”, conta Chapinha.
Durante a noite, a roda do Samba da Vela tocou músicas de outros grupos, comprovando que essa integração parece ser um movimento cultural que está brotando em São Paulo.Paqüera explicou que não é de hoje que grupos se reúnem para fazer samba próximo às comunidades, incentivando outras manifestações culturais e sociais em São Paulo. Segundo ele, de 1996 a 2000 foi realizado o Mutirão do Samba, no bairro da Barra Funda, na rua Barão de Campinas. “Isso inspirou muito o projeto ‘Nosso samba de Osasco’, que fazia esse tipo de trabalho na comunidade”. Nessa época, o Samba da Vela já estava engatinhando e Paqüera levou os três amigos para conhecerem e foi aí que começaram a estruturar melhor o que se tornaria a Comunidade Samba da Vela.
Quanto à harmonia existente entre os grupos, Paqüera acredita que não será por muito tempo. Aliás, acha até melhor. “A rivalidade musical é importante para a comunidade adquirir mais identidade e ficar ainda mais valorizada”.
Ele dá o exemplo das escolas de samba do Rio de Janeiro, como a Mangueira, Portela, Estácio de Sá, entre outras, que fizeram grandes sambas entre uma disputa e outra. “Mas na realidade a briga era para melhorar a qualidade do desfile, dos sambas, nunca para menosprezar o outro. Quando começarem a defender suas comunidades em uma disputa musical de qualidade, acho que a coisa vai crescer muito mais”, avalia.
“Sambar é a nossa vocação
Lutar pela nossa tradição
Enquanto houver sobre a mesa
Uma chama acessa
O samba se renovará
Essa é a nossa certeza”
(Paqüera)
Para ir além
Casa de Cultura de Santo Amaro – Praça Francisco Lopes, 434, Santo Amaro – Tel: (11) 5522-8897 – Toda segunda-feira, às 20h – Entrada gratuita (a casa aceita contribuição de R$ 2,00 para ajudar a custear a sopa).
São Paulo, 23/7/2007

Samba da vela uma boa descrição - Cimples Ócio rituais

Em 07 e 08 de março de 2004 trouxe o Samba da Vela (44 pessoas) para o balneario Guarapari no litoral paranaense. Era o encerramento das atividades do Cimples SambaEChoro, boteco que funcionava sòmente na temporada de verão. O ritual foi no sabado a noite conforme a tradição. No domingo montamos uma grande roda, com lona emprestada da prefeitura de Pontal do Paraná.
Vieram de Santa Catarina o grupo Bom Partido e a Velha Guarda da Copa Lord. Do Rio o maestro Raul de Barros, Humberto Araujo e diversos musicos de Curitiba. Foi uma baita de uma festa. Comemoração antecipada do meu aniversario também (uma semana antes).
Bom, mas a postagem é para contar a historia do Samba da Vela. Achei bem escrita este texto feito pelo Rodrigo Siqueira para o Uol.
Lembrando que fui no samba quando ainda era possivel tomar uma cervejinha no fundo, quietinho - ou se sujeitar a uma bronca do Paquera, creio quem em 2000 ou 2001, levado pelo Carmo, na epoca produtor do Quinteto em Branco e Preto. Depois ja fui no centro cultura Santo Amaro, umas tres vezes. Vamos lá:

