sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cimples Ócio - Samba da Vela e Claudo Jorge

Claudio Jorge - sambista - violão 7 cordas e compositor foto:
Chapinha no Cimples Ocio em 2005

Como não tenho o dom da caneta fácil, de escrivinhar simples e bonito copiei o texto do músico Claudio Jorge sobre o Samba da Vela.
Em março de 2004 trouxe o samba da vela para o Parana, no Cimples da praia. Foi a primeira viagem deles para fora de São Paulo. Combinei com o Magno, fretei um onibus de 44 lugares e veio o pessoal todo - meninas da portaria, cozinheiro, cadernos com os sambas, Chapinha, Paquera, Magno, Maurilio, silêncio, sem plugar nada, poesia, samba. Segue o texto:

Chama Acesa
Cláudio Jorge - Dezembro de 2003
CHAMA ACESA É
pensando em todos os brasileiros amantes da cultura de sua terra que escrevo este texto falando de uma roda de Samba que conheci em Santo Amaro, São Paulo. Dedico este texto a estes brasileiros, que como eu, vivem a angústia do retrato atual da nossa realidade cultural. Depois desta noite, sempre que me referir a este assunto, falarei em cultura brasileira aparentemente ameaçada. Digo aparentemente por conta do que eu vi no "Samba da Vela". Foi animador. Um sopro de felicidade, prazer, esperança, alegria, amizade, uma emoção muito especial enfim.Então caro leitor imagine através destas mal traçadas linhas o lugar e o fato que eu vou lhes contar. Vamos nessa.Segunda feira, 20 horas. Salão central do Centro Cultural de Santo Amaro, São Paulo. Quando se chega por perto já se ouvem as vozes de homens e mulheres cantando um Samba. Cheguei na portaria curioso e animado, pronto para descolar logo uma latinha e cair dentro da roda. Na portaria, uma contribuição de R$2,00 para ajudar na produção, dá direito a um caderno cheio de letras de música. Dou uma olhada rápida, não entendo propósito do caderno e vou em frente. Aí o primeiro choque. Cerca de duzentas pessoas em pé e sentadas em torno de uma mesa e uma vela acesa. Lá, Chapinha, os garotos do Quinteto em Branco e Preto e outros músicos tocavam e cantavam. A cada momento era chamada uma pessoa para ir lá e cantar seu Samba. Aí meus amigos a ficha começou a cair e o bicho pegou.Os caras se encontram para cantar Sambas inéditos. Samba carimbado pelo sucesso não vale. No caderno, que é editado uma vez por mês, estão os Sambas que tiveram mais aceitação pelo público nas semanas anteriores. Todos cantam e aplaudem muito no final. Emocionante. O nível dos Sambas é alto e a faixa etária média é abaixo dos 30 anos. Enquanto a vela estiver acessa o Samba não para e dependendo do clima, que pra minha sorte estava especial naquele dia, o Samba seguiu mesmo com a vela apagada. Fui gentilmente convidado a dar uma canja e quase chorei ao sentir a confirmação do que vi escrito numa faixa ao alto: "O silêncio é uma oração". A atenção para o que é ali cantado é total na primeira vez do Samba, "na volta", já rola até um coro e palmas e, se o Samba for daqueles, o pessoal levanta das cadeiras e sacode a poeira. Pra completar, não há sistema de som, nem serviço de bar. Apenas um pequeno gravador ao lado da vela que serve para gravar os encontros. Se existe um templo do Samba é lá no Samba da Vela. Inacreditável. Emocionante. Maravilhoso e como não podia deixar de ser, invejável.Saímos de lá depois da meia-noite e a grande maioria se manda para pegar o último ônibus para os seus destinos. Os motorizados ou os que perderam a condução, se concentram bar em frente e aí tudo recomeça, só que regado a cervejas e vale cantar o que quiser.Foi um grande presente de natal que ganhei do Mano Heitor, parente do Martinho da Vila que lá me levou. Foi a confirmação de tudo que sempre achei e lá encontrei. Há uma grande juventude brasileira envolvida com a criação e divulgação do Samba brasileiro. Há um Brasil que não aparece no rádio nem na TV. Há uma chama acesa que nunca vai se apagar. É a chama da alma de uma juventude que fala português, toca tambor, cavaco e violão, canta e compõe num estilo altamente sofisticado musical e poeticamente falando.O que eu vi lá em São Paulo foi uma verdadeira manifestação cultural que tem o Samba como objetivo principal. E mais, uma oportunidade que deveria ser imitada por todos que é parar para ouvir Samba. O lucro das bebidas, as gatinhas para paquerar e bate papo enquanto o cara ta cantando, fica lá para o bar que é lugar disso.
fonte: http://www.claudiojorge.com.br/

saiba mais sobre Claudio Jorge:


domingo, 4 de janeiro de 2009

Cimples Ocio - Ze da Velha


Foto: Em Curitiba out/2008 - com Daniel e Silverio
Ouvia o Zé da Velha há bastante tempo nos discos de choro e samba sem prestar atenção nos intrumentos. Comecei a atentar para os intrumentos de sopro creio que entre 1997/1998 quando ouvi no Hermes Bar em Curitiba o maestro Raul de Barros que era um mero acompanhante do Grupo do Cloves do Violão (7 cordas do Jamelão na avenida). Foi amor a primeira vista. Acabei trazendo o maestro quatro ou cinco vezes para Curitiba. Mas nesta postagem a historia é outra. Também acabei ouvindo outros trombonistas - Zé da Velha foi um deles - e ... paixão desenfreada - depois conheci o ser humano, simples, humilde e sem ele saber me ensinou um monte de coisas sobre a vida, que desabararam em mudanças radicais - profissionais, pessoais. minha relaçao com a música e com a vida. Junto com Seu Argemiro e o Jair do Cavaquinho, ele tem uma parcela considerável da minha mudança de rumo.
E, para quem não sabe quem é o Ze da Velha segue pesquisa sobre o vida do homem:
Segue pequeno historico
ZÉ DA VELHA (José Alberto Rodrigues Matos).
Instr. Aracaju SE 4/4/1942-. Começou a estudar música em escolas particulares. Telegrafista de profissão, recebeu o apelido de Zé da Velha porque, apesar de jovem, tocava trombone de vara no conjunto da Velha Guarda, pouco antes da extinção do grupo em 1958. Em 1965 conheceu Jacó do Bandolim e passou a tocar com ele. Em 1968 aperfeiçoou-se em música com Noeri Mendes, atuando dois anos depois como solista no Conjunto Sambalândia, com o qual fez várias apresentações na antiga República Federal da Alemanha. Em 1971 participou de um espetáculo musical em homenagem a Pixinguinha, realizado no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, transmitido pela TV Globo. No ano seguinte continuou seu aperfeiçoamento musical com Osvaldo de Sousa, com quem estudou de 1973 a 1974. Um ano depois passou a atuar como solista na Orquestra Gentil Guedes, que fez várias apresentações no Canadá. Participou constantemente das reuniões de choro realizadas no bar Sovaco de Cobra, no bairro carioca da Penha, ponto de encontro eventual de chorões famosos como Abel Ferreira, Dino, Joel do Bandolim e outros. Na década de 1990 gravou e tocou com Paulo Moura, Beth Carvalho e Martinho da Vila.









Cimples Ócio - Claudio Camunguelo

Conheci Camunguelo na garage/residencia dele, em Irajá, levado pelo Silverio Pontes na noite de 22 de abril de 2002 (penso). Atravessamos a madrugada, a esposa dele, Silverio e eu. Silverio foi para fazer a alvorada - 6 da manha. Beliscamos, feijoada, rabada e outros cozidos que seriam servidos na festa tradicional que ele promoviano dia 23 de abril - São Jorge. Beliscamos também as historias dos sambas, mulheres, festas da vida do Camunguelo. Muita cerveja - lembro-me de poucas coisas, infelizmente. Foi uma noitada que passou rapido, as 5 e pouco chegaram algumas pessoas. Eu tinha alugado um carro na chegada de Curitiba um dia antes e acabei levando-o para a Igreja da Penha. Foi na frente comigo, fazendo bagunça e soltando fogos. Depois da reza ficou por lá, nas barracas. Eu e Silverio fomos dormir um pouco. Ele tinha apresentação no Sesc Copacabana a noite em comemoração ao Dia Nacional do Choro) e acabei indo buscar o maestro Raul de Barros em Maricá, depois de uma indicação minha a Maria Braga para tentar convencer a produção. Acabei não voltando ao samba do Camunguelo, pois terminamos no Capela e fui levar o maestro para Maricá. Pena!
Depois trouxe o Camunguelo duas vezes à Curitiba - em agosto/2003, foi acompanhando pelo grupo curitibano Ebubu Fulo e em fevereiro de 2004 no Cimples da praia.
Camunguelo, era estivador, muito forte e faleceu prematuramente.
- Segue alguns videos para quem não o conheceu como compositor, sambista, chorão, flautista e partideiro.
http://www.youtube.com/watch?v=T_CgOMU56AM
http://www.youtube.com/watch?v=d8yLGi2nkkA
http://www.youtube.com/watch?v=2_ddEjHCTtQ

Cimples Ocio - Trio Madeira Brasil com Ze da Velha e Silverio Pontes

Ze e Silverio no Cimples Ocio em 15 out 08
Segue roteiro de shows do Trio Madeira Brasil (Ronaldo do Bandolim, Ze Paulo Becker - violão 6 e Marcelo Gonçalves- violão 7) tendo como convidados Ze da Velha - trombone e Silverio Pontes -trompete. Dia 22 de janeiro, em Curitiba show no Teatro da Reitoria compondo os shows da Oficina de Musica na parceria com o Projeto Circular BR.
Time fortissimo!!! Imperdivel. Sem precisar falar muito, musica instrumental com musicos do primeiro time brasileiro. Segue roteiro reenviado pelo Silverio Pontes.

----- Original Message -----
From: Silvério Pontes
To: Anildo Guedes
Sent: Thursday, January 01, 2009 8:08 PM
Subject: Fw: Trio Madeira Brasil - Agenda

----- Original Message -----
From: Trio Madeira Brasil
To: Trio Madeira Brasil - Brasil 5
Sent: Monday, December 29, 2008 12:42 PM
Subject: Trio Madeira Brasil - Agenda
O Trio Madeira Brasil informa sua próximas apresentações:

PROJETO CIRCULAR BR http://www.circularbr.com.br/
Aracaju (SE) 02/01/09 (sexta-feira), 20h
- Trio Madeira Brasil, Zé da Velha e Silvério Pontes
Teatro Lourival Baptista 200 lugares
End.: Rua Laranjeiras, 2037 - Getúlio Vargas Tel: (79) 3179-7550 / 3179-7551 / 8821-3258

Recife (PE) 04/01/09 (domingo), 19h
- Trio Madeira Brasil, Zé da Velha e Silvério Pontes
Teatro Beberibe - Centro de Convenções - 405 Lugares
End.: Complexo Rodoviário de Salgadinho, s/n - Salgadinho
Tel.: (81) 3427-8000 / 3241-9011

São Paulo (SP) 15/01/09 (quinta-feira), 21h
- Trio Madeira Brasil, Zé da Velha e Silvério Pontes
Sesc Ipiranga 250 lugares
End: Rua Bom Pastor, 822 – IpirangaTel.: (11) 3340-2000 / 6215-8418

Porto Alegre (RS) 18/01/09 (domingo), 19h
- Trio Madeira Brasil, Zé da Velha e Silvério Pontes
Teatro CIEE 422 lugares
End: Av. D. Pedro II, 861Tel.: (51) 3231-4142 / (51) 3363-1111

Rio de Janeiro (RJ) 20/01/09 (terça-feira), 19h30
- Trio Madeira Brasil, Zé da Velha e Silvério Pontes
CAIXA Cultural - Teatro de Arena 226 Lugares
End.: Rua Almirante Barroso, 25 - CentroTel.: (21) 2544-4080

Curitiba (PR) 22/01/09 (quinta-feira), 21h
- Trio Madeira Brasil, Zé da Velha e Silvério Pontes
Teatro da Reitoria Universidade Federal do Paraná 700 Lugares
End.: Rua XV de Novembro, 1299 - Centro
Tel.: Fone: (41)3360-5066

Video Trio Madeira Brasil - you tube - musica: Santa Morena

sábado, 3 de janeiro de 2009

Cimples Ócio e samba da vela







Tive o privilegio em março de 2004 de trazer o Samba da Vela completo (leia-se cadernos com os sambas, cozinheiro - canja no final, 44 pessoas).
Fizeram a apresentação no sabado a noite e comemos uma feijoada no domingo, junto com o grupo Bom Partido, V G da Copa Lord, Humberto Araujo e maestro Raul de Barros, alem de diversos musicos de Curitiba.
Relembrando o Samba da Vela, em 2004 tivemos a presença da compositora do Vela, Graça durante a programação do Cimples Praia e do Chapinha no Cimples Ócio em 2005. Para matar as saudades segue um video do You Tube com a musica Coisa comum, do Chapinha, ele mesmo cantando no Centro Cultural de Santo Amaro - SP (não deixem de ver o final - os improvisos muito engraçados), evento que ocorre às segundas.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Cimples Ócio - calangos, partido alto - livro 500 anos ..


Dia 01 de janeiro 2009 - estou cansado, 10 da noite, acabei de perder um texto de 40 linhas sobre um livro de choro e estava bonitinho. Como prometi a mim mesmo que iria postar algo, segue alguns trechos da introdução do livro, 500 anos:


"Este livro procura apresentar uma sintese de 500 anos de existência da música popular brasileira". . . . do povo, dos indios, dos negros, dos degredados, dos mestiços que verdadeiramente criaram o cateretê, o lundu, a modinha, o tango, o maxixe, a moda caipira, o jongo, o samba, forma sobre as quais os artistas de acesso à midia apoiaram sua arte. Os autenticos criadores ficaram relegados ao esquecimento ...

"Já que mencionamos generos, é bom revelar que também estes foram muitas vezes omitidos".
"Nas etiquetas dos discos de 78 rpm são usadas 54 denominações de sub-genero do samba. É certo que grande número delas é destituido de valor musicológico, como por exemplo: samba semi-filosfico, samba humoristico, samba brejeiro. Mas há um grupo grande de sub-generos perfeitamente caracterizados: samba-canção, samba de breque, samba-choro, samba-exaltação, partido alto, samba bossa nova, samba enredo, pagode (bossa nova, samba enredo e pagode não figuram nas etiquetas dos discos 78 rmp, pois entraram na música midiatica depois da extinção desse tipo de disco)... já que o samba é um elemento central da nosso música popular. Mas o mesmo acontece também, por certo em menor escala mas ainda assim surpreendente, com o genero só hoje consideravel: a música caipira ou sertaneja. Nela os especialistas distinguem, pelo menos: cateretês, cururus, síriris, modas de viola, toadas, lundus, baladas, congadas, folias de rei, calangos, fandangos, canas-verdes, guarânias, rancheiras, valseados, xotes, baiões, xaxados, forrós (19 sub-generos) e outros menos votados.
"Essas gravações serão dadas ao publico juntamente com o presente volume, de que são um complemento até certo ponto indispensavel.
(como comprei um livro numa roda de samba no Rio - não tenho os CD)

fonte: livro 500 anos de Musica Popular Brasileira - MIS / RJ 2001
acervo particular Anildo Guedes

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Cimples Ocio - Roda de bamba


Aproveito para postar texto do livro 500 anos da Musica Popular Brasileira que neste periodo de festas de fim de ano encaixam perfeitamente:

"Roda de bamba"
“Existe, no Brasil, um tipo de música da qual todos admitem gostar em determinadas, épocas do ano. Noutras, entretanto, não gostam, ou fingem que não. As razões, muito mais que estéticas, são sociais.

Falamos da musica produzida pelas camadas menos favorecidas da população do Rio de Janeiro. Gente como Carlos Cachaça, Ismael Silva, Cartola, Silas de Oliveira, Nelson Sargento, Ivone Lara, Monarco. Produtores de gêneros musicais consumidos com muito agrado por todos, desde que seja durante o carnaval, “a festa deles". No resto do ano, por ser identificada com favela, gente pobre, feia e negra, distante dos padrões ”glamourosos" perseguidos com ansiedade pelas classes média e alta nativas, essa música sofre uma profunda discriminação. Preferem outra, mais voltada para os padrões globalizados, de onde foi erradicada a marca de origem. De preferência, se a letra for em inglês.