"Uma segunda-feira de dezembro, marginal do rio Pinheiros, chuva rala, sete e meia da noite. No rádio do carro, a repórter avisa do helicóptero: o motorista que segue pela marginal Pinheiros encontra dificuldades até a ponte João Dias, no sentido contrário.
Essa seria uma típica situação paulistana para irritar o cidadão-motorista, não fosse o fato de o destino final ser visitar pela primeira vez a Comunidade Samba da Vela, uma roda de samba que acontece religiosamente todas as segundas-feiras, na Casa de Cultura de Santo Amaro, na Praça Francisco Ferreira Lopes 434 (altura do nº 820 da Avenida João Dias).
A despeito do trânsito caótico, o repórter aqui assinado tinha razões de sobra para não impacientar-se. A visita era para a gravação da primeira de uma série de dez vídeo-reportagens que serão veiculadas aqui no site carnaval 2006, do UOL. Os vídeos abordarão um pouco do que acontece no mundo do samba da capital paulista, personagens das velhas guardas, os preparativos das escolas para o carnaval e também o que a nova geração tem feito para revitalizar e resgatar as peculiaridades e os sotaques do samba de São Paulo.
Já se passaram 50 anos desde que o "poetinha" Vinícius de Moraes soltou, numa noite gelada de 1955, a incongruente afirmação de que "São Paulo é o túmulo do samba". Se na época a assertiva já não fazia sentido, pois a cidade contava com compositores de primeira categoria, cordões carnavalescos e escolas de samba férteis em sambas e sambistas, hoje a frase parece estar enterrada de vez. A comprovação está exatamente na vela acesa no centro de uma roda em que mais de 200 pessoas cantam sambas de compositores inéditos, todas as segundas, na Casa de Cultura de Santo Amaro, e onde poetas da comunidade são incentivados a falar seus versos para o público.
O Samba da Vela surgiu por iniciativa do compositor José Marilton da Cruz, 46, o Chapinha, e de seu parceiro Paqüera (pronuncia-se pacuera mesmo), 46. Eles juntaram-se a Magnu Sousá, 30, e Maurílio de Oliveira , estes dois integrantes do Quinteto em Branco e Preto, e resolveram formar uma roda de samba semanal, em julho de 2000, em que novos compositores pudessem apresentar suas criações.
No começo, a roda era realizada no bar de Chapinha, o Ziriguidum, também em Santo Amaro. De tão profícua, a roda estimulava os freqüentadores a cantar seus sambas novos e varar a madrugada. "Ia até quatro, cinco horas da manhã de segunda pra terça. A roda não acabava porque alguém sempre tinha um samba novo pra mostrar," rememora Chapinha. Como na terça-feira o batente começa cedo, eles precisavam criar algum tipo de ponto final.
Tentaram uma ampulheta e um relógio despertador, mas a precisão irresistível do tempo marcado não combinou com o tempo cadenciado do samba. Foi quando Maurílio, um dos fundadores, deu a idéia de levar um galo para a roda. Quando ele cantasse, o samba teria que terminar. Obviamente não deu certo, diz Chapinha, "o galo canta de madrugada, não ia resolver o problema".
Diante do dilema, a solução partiu de Paqüera: acende-se uma vela e quando ela se apagar também acaba o samba. A estratégia funcionou tão bem que, aos poucos e naturalmente, a própria vela deu à roda carga extra de significados, a ponto de o Samba da Vela transformar-se em um ritual. "Onde tem batuque e uma vela acesa, acaba chegando mais do que gente pra cantar samba", acredita Chapinha. Atraídos pela oportunidade de mostrar seus trabalhos, mais de 100 compositores já apresentaram seus sambas na roda. Hoje em um casarão do século 19 tombado pelo patrimônio histórico, onde funcionou o antigo mercado de Santo Amaro, o Samba da Vela possui uma maneira não menos ritualística de organizar a produção que sai da roda.
Tomando como parâmetro as cores rosa, azul e branco, que representam a comunidade, criou-se um calendário em que, mais uma vez, é a vela que dita os passos.