Mas essa música é muito forte. Tão forte, que atravessa as barreiras da discriminação e está sempre presente, guerrilheira. Nesses especiais anos de virada do século XX para o XXI, então, podemos dizer que a música mestiça do Brasil atingiu um de seus momentos de maior exuberância nacional e, mesmo, internacional.

Por volta de 1930, o encontro do samba de morro com a música produzida na cidade (encontro do tipo Cartola com Noel Rosa) foi marca de enriquecimento para ambos os lados. A música de Noel, classificada como samba urbano, ganhou a necessária pitada de pimenta da Mangueira e renasceu mais brejeiro, conservando, contudo, o bom comportamento poético que o tornava palatável a todos os gostos. E o samba do morro ganhou gravata e sapato. Nessa tradição, chegamos a um Paulinho da Viola, a um Chico Buarque, campeões do “bom-mocismo". Pelos furos da peneira, acabavam passando, também, as Cordas de aço, de Cartola, a Primavera, de Sargento, Meu drama e Sonho meu, dos imperianos Silas e Ivone.

Impressionante que, por mais que se tente entender a lógica do gosto popular, isso jamais se torna possível. Senão vejamos: se Paulinho da Viola, como já se disse, foi aceito por mesclar a tradição africana ao apurado conhecimento melódico e harmônico (Paulinho é músico, fino instrumentista e lutier) e também á irrepreensível poesia, que razões levaram esse mesmo público a reverenciar o lirismo surpreende e guerrilheiro de Candeia, a ideologia de Martinho da Vila, a negritude pura de Nei Lopes e Wilson Moreira, a grandiloqüência barroca de Monarco, a orgulhosa malandragem de Zeca Pagodinho, a carioquice suburbuna de Dudu Nobre? Isso sem falar de Délcio Carvalho, Luis Carlos da Vila, Arlindo e Sombrinha, meu Deus Jorge Aragão!

Os pagodeiros de São Paulo, os sertanejos do centro-oeste, os mineiros dos clubes de todas as esquinas, os velhos e os novíssimos baianos, mestres do charme e da malemolência, os rastafaris maranhanses, loucos pela Jamaica, as tribos amazonenses garantindo os seus bois, os nordestinos em geral, o povo do sul, enfim, toda essa gente mais ou menos bronzeada ainda mostrando o seu valor há muito tempo abrindo o ouvido do Brasil e do mundo para o nosso som moreno. Mas esta terra é de samba, o samba é o nosso dom e são os ambistas que traduzem a síntese étnica da população desse país, discriminada e ativa, pobre e talentosa, “criloura”, como se diz na Mangueira. Os que estão aí há muito tempo, os que estão chegando e, mais ainda os que ainda vão surgir, sempre, continuando a compor essa roda que é bonita, porque tem a cara e a cor do Brasil.”

fonte: pag. 159, 160 e 161.
livro 500 anos, da muisca popular brasileira
Fundação Museu da Imagem e do som - RJ - 2001
acervo: Anildo Guedes


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Cimples - Noel Rosa - aniversario em dezembro (10)




Trecho do comportamento de Noel e a formação do Bando de Tangaras, no livro Noel Rosa - uma biografia - de Joao Maximo e Carlos Didier.




quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Anildo Guedes 50 anos e Xango da Mangueira







Ontem (16/12/08 - desaniversario por coinncidência) numa roda de cerveja no bar edmundo me lembraram que faço cinquenta anos em março de 2009. Neste embalo lembrei-me de um aniversario que veio todo o povo agregado do Grupo Bom Partido. Foi uma festança. Era março de 2002 no meu aniversario tive o privilegio de receber Xango da Mangueira em casa - ele veio com sua Dona Sonia e o Flavio Aniceto. Deu-me de presente um disco o " MANGUEIRA- sambas de terreiro e outras sambas", que tem Cartola cantando e Jacob tocando violão, Xango, Tantinho, Jurandir, Nelson Cavquinho cantando e participação de muita gente boa de samba pouco conhecida e outras coisas lindas.Vou postar o conteudo aos poucos. Segue capa e contracapa.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Samba - origens do samba urbano no Rio


Segue um trecho do livro 500 anos da Musica Popular Brasileira. Para ler basta clicar no documento.
Fonte: Livro 500 anos da musica popular brasileira - Fundação Museu da Imagem e do Som - RJ
acervo Anildo Guedes

Samba para crianças - a arte de Yara Teixeira

Os textos citam Mauro de Almeida (Peru dos pés frios) e Tia Ciata
a cozinha das baianas no começo do seculo (anos 10)

Posto mais duas paginas do trabalho da Yara Teixeira. Os textos são da Simone (Coral Brasileirão) também daqui de Curitiba.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Guilherme de Brito em Curitiba e Floripa

Foto nos camarins do Canal da musica de Curitiba com Juliao Boemio (cavaco) e Daniel Miranda (sax alto e clarinete). Daniel também acompanhou Guilherme no show de Floripa junto com o Grupo Bom Partido, que teve a particpação da cantora Maria Helena, cantando dois sambas.
Esta é uma pequena pesquisa no Google, que refere-se à 2002, quando eu trouxe o Guilherme de Brito e fiz um texto para a agenda Samba-choro. Foram 03 dias magicos. Fiquei sabendo mais sobre samba neste periodo que 20 e poucos livros. Alem de ter tomado duas ou tres caipirinhas com ele em Floripa na maior intimidade. Aforante o que Dona Nena desabafou no almoço, na rota Curitiba-Floripa. Segredo prometidos de ficar calado para sempre.

Guilherme de Brito
Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
pl_PL: anildo guedes do rocio santos (anido_guedes_at_uol.com.br)Data: seg 08 jul 2002 - 21:20:51 EST
Próxima mensagem: anildo guedes do rocio santos: "Guilherme de Brito em Floripa"
Mensagem anterior: Fábio Liberal: "Re: Orora de Jards Macalé"
Maior e mais constante parceiro de Nelson Cavaquinho, o sambista Guilherme de Brito, apresenta neste show historico em Curitiba sambas ineditos do CD "Samba Guardado" de 2001 e musicas consagradas como Folhas Secas, a Flor e o Espinho. Guilherme esta com 80 anos, com vitalidade e chega na quinta, dia 12 p/manha com sua esposa e o violonista Cidinho 7 Cordas, para participar da primeira etapa (total de 6) do projeto "O Samba e Sua Nobreza", criação da empresa Cimples SambaEChoro, com parcerias com o Canal da Musica e Educativa 97,1 FM. Resumo: Show Guilherme de Brito Hora: 20:15 - dia 12/07 - sexta - Canal da Musica - Rua Julio Perneta, 695 - Merces - fone 331 7513 Abertura : Grupo Bom Partido - SC - (samba) 20:45 - Grupo Simplicidade - Ctba - PR - (choro) 21:20 - Guilherme de Brito - sendo acompanhado por musicos do Pr e SC. - Violão 7 cordas: Cidinho - RJ - Violão 6 cordas: Henrique Rodrigues - Ctba - Cavaquinho centro: Didi - Ctba - G. Simplicidade - Bandolim e cavaco solo:Juliao Boemio -Ctba - G. Simplic. e Ebubu-Fulô - Clarinete e sax: Daniel Miranda - Ctba - G. Simplicidade e Ebubu-Fulô - Pandeiro: Zezinho - Ctba - G. Simplicidae e Ebubu-Fulô - Pastoras (vozes)- Jandira, Josiane e Julia (G. Bom Partido) - Dinho - percussão - SC - Grupo Bom Partido - Amarildo - surdo - SC - Grupo Bom Partido 22:45 - Hall de entrada Canal da Musica - Homenagem dos musicos do PR e SC à Guilherme de Brito e dedicatorias no CD "Samba Guardado". Roda de Samba e Choro - Grupo Bom Partido (partido alto) e Grupo Ebubu-Fulô (novo choro). 23:30 - Encerramento Ingressos: R$ 10,00 Maiores de 60 anos, menores de 15 anos, estudantes e classe artistisca - R$ 5,00 Gratos, Cimples SambaEChoro Anildo Contatos: (41) 9962 1054 e 229 1447 *** _____________________________________________________________ Para

Seu Jair e Argemiro em Itajai

Este era um tempo que eu participava da tribuna Samba-choro - refere-se aos shows do Seu Jair e do Argemiro em Curitiba, Itajai e Floripa - aprendi muito sobre a vida, alias mudou minha concepção sobre a mesma - o contato com estes dois sambistas, as nossas conversas, a sacanagem entre os dois, a convivencia, as historias que ouvi - acho que aprendi muito - decidi alterar o rumo da vida - e foram só 4 dias - Seu Argemiro faleceu logo depois e Seu Jair um pouco mais de tempo - chorei, quietinho, sozinho, agradecendo a lição. .