Durante quatro semanas, sob a chama de uma vela rosa, os compositores apresentam apenas sambas absolutamente inéditos. Distribuem-se as letras e a comunidade os canta pela primeira vez. Nas quatro semanas seguintes, desta vez sob a luz da vela azul, cantam-se os sambas que foram apresentados na vela rosa. É o momento para que a comunidade possa absorver os novos sambas e para que possam ser avaliados.
Os melhores sambas são escolhidos para integrar um caderno de composições do Samba da Vela. É nesse processo que a roda ganhou uma identidade própria, com critérios que dão as características dos sambas da comunidade da Vela. Segundo Chapinha, como primeiro critério, as músicas devem seguir a linhagem dos sambas de terreiro, uma tradicional forma de compor em que as músicas são feitas em apenas duas partes. Na linha do partido alto ou melódica. Forma, aliás, que marcou a parceria de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, no Rio, quando um fazia a primeira parte e a entregava ao outro para que terminasse o samba. Foi assim que nasceu, por exemplo, o clássico "A Flor e o Espinho". Guilherme de Brito riscou num maço de cigarros o verso "tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor" e deu no que deu. Outro critério fundamental, além da "inteligência da letra", é que os sambas da Vela não podem ter a chamada melodia moderna.
Essa que foi exaustivamente utilizada nos pagodes românticos que a indústria do disco vem explorando desde o começo dos anos 1990.
Cada compositor defende seu samba diante da comunidade "sem levar torcida, tem que ser na raça", destaca Chapinha.
Não tem "remandiola", ou seja, sem armação. Os laureados pela banca dos fundadores do Samba da Vela têm suas letras editadas em um caderno que é distribuído nas quatro semanas seguintes, quando são acesas as velas brancas. Desses cadernos, saiu o CD "A Comunidade do Samba da Vela". (Ouça uma faixa clicando ao lado) Quem visitar o Samba da Vela pode ficar surpreso ao ver que na roda não há bebidas alcoólicas. Trata-se de um ritual dedicado exclusivamente ao samba, em que as pessoas vão para ouvir, cantar ou mostrar suas composições.
Ao contrário do que pode parecer, não há desânimo. De alguma forma, seja pelo batuque, pela vela ou pelo cantar, a vibração toma conta das pessoas. Trata-se, sem exagero, de uma sagração do samba. Para justificar a regra, durante a gravação da vídeo-reportagem quebrou-se o protocolo (ou liturgia, no caso) com a visita surpresa de Beth Carvalho, madrinha do projeto, que levou outros dois músicos para conhecer a comunidade. Acompanhado de Leo Maia, filho de Tim Maia, o cantor Seu Jorge levou consigo um balde com cervejas geladas. Depois da autorização de um dos fundadores, a cerveja foi para o centro da roda. Mas para o espanto geral, em um acidente, a tampa do balde escapuliu em cima da mesa apagando a vela, que foi rapidamente reacendida. Lá pelas tantas (a vela durou mais com a presença dos visitantes), ao falar para as cerca de 200 pessoas presentes, Seu Jorge não escondeu seu desconforto pelo acidente. "Estou com vergonha porque a vela se apagou por minha causa", lamentou. Mesmo com o desagravo dos anfitriões, ele insistiu. "Eu sou do santo e sei que tem que respeitar, alguma coisa foi que fez a vela se pagar. Se não era pra ter bebida no ambiente, não tem que ter bebida. Não cheguei negativo, mas eu cheguei sujo da rua. Que sirva de lição.
" Após o encerramento do "ritual", serve-se uma sopa preparada pelo Chefe Oliveira e os boêmios, liberados, migram para o bar em frente à Casa de Cultura a prosseguir com o samba até alta madrugada. Sem a vela, com bebida e a certeza de que o batente está próximo.
Marginal do rio Pinheiros, 3 horas da madrugada de terça-feira, quase nenhum carro na pista, do toca - CD saem os versos de Paulinho da Viola: "beba do samba, beba da chama também".
De volta pra casa, com sorriso no rosto e a imagem da vela acesa, era impossível esquecer os versos falados por Serginho Poeta, motoboy e freqüentador da comunidade. "Dizem que a boemia atrapalha o trabalho, mas por que não dizer o contrário?"
fonte: portal Uol - texto de Rodrigo Siqueira