(trecho copiado)
pl_PL: anildo guedes (anildo_guedes_at_uol.com.br)Data: seg 18 nov 2002 - 21:53:43 EDT
Próxima mensagem: VValdemar Pavan: "Fw:Re: Caetano Veloso: Um revolucionário que ainda está em movimento"
Mensagem anterior: Paulo Eduardo Neves: "teste"
Cadê o Fabio > Gangaz???
Quinta estarei em Itajai com os dois, onde farão show as 21:00 no Galpão das Artes, com abertura da Velha Guarda da Copa Lord (estão lindos e afinados) e acompanhamento do Bom Partido. Apareça.
Anildo
#Mensagem modificada, anexos e HTML removidos#

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Cimples Ocio Partido Alto - Samba e instrumentos neste dia 06 de dezembro







Jandira de Souza (Grupo Bom Partido)- Prato-e-faca
Rafael Gaucer - violão 7 cordas
Maguinho da Ilha - percussão geral
Marcos Galvão - sambas de Manacea, Elton Medeiros e Wilson Moreira
- em outra postagem adicionamosas outras participações

Roda de samba especial 06 de dezembro 2008






Jandira versando no Cimples Ocio em 2005 e cantando sempre bons sambas.
Marcos Galvão - convivencia com Manacea, Wilson Moreira e mais de 26.000 musicas armazenadas (80% de sambas). Canjas especiais do Daniel Miranda e Julião Boemio são sempre muito expressivas. Maguinho da Ilha(na foto desafiando o Nadinho da Ilha)terá a responsabilidade da percussão geral.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Samba do dia 06 dez, sabado

Apareçam. Algumas comemorações importantes para o Cimples Ócio - encerramento dos eventos Dia Nacional do Samba, aniversario do Marcus Cabeleira, amigo especial da casa e o retorno da sambista Jandira (Santa Catarina) à Curitiba.
- Neste samba especial dedicado ao Partido Alto, de Curitiba teremos o cavaquinista Marcio Mania, compositor, versador e estudioso dos sambas, Panelão, da nova geração de instrumentistas do samba de Curitiba, também sabe das coisas nos improvisos, alem da otima pegada do Maguinho da Ilha - nos versos e nos intrumentos. De Santa Catarina vem o violão 7 que mais evoluiu nos ultimos tempos - tanto no repertorio,quanto no estudo do seu instrumento - Rafael Glaucer. Teremos as particpações especiais do Marcos Galvão (Camboriu-SC), pesquisador do genero, o Quarteto Cabide de Molango, do trombonista Osmario Estevan Junior, desfilando muito Cartola e Geraldo Pereira. E também as canjas do Julião Boemio e Daniel Miranda, chorões paranaenses de destaque
- É uma festa popular - ingressos R$ 5,00.
Parabens antecipados para o Marcus Cabeleira.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

comemorações Dia Nacional do Samba 2008

Como sempre nos ultimos anos , ao invés de ir para o Rio, faço algo por aqui - segue programação e por favor ajudem na divulgação. Ano passado foi no Espaço Cultural Calamengau, mas este ano vamos ficar no semi-cafofo, com friozinho e tudo em pleno dezembro. Apareçam, a exposição de textos e fotos vai ser algo nunca visto nas terras paranaenses - pela quantidade e conteudo.

02 dez - Dia Nacional do Samba
Cimples Ócio - espaço dedicado à divulgação do samba e choro tradicionais
Comemorações
30/11 - domingo - 2 da tarde
Feijoada! e muito samba bom! Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, ...
Orientador musical: Vinicius Chamorro (violão)
participações: Daniel Miranda (sax/clarinete), Juliao Boemio (cavaco/violão tenor), Mãe Orminda (voz), Nega Fuá (voz), Maguinho e Dinda (percussão geral).

02/12- terça - 2 da tarde
(vamos fazer um feriando por conta - hehehe)
Dia Nacional do Samba
- exposição com mais de 100 fotos e textos sobre a trajetória do samba.
- Vida e obra de sambistas históricos (vídeos/fotos/textos)
- barracas temáticas direcionadas às crianças
- biblioteca do samba
- encontro de músicos ligados ao samba em Curitiba
- culinária tradicional dos pagodes de fundo de quintal (tradição)

06/12- sabado - 2 da tarde
Choros, Partido Alto, calangos
(Aniversario Marcus Cabeleira)
Encerramento das comemorações Dia Nacional do Samba - 02 dez
- Juliao Boemio, Marcio Mania, Panelão ...
hora: 14h00
-Comida de boteco e cozidos

Serviço:
dia 30/11 - domingo
hora: 14h00
feijoada R$ 13,00 p/pessoa
ingressos: R$ 10,00 (individual) - R$ 16,00 (casal) e R$ 7,00 (estudantes)

data 02/12 - terça - Dia Nacional do Samba
hora:14h00
ingressos: R$ 5,00
livre: músicos, menores de 16 anos, professores e aposentados.

data 06/12 - sabado - Partido alto

hora:14h00

ingressos: R$ 5,00

culinaria: Comida de boteco e cozidos (R$ 10,00)


Local: Cimples Ócio - Feitoria
Rua Miguel Jorge Nasser, 206- bairro Tingui - Curitiba - Pr
(41) 8802-0347 / 9172-7407 / 3209-8802
email:cimples.ocio@gmail.com


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Choroes memoraveis




Vinil Choro no ceu - é um bom e pequeno panorama do choro com resumo das biografias - clique na foto para visualiza-las melhor.
Tem Waldir Azevedo, Pixinguinha, Benedito Lacerda, Jacob do Bandolim, Luiz Americano, Luperce Miranda, Copinha, Dilermando Reis e Tia Amelia.
Acervo Anildo - Biblioteca Cimples Ócio

Geraldo Pereira "Um escurinho direitinho"

Mais alguns detalhes do Livro sobre Geraldo Pereira. Na foto 2 show "Clarins em fá" Geraldo Pereira no centro de terno branco entre as pastoras e abaixo Geraldo Pereira, Geraldo Barbosa, Barão, Arno Canegal, Raul Marques e Euclides. Ao lado partitura e letra de Bolinha de papel. Na foto 1 partitura e letra de Escurinho e Falsa Baiana. (clique na foto para maior nitidez)


foto 1


Fonte: acervo Anildo livro "Um escurinho direitinho - A vida e a obra de Geraldo Pereira. Luis Fernando Vieira, Luis Pimentel e Suetônio Valença - Relume 1995




Roberto Silva

Segue texto do Lucio Rangel da contracapa do disco Descendo o Morro - volume tres.

Desde 1917, quando o primeiro samba gravado, o famoso “PELO TELEFONE”, algumas centenas, alguns milhares de outros sambas percorreram o Brasil através dos discos fonográficos. Alguns ficaram nas prateleiras das casas especializadas, empoeirado, dormindo o sono do insucesso; outros, alcançaram êxito efêmero e foram, depois, esquecidos .
Em uma terceira categoria, dos raros, então os sambas que parecem resistir ao tempo, sempre lembrados, morando na lembrança e na saudade de toda gente: são os “diamantes”, as “jóias”, as obras-primas, realizadas em um momento de inspiração sobre o motivo feliz e imperecível. São os que ficam..
Realizando a vitoriosa serie “Descendo o morro”, a direção artística da Copacabana procurou, justamente, os sambas pertencentes á ultima serie – escolheu os sambas mais belos, mais felizes e mais autênticos, realizando uma verdadeira antologia do gênero e confiando sua interpretação a um dos melhores especialistas, um moço que canta com propriedade, que sabe valorizar as letras dentro do ritmo adequado e buliçoso do verdadeiro samba carioca – Roberto Silva.
E o publico, que raramente se engana , soube prestigiar e aplaudir a iniciativa – este é o terceiro volume do “Descendo o morro” e vai, certamente, alcançar o mesmo sucesso dos anteriores, pois, mais uma vez, doze das melhores produções de sambistas cariocas, esse homem irônico e sentimental, malicioso e às vezes ingênuo, estão aqui presentes.
“Presente esta Noel Rosa, o imortal sambista da Vila, com uma de suas obras-primas consagradas – “PALPITE INFELIZ”; presente esta o notável Alberto de Castro Simoens da Silva, descendente da Marquesa de Santos, e que o grande publico conhece como” BORORÓ”. Como presentes estão outros expoentes no gênero, o grande Ataulfo Alves, a dupla inesquecível formada por J. Cascata e Leonel Azevedo, Denis Brean, que è um teórico do samba, como demonstra em suas excelentes notas criticas, mas também um professor que sabe realizar o que ensina Benedito Lacerda o saudoso Benedito, sabio que infelizmente, se foi para sempre, Herivelto Martins, compositor cujo jubileu foi comemorado pelo Brasil inteiro, Roberto Martins e Mario Rossi, coautores da autentica maravilha que se chama” BEIJA FLOR”, Antonio Almeida e João Bastos Filho, Djalma Mafra e Nelson Silva, Garcez e Arno Canegal, Luciano Rodrigues, Zé Pretinho e Reis Saint-Clair, todos representados pelas suas mais famosas produções.
Com acompanhamento impecável, realizado pelos melhores instrumentistas, com o repertorio magnífico e realmente popular, o cantor Roberto silva, com este terceiro álbum “DESCENDO O MORRO”, vai novamente comover e divertir com suas interpretações tão genuinamente nossas, com a sua arte simples e sincera.

Lucio Rangel

Acervo: Maerlio - Ceara do Calamengau
digitação: Cibian Fernanda em 23.11.2008

domingo, 23 de novembro de 2008

Geraldo Pereira - discografia

Musicas gravadas do compositor Geraldo Pereira (23/04/1918 - 08/05/1955):
L.P gravados:

Roberto Silva interpreta Haroldo Lobo, Geraldo Pereira e seus parceiros - gravadora Som - 1976
Sambas:
- Acabou a sopa (com Augusto Garcez)
- Os caprichos meus (com Arnaldo Passos)
- Escurinho
- Lembras-te daquela "zinha"? (com Augusto Garcez)
- Pisei num despacho (com Elpidio Viana)
- Voce esta sumindo (com Jorge de Castro)

Evocação V
gravadora Estudio Eldorado - 1980

- Acabou a sopa (com Augusto Garcez) - interprete: Marçal
- Ainda sou seu amigo - interprete Elton Medeiros
- Até hoje não voltou (com J. Portela) - interprete Nelson Sargento
- Bolinha de papel - interprete Grupo Tarsis
- Escurinha (com Arnaldo Passos) - interprete Joao Nogueira
- Escurinho - interprete Roberto Silva
- Mais cedo ou mais tarde - interprete Macalé
- Ministerio da economia (com Arnaldo Passos) - interprete: Monarco
- Onde esta a Florisbela (com Ari Monteiro) - interprete: Batista de Souza
- Pedro do pedregulho - interprete Vania Carvalho
- Pisei num despacho (com Elpidio Viana) - interprete: Jackson do Pandeiro
- Pode ser? )com Marino Pinto - interprete: Cristina
- Se voce sair chorando (Nelson Teixeira) - interprete: coro (diversos)

O ultimo malandro
Moreira da Silva - gravadora Emil/Odeon - 1948

 
- Acertei na milhar (com Wilosn Batista)


Historia da Musica Popular Brasileira - numero 31 e 35
abril Cultural - gravadora RCA

- Acertei no milhar (com Wilson Batista) interprete: Jorge Veiga
- Bolinha de papel - interprete: Joao Gilberto
- Cabritada mal sucedida (com Jorge Gebara) interprete: Geraldo Pereira
- Chegou a bonitona (com Jose Batista) - interprete: Blecaute
- Escurinha (com Arnaldo Passos) - interprete: Jorge Veiga
- Escurinho - interprete: Roberto Silva
- Falsa Baiana - interprete Ciro Monteiro
- Que samba bom (com Arnaldo Passos) interprete: Martinhho da Vila
- Voce esta sumindo (com Jorge de Castro) - interprete: Paulinho da Viola

Gerado Pereira - 1918 - 1955


Com 21 anos, 1939 foi gravada sua primeira musica "Se voce sair chorando" com Nelson Texeira, tendo como interprete Roberto Paiva. Projetou os autores, pois foi muita cantada e tocada em todas as radios do Rio de Janeiro. Regravado em 1981 - Gravadora Eldorado - serie Evocação


Letra:
Se voce sair chorando
dizendo que vai embora
meu amor não ignoro
o seu pensar
ficarei muito contente
vou viver com alegria
espero o seu desprezo um dia
não vou chorar

Voce vai que a rua lhe convida
de que valem duas vidas
sem prazer?
Tudo quanto é dificil
eu dou-lhe com alegria
e voce não sabe me compreender
.

Fonte: livro "Um escurinho direitinho - a vida e a obra de Geraldo Pereira"
deLuis Fernando Vieira - Luis Pimentel e Suetonio Valença
RJ - Relume 1995

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Jacob do Bandolim

Procurando informações sobre o Rogerio Souza (violão e violão 7, compositor e arranjador) do Grupo Nó em Pingo d'Agua) que estara sexta no Cimples Ócio, acabei encontrado no sitio da Kuarup este texto. Espero que não seja processado. Chama-se Jacob por Jacob. Percam um tempinho.