Samba e choro - aniversario importantes fevereiro - Cimples Ócio datas


Mais uma leva de aniversariantes do mundo do samba e choro nascidos no mes de fevereiro.

1 - 01/02/1911 - Pedro Caetano - Bananal ( SP) - compositor - Pedro Walde Caetano - faleceu em 27/07/1992
2 - 02/02/1889 - Luis Peixoto - Niteroi (RJ) - parceiro de Ary Barroso "Na batucada da vida" - faleceu em 14/11/1973.
3 - 03/02/1914 - Hervê Cordovil - Viçosa (MG) - compositor/instrumentista
4 - 04/02/1959 - Zeca Pagodinho - Rio (RJ) - Jessé Gomes da Silva.
5 - 06/02/1910 - Jorge Veiga - Rio (RJ) - o "caricaturista do samba". Morreu em 29/06/1979.
6 - 06/02/1913 - Dona Zica - Rio (RJ) - faleceu em 22/01/2003.
7 - 06/02/1939 - Jair Rodrigues - Igarapava (SP) - Jair Rodrigues de Oliveira
8 - 07/02/1901 - Clmentina de Jesus - Valença (RJ) - Clementina de Jesus da Silva - faleceu aos 86 anos em 19/07/1987 (foto)
9 - 07/02/1928 - Jose Ramos Tinhorão - Santos (SP) - pesquisador e jornalista polêmico.
10 - 08/02/1921 - Roberto Paiva - Rio (RJ) - Helin Silveira Neves - cantor de sucesso com sambas nas decadas de 40/50, interprete de Wilson Batista e Geraldo Pereira.
11 - 09/02/1908 - Carmen Miranda - Marco de Canavezes (Portugal)- Maria do Carmo Miranda da Cunha.
12 - 12/02/1938 - Martinho da Vila - Duas Barras (RJ). Martinho Jose Ferreira.
13 - 12/02/1944 - Dominguinhos - Garanhuns (PE) - Jose Domingos de Morais
14 - 12/02/1966 - Luciane Menezes - Rio (RJ) - cantora, cavaquinista, ligada ao jongo e responsavel pelo seu ressurgimento na decada de 90.
15 - 14/02/1918 - Jacó do Bandolim - Rio (RJ) - Jacob Pick Bittencourt - faleceu em 13/08/1960.
16 - 15/02/1915 - Abel Ferreira - Coramandel (MG) - faleceu em 12/04/1980
17 - 19/02/1908 - Almirante - Rio (RJ) - Henrique Foreis Domingues - cantor/radialista. Faleceu em 21/12/1980
18 - 21/02/1928 - Severino Filho - Belém (PA) - arranjador/instrumentista - Severino de Araujo Silva Filho.
19 - 26/02/1944 - Déo Rian - Rio (RJ) - Déo Cesario Botelho
20- 27/02/1900 - Luis Americano - Aracaju (SE) - Luis Americano Rego - faleceu 29/03/1960.
21 - 28/02/1968 - Teresa Cristina
fontes: livro A canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo - editoria 34, 1997 - acervo Anildo Guedes
- agenda musica brasileira 2005 - Texto Luis Pimentel - Myrrha Comunicação Ltda
pesquisa google

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Samba de fato ou não? Cimples Ócio mitos historicos do samba

Hoje a tarde perdi (ganhei!) um tempinho lendo o texto e acompanhando os comentarios no overmundo do Spirito Santo, Hermano Viana e outros virtuais. Estava buscando algum texto do Nei Lopes sobre a morte do Xangô da Mangueira. Para quem é curioso vale a pena a polêmica, que já deve ter virado livro nesta altura do campeonato.
Vá lá:
http://www.overmundo.com.br/overblog/samba-fake-e-samba-de-fato

Xangô da Mangueira se foi!! 07/01/09 - Cimples Ocio

http://www.youtube.com/watch?v=Gdge2HffTn4
Xangô, samba e cultura

A nota oficial da Mangueira é no minimo ridicula. Pelo que fez e viveu a Escola emitir uma simples nota de falecimento com umas linhazinhas. Salve Xangô!!! Estas instituições não respeitam ninguém - vou te contar escola de samba pra mim é um trem que não engulo mais. Piada. Segue texto de um blog que não lembro mais e não consigo localizar para informar a fonte:
Olivério Ferreira, o Xangô da Mangueira, 85 anos, morreu na noite desta quarta-feira, no Hospital de Irajá. Durante anos, ele foi diretor de harmonia da verde-e-rosa.
Por nota oficial, a presidente da Mangueira, Eli Gonçalves, diretoria e segmentos lamentaram profundamente o falecimento do baluarte. O velório será na quinta-feira, a partir das 8h, e o sepultamento às 16h, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju.
Sua carreira musicial começou nos anos 50 e reúne mais de 150 composições. No Projeto Pixinguinha, ele cantou com Clementina de Jesus.
Agora um pequeno texto do Claudio Jorge:
"Xangô da Mangueira faleceu estes dias. Xangô era sambista do tempo em que cantar samba era motivo para levar uns tapas da polícia. Ele e tantos outros não deixaram de compor e cantar e graças a essa atitude é que tem um monte de gente adotando, sem o menor constrangimento, o título de sambista, sem terem a menor noção do significado político, ideológico, social, racial e muitas das vezes, religioso desse título.Muitas décadas se passaram desde a juventude de Xangô da Mangueira até agora, mas neguinho, sambista ou não, continua tomando tapas no dia a dia dos nossos tempos modernos."
Cláudio Jorge
www.claudiojorge.com.br