Apresentação

Jacob por Jacob

Tentou cantar uma segunda voz no Hino Nacional e ficou de castigo no primário.
Menino sozinho e "sem licença pra ir na rua", ficava em casa pinicando as cordas de um violino com um grampo, até descobrir seu verdadeiro instrumento, o bandolin, que lhe deu glória e nome.
Sem método e sem professor, tornou-se o maior solista de seu instrumento na história da música brasileira.
Jacob foi, com Pixinguinha, Nazareth e Waldir Azevedo, um dos grandes nomes do choro. Gravou boa parte de sua obra, interpretou outros compositores e teve peças escritas exclusivamente para ele, como o 1º Concerto Para Bandolim e Orquestra de Radamés Gnattali.Pesquisador da música brasileira, tinha um enorme arquivo de partituras (hoje no MIS).
Foi líder de um dos melhores grupos de choro e de seu tempo, o Época de Ouro, e deixou uma obra repleta de choros, valsas, sambas, baiões, frevos, maxixes, polcas, schottish e mazurcas.
Em 1967, dois anos antes de sua morte, com seu português de escrivão da 11º Vara Criminal do então Estado da Guanabara, redigiu literalmente, a seguinte "Nota autobiográfica":
- Jacob Pick Bittencourt, n.14.2.1918, à Rua das Laranjeiras nº 180 (Maternidade), GB, único filho do farmacêutico Francisco Gomes Bittencourt (Cachoeiro de Itapemerim - ES) e de Raquel Pick (Lodz - Polônia), ambos, e todos os ascendentes conhecidos, alheios à música. Reside à Rua Comandante Rubens Silva 62 (JPA- GB). Casado com Adylia Freitas Bittencourt. Filhos: Sérgio Freitas Bittencourt (n. 3.2.41. RJ, jornalista e compositor) e Helena Freitas Bittencourt (n. 8.4.42. RJ, cirurgiã-dentista).
Cursou o primário na Escola Deodoro (Glória-GB), o admissão na Deutsche Schule (atual Cruzeiro do Sul-Senado-GB), o 1º ginasial e o comércial completo, na British American School (atual colégio Anglo Americano-Botafogo-GB), o de perito-contador no Instituto Freycinet e no Instituto Brasileiro de Contabilidade, formado por este em 1957. Nunca exerceu esta profissão. Foi prático de farmácia, vendedor pracista, agente de seguros e de títulos diversos, vendedor de material elétrico, parafusos, sabão e granel, material de papelaria, dono de um laboratório e duas farmácias sucessivamente. Sem vocação para o comércio, prestou concurso para escrevente-juramentado da Justiça da GB, sendo nomeado em 1944. Todas as suas promoções foram por merecimento, inclusive para o atual cargo de Escrivão Titular de Juízo de Direito da 11ª Vara Criminal.
1ª intuição musical: quando, na Escola Deodoro (1º primário), tentou cantar a segunda voz do Hino Nacional. Prêmio: retido até a noite.
1ª manifestação musical: gaita de boca para divertir os colegas na British American School.Bandolin: em 1930/31, na Rua Joaquim Silva 97 (Lapa-GB), onde foi criado, ouviu um vizinho, francês e cego, tocar violino.
Obteve um de sua mãe, estudando sozinho e reproduzindo valsas e modinhas que ela, em casa, e os vendedores de modinhas, na rua, cantavam. O arco era cansativo. Passou a pinicar cordas com granpo de cabelo, sem saber que havia um instrumento adequado para esse modo de tocar, pois não tinha amiguinhos no seu bairro e nem liberdade para ir à rua.
Cordas estouradas, despesas, reclamações, até que uma amiga de sua mãe esclareceu tudo. Comprou, em sua companhia, na Guitarra de Prata, um bandolin de "cuia" (mod. napolitano) que custou 80 mil réis.
Sem métodos nem professores, nele estudou apesar de precário o instrumento. É, até hoje, auto didata.
Em 20.12.933, impelido por amigos, mas sem qualquer interesse, tocou na Rádio Guanabara, à Rua General Câmara nº 60 - 3º andar, na Hora do Amador Untisal, o choro - "Aguenta, seu Fulgêncio" de Atílio Graní, acompanhado do Conjunto do Sereno, organizado, às pressas, no bairro do Lins: Carlos Gil (cavaquinho, falecido), Natalino Gil (irmão do 1º, pandeirista) e Ernesto (um eletricista cujo o destino ignora). O contra-regra era Evaldo Rui. As paredes do studio forradas de saco de aniagem, pois não existia celotex. Não insistiu. Preferiu estudar mais, interessado nas serestas e saraus.
Em 5.5.934, tocou violão na Rádio Educadora (Horas Luso-Brasileiras) e, na mesma noite, no Club Ginástico Português, acompanhando o guitarrista Antônio Rodrigues e os cantores Ramiro d'Oliveira e Esmeraldo Ferreira. Explica: frequentando a Casa Silva, de instrumentos, à Rua do Senado nº17, entusiasmara os guitarristas que ali iam, com certo jeito com que marcava os fados ao violão (produto, certamente, do pouco que sabia nesse instrumento).
As honras eram tantas que quase abandona o bandolin e se transforma num segundo Xavier Pinheiro.
Finalmente:Em 27.5.934, com o Conjunto "Jacob e sua Gente" (Carlos Gil, cavaquinho, Osmar Menezes, violão, falecido, Valério Farias "Roxinho", violão, Manoel Gil, pandeiro e Natalino Gil, ritmista), assim batizado por Eratóstenes Frazão, obteve o 1º lugar entre 28 conjuntos, no Programa Guanabara, em Concurso promovido pelo "O Radical" e dirigido por Frazão. O 6º lugar foi do cantor de foxes Haroldo Barbosa (ex-cavaquinista). Banca examinadora que lhe conferiu, unanimente, 10 pontos: Orestes Barbosa, Francisco Alves, Benedito Lacerda, Cristovão de Alencar, Eratóstenes Frazão, Alberto Manes, (diretor da Rádio Guanabara), Oscar Pamplona (de "O Dragão"), e sua filha Maria Pamplona (professora do Instituto Nacional de Música).
Com esse conjunto passou a colaborar, alternadamente, com o de "Benedito Lacerda e Gente do Morro", nos acompanhamentos dos principiantes e, depois, a Manesinho Araujo, Silvio Vieira, Henricão e Sarita, Cléo Silva, Dupla Preto e Branco (Herivelto e Francisco Sena), Noel Rosa (que orgulho!), J. Cascata, Renato Muros, Zaira de Oliveira, Afonsinho (cantor e futebolista), Murilo Caldas, Jaime Brito, Ciro de Souza, Mário Moraes, Fausto Paranhos, Leonel de Azevedo, Dunga, Joel e Gaúcho, Sílvio Pinto, Luiz Barbosa, Djalma Ferreira, Augusto Calheiros etc. (referências para fixar épocas e ambientes).
Tocou nas rádios, Educadora (nas 3 sedes: Rua 1º de Março, Senador Dantas e Marquês de Valença), Mayrink, Club, Cajuti, Ipanema, Mauá e Nacional (1955/58). Toca de ouvido e, desde 1949, também por música, que aprendeu sozinho.
Toca todos os instrumentos afiados em quintas justas e vibrados por palheta. Precariamente, cavaquinho e violão. Criou (ou adaptou) a violinha, o vibraplex, tuba de cordas, barítono de cordas e bandolim-brilhante (em estudo).
Produtor do programa "Noite dos Choristas", na TV Record, em 1955 e 1956, quando, num só conjunto, reuniu cêrca de 130 instrumentistas principiantes, que mal sabiam afinar seus instrumentos, conseguindo um resultado digno dos aplausos dos maestros Pixinguinha e Gerra-Peixe.
Musicófilo e colecionador de músicas populares brasileiras, principalmente instrumentais.
Troféus e Títulos:
1954 - "O melhor solista" (Guarani) - 1º Festival Brasileiro do Disco (Diário Associados - SP)1961 - "Melhor Solista Popular" (Euterpe) - Prêmio Cidade São Sebastião do Rio de Janeiro
1964 - "Melhor LP de Música Brasileira" (Guarani) - 3º Festival do Disco - SP
1964 - "Melhor LP de Música Brasileira" - Associação Brasileira de Críticos de Discos
1966 - Membro do Júri do Concurso "Um Cantor por 10 milhões e 10 milhões por uma canção"
1967 - Membro do Júri do 1º Festival Estudantil de Música Popular
1967 - Membro da Comissão de Seleção de Música para o Carnaval de 1968.
- Membro nato do Conselho de Música Popular Brasileira do Museu de Imagem e do Som.

fonte: http://www.kuarup.com.br
Apresentação do CD Sempre Jacob

sábado, 1 de novembro de 2008

Arte no samba - Yara Teixeira - Curitiba




Roda de Choro - inicio do seculo
Sinhô














Praça onze e casas das baianas















Pixinguinha

e Caninha










Hilario Jovino e a criação do mestre salas
























Baianas da Tia Ciata









Yara é uma artista plastica de destaque aqui em Curitiba. Trabalha com as cores de forma exuberante. Os desenhos sao de um livro sobre os grandes sambistas desde a casa da Tia Ciata.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Dicionario

Arrumando minhas tradicionais bagunças de papel, livros, etc. Acabei não resistindo e dando uma olhadela num "dicionario escolar ingles-português português-ingles" do ministerio de Educação e cultura, 1957 - direitos autorais exclusivos da Fename - Ministerio da Educação e Cultura - Rio de Janeiro - GB - Brasil - 6.a edição - Oswaldo Serpa - 700.000 exemplares - agosto, 1969 - Presidente da Republica Costa e Silva (mare chal) e Minstro da Educação e Cultura, Deputado Tarso Dutra.

- jongo, masc - a negro dance
- maxixe, masc - a gherkin; a Brasilian dance.
- candongueiro, masc - contrabandist; flatterer; intriguer.
- samba, masc - a lively dance of African origin.

Paulinho em Floripa e oficinas de choro dia 07 e 08 nov

Este convite me chegou por email. é da Gabi, pandeirista de Floripa e batalhadora da boa musica brasileira. Segue:

OFICINAS DE CHORO NO BAIACU DE ALGUÉM

Olá, amigos e amigas!

Gostaria de divulgar a vocês e pedir que espalhem aos interessados as oficinas de choro que acontecerão lá na Associação Cultural Baiacu de Alguém, em Santo Antônio de Lisboa, um espaço muito legal onde já estão acontecendo inclusive várias oficinas artísticas oferecidas à comunidade (http://www.baiacudealguem.com.br/).
Aproveitando a vinda de Paulinho da Viola com toda sua banda para Florianópolis (show dia 7 de novembro), consegui marcar uma oficina de choro com dois músicos muito especiais: o Mário Sève (sopros) e o Celsinho Silva (pandeiro). Eles ficarão na ilha um dia a mais para fazermos as oficinas, então é uma boa oportunidade para estar com eles e aprender um pouquinho mais... além de músicos excelentes são pessoas maravilhosas e com muita história pra contar.
O valor das oficinas é bem acesível, R$ 30,00 para fazer uma e R$ 50,00 para as duas, que serão em horários diferentes. Acontecerão no sábado – dia 8 – à tarde, e à noite vai ter festa com os grupos Molho Madêra e Gafieira Light.