domingo, 11 de janeiro de 2009

Cimples Ócio - aniversarios importantes do mes de novembro

- Alberto Lonato - 08/11/1909 - nascido em Quintino Bocaiuva, suburbio do Rio - faleceu em janeiro de 1999. Tocava pandeiro e compôs sambas inesqueciveis: Não pode ser verdade, gravada por Cristina Buarque; Peixe com coco (parceria com Maceio e Josias e gravada por Clara Nunes); e Sofrimento de quem ama, Esqueça e Você me abandonou (gravadas pela V G da Portela)

Cimples Ócio - aniversarios importantes do mes de janeiro




fotos:
Lamartine Babo dia 10
Xango da Mangueira dia 19
Radames dia 27




1) Davi Nasser - 01/01/1917 - Jaú SP - letrista de muitas marchas e sambas
2) Guilherme de Brito - RJ - RJ - 03/01/1921 - obra prima "A flor e espinho"
- tive o privilégio de estar com ele alguns dias em Curitiba em 2002.
3) Carmen Costa - 05/01/1920
4) Zé da Zilda - RJ/RJ - 06/01/1908
5) Inauguração da loja Ao Bandolim de Ouro - 07/01/1929, a mais tradicional do ramo. Clientes:  Waldir Azevedo, Pixinguinha e Paulinho da Viola.

6) Alcir Pires Vermelho - Ubá/MG - compositor: Canta Brasil, Tic-Tac do meu coração, Onde o céu é mais azul e Laura. Compos com Ary Barroso, Lamartine Babo w Walfrido Silva)
5) Lamartine Babo - RJ/RJ - 10/01/1904
6) Osmar do Cavaco - 10/01/1931 - Caju / RJ/ RJ - Velha Guarda da Portela
7) Sérgio Natureza - RJ/RJ - 13/01/1947 - parceiro de Paulinho da Viola
8) Dia do Compositor - 15 de janeiro
9) Xangô da Mangueira - RJ/RJ - 19/01/1923 - participou do meu aniversario de 2001 - grande ser humano - falecido recentemente.
10) K-Ximbinho - (Sebastião Barros) Taipu - RN - 20/01/1917 - instrumentista/compositor
11) Babaú da Mangueira - 23/01/1914
12) Tom Jobim (RJ - RJ) 25/01/1927
13) Radamés Gnatalli - (POA - RS) 27/01/1906
14) Jota Efegê - 27/01/1902 - pesquisador e jornalista, falecido em 1987.
15) Waldir Azevedo - RJ - RJ - 27/01/1923
16) Lúcio Alves -Cataguases - MG - 28/01/1925 - umas das belas vozes do Brasil
17) Roberto Martins - RJ/RJ - 29/01/1909 - autor de Beija-me (com Mario Rossi), Favela (com Waldemar Silva), Leva meu coração (com Mario Lago)
18) Herivelto Martins - Engenheiro Paulo Frontin / RJ - 29/01/1912
19) Miltinho - RJ - RJ - 31/01/1928 -
20) Ernesto Pires - compositor carioca - 31/01/1957


fontes:
- agenda Música Brasileira 2005 (presente do Dr. Joao Carlos de Freitas) acervo Anildo Guedes
- A canção no tempo - 85 anos de músicas brasileiras - vol I: 1901-1957 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo -editora 34 - 1997 - acervo Anildo Guedes
- Choro - do quintal ao municipal - Henrique Cazes - editora 34 - 1998
acervo Anildo Guedes

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cimples Ócio - Samba da Vela e Claudo Jorge

Claudio Jorge - sambista - violão 7 cordas e compositor foto:
Chapinha no Cimples Ocio em 2005

Como não tenho o dom da caneta fácil, de escrivinhar simples e bonito copiei o texto do músico Claudio Jorge sobre o Samba da Vela.
Em março de 2004 trouxe o samba da vela para o Parana, no Cimples da praia. Foi a primeira viagem deles para fora de São Paulo. Combinei com o Magno, fretei um onibus de 44 lugares e veio o pessoal todo - meninas da portaria, cozinheiro, cadernos com os sambas, Chapinha, Paquera, Magno, Maurilio, silêncio, sem plugar nada, poesia, samba. Segue o texto:

Chama Acesa
Cláudio Jorge - Dezembro de 2003
CHAMA ACESA É
pensando em todos os brasileiros amantes da cultura de sua terra que escrevo este texto falando de uma roda de Samba que conheci em Santo Amaro, São Paulo. Dedico este texto a estes brasileiros, que como eu, vivem a angústia do retrato atual da nossa realidade cultural. Depois desta noite, sempre que me referir a este assunto, falarei em cultura brasileira aparentemente ameaçada. Digo aparentemente por conta do que eu vi no "Samba da Vela". Foi animador. Um sopro de felicidade, prazer, esperança, alegria, amizade, uma emoção muito especial enfim.Então caro leitor imagine através destas mal traçadas linhas o lugar e o fato que eu vou lhes contar. Vamos nessa.Segunda feira, 20 horas. Salão central do Centro Cultural de Santo Amaro, São Paulo. Quando se chega por perto já se ouvem as vozes de homens e mulheres cantando um Samba. Cheguei na portaria curioso e animado, pronto para descolar logo uma latinha e cair dentro da roda. Na portaria, uma contribuição de R$2,00 para ajudar na produção, dá direito a um caderno cheio de letras de música. Dou uma olhada rápida, não entendo propósito do caderno e vou em frente. Aí o primeiro choque. Cerca de duzentas pessoas em pé e sentadas em torno de uma mesa e uma vela acesa. Lá, Chapinha, os garotos do Quinteto em Branco e Preto e outros músicos tocavam e cantavam. A cada momento era chamada uma pessoa para ir lá e cantar seu Samba. Aí meus amigos a ficha começou a cair e o bicho pegou.Os caras se encontram para cantar Sambas inéditos. Samba carimbado pelo sucesso não vale. No caderno, que é editado uma vez por mês, estão os Sambas que tiveram mais aceitação pelo público nas semanas anteriores. Todos cantam e aplaudem muito no final. Emocionante. O nível dos Sambas é alto e a faixa etária média é abaixo dos 30 anos. Enquanto a vela estiver acessa o Samba não para e dependendo do clima, que pra minha sorte estava especial naquele dia, o Samba seguiu mesmo com a vela apagada. Fui gentilmente convidado a dar uma canja e quase chorei ao sentir a confirmação do que vi escrito numa faixa ao alto: "O silêncio é uma oração". A atenção para o que é ali cantado é total na primeira vez do Samba, "na volta", já rola até um coro e palmas e, se o Samba for daqueles, o pessoal levanta das cadeiras e sacode a poeira. Pra completar, não há sistema de som, nem serviço de bar. Apenas um pequeno gravador ao lado da vela que serve para gravar os encontros. Se existe um templo do Samba é lá no Samba da Vela. Inacreditável. Emocionante. Maravilhoso e como não podia deixar de ser, invejável.Saímos de lá depois da meia-noite e a grande maioria se manda para pegar o último ônibus para os seus destinos. Os motorizados ou os que perderam a condução, se concentram bar em frente e aí tudo recomeça, só que regado a cervejas e vale cantar o que quiser.Foi um grande presente de natal que ganhei do Mano Heitor, parente do Martinho da Vila que lá me levou. Foi a confirmação de tudo que sempre achei e lá encontrei. Há uma grande juventude brasileira envolvida com a criação e divulgação do Samba brasileiro. Há um Brasil que não aparece no rádio nem na TV. Há uma chama acesa que nunca vai se apagar. É a chama da alma de uma juventude que fala português, toca tambor, cavaco e violão, canta e compõe num estilo altamente sofisticado musical e poeticamente falando.O que eu vi lá em São Paulo foi uma verdadeira manifestação cultural que tem o Samba como objetivo principal. E mais, uma oportunidade que deveria ser imitada por todos que é parar para ouvir Samba. O lucro das bebidas, as gatinhas para paquerar e bate papo enquanto o cara ta cantando, fica lá para o bar que é lugar disso.
fonte: http://www.claudiojorge.com.br/

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