OFICINA DE PRÁTICA DE CONJUNTO DE CHORO COM MÁRIO SÈVE
Saxofonista, flautista, compositor e arranjador. Integrante dos quintetos NÓ EM PINGO D'ÁGUA e AQUARELA CARIOCA e da banda de PAULINHO DA VIOLA. Lançou em 2007 seu primeiro cd exclusivamente autoral - CASA DE TODO MUNDO (Núcleo Contemporâneo. Gravou com Marcelo Fagerlande, Daniela Spielmann, David Ganc, Paulinho da Viola, entre muitos outros. É autor do livro VOCABULÁRIO DO CHORO (Ed. Lumiar), realizando workshops e oficinas pelo Brasil. Está lançando CHOROS 100 (Biscoito Fino) – cd e livro - com clássicos do choro e os 3 volumes do SONGBOOK DO CHORO (Ed. Lumiar).
Para esta oficina é preciso ter domínio de um instrumento (melódico, harmônico ou de percussão). Mário Sève irá propor arranjos de clássicos do choro como também de composições menos conhecidas e composições próprias,
já que é um compositor de mão cheia.

OFICINA DE PANDEIRO COM CELSINHO SILVA
Pandeirista, compositor e produtor, integra os quintetos Nó em Pingo Dágua, Cinco no Choro e a banda de Paulinho da Viola desde 1980, com o qual já gravou 9 cds, sempre participando dos shows e gravações. Filho de Jorginho do Pandeiro e sobrinho de Dino 7 Cordas (Época de Ouro), Celsinho Silva vem de uma família de grande importância para a música brasileira. Atua como professor de pandeiro na Escola Portátil de Música (RJ) desde a sua fundação em 2000 e realiza oficinas de pandeiro e choro pelo Brasil e exterior.

* OFICINAS DE CHORO
* ASSOCIAÇÃO CULTURAL BAIACU DE ALGUÉM
Rua Padre Lourenço R. de Andrade, 650
Santo Antônio de Lisboa – Florianópolis
* DIA 8 DE NOVEMBRO (SÁBADO)
* PANDEIRO (CELSINHO SILVA) – 13:30h às 16:30h
* PRÁTICA DE CONJUNTO (MÁRIO SÈVE) – 16:30h – 19:30h
* R$ 30,00 (UMA) R$ 50,00 (AS DUAS)

Quem quiser participar pode me procurar por email ou telefone.
Gabriela Flor – gabrielapandeiro@gmail.com (48) 8405 4128

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ze da Velha e Silverio no Cimples Ócio

Silverio Pontes, Marcus e Ze da Velha
no final da noite apareceram Hamilton de Holanda e Rogerio Caetano - emprestaram 02 cavacos e juntaram-se a Alessandro Cardoso e deu samba com 03 cavaquinhos. Rogerio soltou a voz. E o samba rolou ate 3:30 na cozinha do Cimples Ócio.















A dupla e o regional completo


Marcus era um frequentador. Hoje virou parceiro e amigo do Cimples Ocio. Fez um texto que humildemente pediu para ser analisado. Nem precisaria -só pelo carinho gostando ou não seria postado da mesma forma. Não é especifico para samba e choro, pois dicorre sobre o espaço e não tive coragem de esquarteja-lo para postar nos blogs de culinaria e/ou espaço. Obrigado pelo carinho Marcus Cabeleira. Segue o texto dele:

Cimples Ócio – Silvério Pontes e Zé da Velha - 15 de outubro de 2008

A culinária

A cozinha no Cimples é tão fundamental quanto a boa música. Um elemento importante para o trabalho de resgate das “culturas populares” que Anildo faz já há tempos. E como sempre, a comida estava fantástica, com o toque divinal do triunvirato Elza, Juliana e Neuza (ainda dodoizinha), esta última se superando para colaborar com a festa.

Sem falar nos ajudantes e ajudantas, mas essa parte fica para o dono.

Vaca atolada, calabresa, bolinho de arroz, pratos brasileiros de todos os dias, que exatamente por serem “cimples” acabam por serem sofisticadíssimos na atual era dos fast food’s.

O público

Não tinha “consumidores” de música, o público habitual dos bares hoje em dia, que não conseguem cantar o “Trem das Onze” inteiro, não porque não sabem a letra, mas porque soa em seus ouvidos com o mesmo efeito produzido por uma buzina de carro. Pessoas novas apareceram, apreenderam o espírito do ambiente, do espaço, que também reflete as concepções que o dono tem da vida, da cultura e da boa música. Sabem que não é mais um “barzinho” pra tomar um “choppinho” e ouvir uma “MPB” — seja lá o que isso signifique. O espaço, a música e tudo mais que se vê e se sente no Cimples, não são coisas passíveis de consumo, é pra sentir e refletir, e esse era o público que estava lá ontem. Fundamental também ver os rostos já conhecidos, dedicados e assíduos na arte da Feitoria.

A música

Primeiro, um quarteto de arrepiar, já conhecido entre os apreciadores do bom “samba e choro” curitibano. Julião, Vinícius, Zezinho e Gabriel tocavam como se esculpissem em marfim; tudo precisão e delicadeza com seus instrumentos – nossos ouvidos e nossa alma são inteiramente gratos.
Depois, dois ícones para a história musical brasileira, dois bambas no sentido clássico, de “sábios”, “magos”, “mestres do samba”, já inscritos no panteão dos grandes de nossa música.

Emoção contínua do começo ao fim de cada música, o que se viu pelo brilho beirando as lágrimas nos olhos de vários que desfrutaram de tudo que eles tão bondosamente nos ofereceram.

Silvério e Zé da Velha nos mostram (no meu caso, que não tinha visto o show deles ao vivo ainda) que as manifestações culturais que são efetivamente relevantes para a resistência e reprodução da cultura brasileira ocorrem na “cimplicidade” de espaços e tempos distantes dos megaespetáculos, das grandes produções, do mainstream da indústria cultural negativamente midiatizada, tudo isso enfiado goela abaixo, ao contrário dos que acham que consomem o que querem. Esse é um lado.

O outro lado foi pura emoção mesmo, pela intensidade da música, pela cumplicidade e pelo diálogo o que os dois estabelecem através de seus instrumentos e que seus instrumentos estabelecem através deles. São momentos daqueles que choramos depois porque acabou. É como se um ápice de êxtase se tornasse constante em nossos ouvidos, levando a uma alegria plena. Contagiaram todos e todas mesmo, eles e vosso magnífico conjunto.

Papai e mamãe que há 10 anos não botavam o nariz pra fora de casa para um programa lúdico-musical, estão loucos para retornar.
Parabéns Anildo.

Marcus Pedroso de Souza (Cabeleira), sociólogo, fã do Anildo, apreciador e entusiasta do samba como síntese orgânica e histórica da cultura brasileira

maxixes e carnaval anos 10

1914

Grande escandalo nacional: a esposa do presidente da republica, Nair de Teffé, num baile do Catete, toca ao violão o maxixe Corta jaca, de Chiquinha Gonzaga:
“ Ai!Ai! que bom cortar a jaca
Ai! Sim! Meu bem, ataca
Sem descansar.”

- João Foca e Bastos Tigre assim descrevem o maxixe :
”dança proibida pela policia e pelo cardeal”.
“O cavalheiro segura /
A cavalheira com jeito /
Pouco abaixo da cintura /
E vai chamando ela ao peito /
Ela, a cara, toda terna /
Gruda na cara do meço /
E depois, perna com perna /
Caem os dois no perereco.”

- o grande triunfo do caranaval é – pela primeira vez – o modinheiro Catulo da Paixão Cearense. Junto com João Pernambuco, Catulo alcança tal êxito, durante todo o ano de 1913,
que no carnaval não dá outra: de norte a sul, o povo exclama:
“Caboca de caxanga,
Minha caboca, vem cá.”



Fonte:
Darcy Ribeiro
livro "Aos Trancos e Barrancos - Como o Brasil deu no que deu"
– 2.a edição 1985

domingo, 5 de outubro de 2008

Cimples Ócio - Acervo samba - Curitiba - Paulinho da Viola 10 anos - vinil

A partir de hoje bem lentamente (me bati muito, perdendo tempo demais para postar este) inicio o escaneamento do meus vinis. Espero que mais tarde sirva como fonte de pesquisa para alguns. Como há muitos blogs para baixar os sambas, vou focar nas informações que estes discos traziam, hoje fonte de bons textos para embasamento historico do samba.
A escolha recaiu sobre este disco pelo texto do Sergio Cabral na contracapa que cita um encontro do Paulinho em 1962 com um pessoal da bossa nova - então fica minha homenagem aos 50 anos, comemorados por estes dias (sic). No fundo, de verdade, minha homenagem ao talento do homem e musico Paulinho, que está anos luz na frente de um monte de dois tons da bossa nova que fizeram sucesso. E também pela proximidade do Sergio Cabral com Paulinho.


contracapa

capa


na contracapa embaixo da foto tem um texto do Sergio Cabral e reproduzo abaixo, em função das letras serem pequenas e voces teriam dificuldades para visualizar, vamos lá:
Na primeira vez que vi Paulinho da Viola, fiquei sabendo de uma das suas marcas registradas: a timidez. Foi mais ou menos em 1962, na casa do poeta Herminio Belo de Carvalho, durante uma reunião de músicos e compositores. Herminio pediu a Paulinho para tocar qualquer coisa, mas ele se recusou afirmando que seu violão era "quadrado" ( a maioria dos presentes era francamente da bossa-nova).
Nosso contato seguinte aconteceu em 1963 quando preparamos o lançamento do imortal Zicartola - a casa de samba e restaurante do maravilhoso casal mangueirense Cartola e Zica. Cartola mandava brasa no samba e Zica na cozinha.
Com Hermninio e Zé Kéti, a gente ia ao banco onde onde Paulinho trabalhava para leva-lo ao Zicartola, onde viria acompanhar no violão os grandes sanbistas que se apresentavam na casa.
Paulinho da Viola ainda não era Paulinho da Viola. Era Paulo Cesar. Zé Kéti é que sugeriu a mudança de nome. "Paulo Cesar não é nome de sambista". disse ele. Concordei e sugeri um pseudônimo que tivesse a palavra viola, pois um dos apelidos mais encantadores que conheço na música popular é o do Mano Décio da Viola. "Paulo da Viola", disse Zé Kéti. "Pauliho da Viola", completei.
O batizado foi feito no próprio Zicartola e, se não me engano, foi Zé Kéti que comunicou a Paulo Cesar, que ele seria dali em diante, Paulinho da Viola, que aliás, continuava tímido. Já tinha uns sambas mas era uma dificuldade incrivel fazer o compositor cantá-los. Dez vez em quando, aventurava-se a bancar o cantor (um dos seus sambas falava de de "sapato" e "retrato". Era muito interessante mas nem o proprio Paulinho se lembra mais).
Ficamos amigos. Estivemos juntos no Festival de Arte Negra, realizado em 1966 no Senegal, trabalhamos na antiga casa Grande e em muitos shows, entre os quais um chamado "Sarau", que relançou o choro no consumo e que me traz as mais alegres lembranças.
Posso dizer que se há uma carreira que conheço de perto, esta é a de Paulinho da Viola. Carreira que fca ainda mais próxima quando vejo o repertório desse disco, que começa com "Sem ela eu não vou", do seu primeiro LP (Paulinho escreveu na contracapa e datou: 7 de outubro de 1968) e vai até o choro "Beliscando", sambista e chorão que ele é. Infelizmente, o espaço de uma contracapa não dá para contar a história de cada música, mas não custa chamar a atenção para alguma delas. "Sinal fechado", por exemplo, ganhou o Festival de Musica Popular da Record. "Foi um rio que passou em minha vida" venceu a Feira de Musica da TV Tupi de São Paulo e foi uma espécie de hino da Portela em 1970. "Um certo dia para 21" foi o samba de terreiro que Paulinho lançou na Portela em 1971. "Coisas do mundo, minha nega", finalista da I Bienal do Samba e incluido tanto no primeiro quanto no último LP de Paulinho. Para este disco, o compositor preferiu aproveitar a gravação mais recente, talvez pelo acompanhamento mais leve e, portanto, mais adequado para a música.
Não é preciso escrever mais. Basta ouvir este LP que narra musicalmente os dez anos da carreira de Paulinho da Viola na Odeon. Só isso é o suficiente para qualquer um constatar que se trata de um dos mais veementes exemplos de talento, dignidade e carater da nossa música popular.
Sérgio Cabral
Sinal Fechado
Argumento
Dança da solidão
Nada de novo
Perdoa (participação especial Elton Medeiros)
Coisas do mundo, minha nega
Sem ela eu não vou
Foi um rio que passou em minha vida
Para ver as meninas
Comprimido
No pagode do Vavá
Dona Santina e s eu Antenor
Um certo dia 21
Beliscando
Todas as músicas são de autoria de Paulinho da Viola
Capa Elifas Andreato Fotos: Lena Trindade

sábado, 4 de outubro de 2008

Indicação / informações e audio "Berço do Samba"

Sitio que dá para espremer algumas coisas. Tem audio e boas informações. Esteve fora do ar um bom tempo.

:: Berço do Samba ::O melhor do samba no Brasil!

http://www.bercodosamba.com.br/

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Semeadura e companhias "diga-me com quem andas ..."

Esta postagem é uma homenagem ao Elifas Andreatto, que fomentou umas das minhas paixões - as criações das capas dos vinis do Paulinho da Viola. Fez parte da criação de um dos melhores trabalhos sobre samba, a serie na Abril Cultural Historia da Musica Popular Brasileira. O texto não é de samba, mas vale a homenagem e é bem bonito.
Elifas, escrevendo sobre seu trabalho e vida, na contracapa de sua revista BRASIL - Almanaque de Cultura Popular

Novos velhos amigos
e uma árvore mãe

Ter nascido paranaense em 1946 talvez tenha a ver com minha preferência por anos pares. Nem todos os ímpares foram ruins. Só posso reclamar de um: 1975, ano em que assassinaram o jornalista e amigo Vladimir Herzog.
Mas os pares, sem dúvida, foram mais felizes.
Bento nasceu em 1976; Laura, em 1978. Foram o que de melhor aconteceu em minha vida. Em outro longínquo ano par reencontrei Cleide, minha companheira. Por falta de espaço, lembro apenas de mais um: 1970, quando fiz o projeto gráfico da revista Placar e fundei com ilustres companheiros, na Abril Cultural, a série de fascículos História da Música Popular Brasileira.
Este ano começou muito bem, com homenagens em calendários e agendas da Posi­graf, seção especial com meus retratos de músicos na revista Gráfica - uma das mais conceituadas publicações do gênero -, um novo livro que sairá no fim do ano, e a abertura da minissérie Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral, companheira de geração e de batalha contra as aflições impostas pelo regime militar.
Agora, vejo consagrado o prestígio deste ALMANAQuE, que junta-se aos parceiros pa­ranaenses que estiveram conosco no passado e a outros igualmente solidários que voltam a apoiar o projeto, numa demonstração clara do apreço e respeito que têm pela publicação. Eles são cúmplices em nossa missão: o resgate e a difusão da memória brasileira e a propagação das boas histórias do País.
Na juventude, quando me via em más companhias, minha sábia mãe lembrava o dito repeti­do por meu avôl: "Diga-me com quem andas e eu te direi quem és” . Há pouco tempo, contei a dona Alzira que estava andando com ótimas companhias. Ela então suspirou aliviada, per­guntou pelos nomes e me benzeu, como sempre fez nas ocasiões em que me viu contente.
Quando nos despedimos, ao abraçar-me, ela falou baixinho em meu ouvido: "Semente bem plantada, meu filho. Sempre dá bons frutos. Colha orgulhoso os frutos de sua semeadura". Já distante, quando me virei para um ultimo aceno, revi minha mãe, e ela pareceu uma pequena árvore com galhos balançando ao soprar do vento.

Elifas Andreatto

“Não há melhor espelho que um velho amigo”
Santo Agostinho

fonte: revista Brasil - Almanaque de Cultura Popular - ano 10 -nr: 111 - julho 2008
http://www.almanaquebrasil.com.br/